Chuvas prejudicam plantio de milho safrinha no Mato Grosso

Publicado em 14/03/2011 07:36 281 exibições
Atraso na colheita da safra de soja fez agricultores perderem o período para o plantio do milho e cultura passa a ser considerada de risco a partir de agora - São Paulo

As constantes chuvas que atingem a Região Centro-Oeste brasileira já afetaram o maior produtor de soja no País, o Mato Grosso, e já prejudicam seriamente o plantio da safrinha do milho que pode ter queda acentuada na área de cultivo, segundo a Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja).

A única certeza apontada pela entidade é que com o atraso na colheita e as incessantes chuvas a produção do milho safrinha será menor. Até sexta-feira restavam ainda quase 30% da área prevista para a cultura ainda não haviam sido semeados.

Com o excesso de chuvas e o atraso na colheita da soja, o milho de segunda safra do Mato Grosso, que inicialmente teria uma área plantada de 1,8 milhão de hectares, teve queda superior a 7% ante a safra anterior.

Segundo Carlos Fávaro, diretor Administrativo da entidade, a janela para o plantio desta cultura devido ao atraso na colheita da soja ficou bastante estreita. Inicialmente, o plantio deveria terminar em 28 de fevereiro. Mas nesta data, do total de área prevista para a semeadura, apenas 1,3 milhão de hectares havia sido plantado. "Até o final de fevereiro foram plantados 1,3 milhão de hectares, de 1,8 milhão previsto e não acredito que os produtores desistirão de plantar mesmo com bastante atraso", disse.

Entretanto, passado o período ideal, a plantação passa a ser considerada de alto risco, dada a possibilidade de estiagem durante a maturação do grão. Favaro avisou que a partir dessa semana, as plantações que forem realizadas no estado serão consideradas de extremo risco, cabendo ao produtor a decisão de arriscar ou não. "Os produtores disseram que irão avançar nas plantações um pouco fora da época determinada. O problema é que as chuvas continuam limitando o prazo. O que tinha para ser plantado já foi, fora isso serão consideradas safras de risco. Com isso fica praticamente impossível alcançarmos a safra que projetamos", disse Fávaro.

Soja

Calcula-se que aproximadamente 10% da safra da soja do estado já esteja arruinada. Entretanto, entidades do setor ainda não contabilizaram os prejuízos que podem aumentar nos próximos dias se as chuvas não derem trégua.

No primeiro levantamento realizado pela Aprosoja para o estado mato-grossense estimava-se uma produção de 19,3 milhões de toneladas, entretanto os problemas climáticos, que atrasaram o plantio da safra, afetam a colheita. Segundo Fávaro, o estado colheu apenas 50% da soja plantada, restando apenas dez dias para a colheita dos demais hectares. "A safra de Mato Grosso já está 50% colhida. Dos outros 50%, mais de 90% precisam ser colhido em menos de duas semanas. Se nos próximos 10 dias a chuva, que nos castiga há mais de uma quinzena, não ceder fatalmente teremos mais soja avariada em proporções significativas. Se o clima melhorar e parar de chover teremos sucesso e colheremos uma boa safra, e as perdas serão minimizadas."

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita em Mato Grosso avançou 11,3% na semana do carnaval, alcançando 50% da área plantada. "As chuvas persistiram esta semana, intensificando as avarias na soja pronta para colher. Praticamente todas as cargas de soja colhidas nas ultimas semanas estavam com umidade acima do adequado. Há informações pontuais de áreas que já não possuem condições de colheita em virtude das avarias", comunicou a entidade.

Favaro acredita que as perdas da produção por conta do clima já somam algo em torno de 10% no Mato Grosso. "Se a chuva não ceder, e continuar castigando a região, além da perda que já tivemos teremos problemas mais sérios. Há uma hipótese que o Mato Grosso já tenha perdido aproximadamente 10% dessa safra, mas não temos certeza de nada. Temos que torcer para ter um pouco de sol para que possamos colher os 50% restantes", contou.

Já o Estado do Mato Grosso do Sul, quinto produtor de soja do Brasil, também deve registrar quebras de produção por conta das chuvas em excesso. A perda deve atingir, no mínimo, 30% da produção deste ano, estimada em 5,5 milhões de toneladas.

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Fonte:
DCI

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