Audiência na Câmara destaca preocupações da FPA sobre incerteza jurídica da Regularização Fundiária
A Comissão de Integração Nacional da Câmara dos Deputados ouviu, nesta terça-feira (5), o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), César Aldrighi, para debater o Decreto 11.688, publicado em setembro. A determinação mudou regras do processo de regularização de terras situadas em áreas da União e do Incra.
A audiência atende ao Requerimento n.º 37/2023, da deputada e membro da FPA, Coronel Fernanda (PL-MT). A parlamentar expressou preocupação com a regularização das ocupações em glebas públicas rurais, principalmente nos casos em que ocorre sobreposição a florestas públicas.
Para a parlamentar, o decreto é inconstitucional. A deputada afirma que a norma excede o poder regulamentador e dificulta a política de regularização fundiária. Segundo ela, é importante que o Incra aja conforme a lei, sem posicionamentos ideológicos. “O órgão existe para atender aos pequenos produtores”, disse a parlamentar.
Em resposta ao questionamento da deputada Coronel Fernanda, o presidente do Incra afirmou que sabe da preocupação dos parlamentares em relação ao Decreto n.º 6188. Segundo ele, a norma foi implementada para integrar a estrutura do governo atual nas decisões relacionadas à regularização fundiária, coordenada pelo Incra. “O decreto trouxe algumas inovações, no meu ponto de vista, da necessidade especialmente de identificar o Cadastro Ambiental Rural”, afirmou o presidente do Incra.
De acordo com César Aldrighi, houve uma parada momentânea nos processos para adequar o sistema de gestão fundiária do Incra (Sigef) às regras do decreto. O Sigef é usado pelas pessoas que pleiteiam a regularização de suas propriedades. Ele afirmou ainda que a política de regularização não será paralisada pelo atual governo. “Todo o processo de regularização é automatizado, e as questões inseridas no decreto ainda não estão”, disse Aldrighi.
No final da audiência, a deputada Coronel Fernanda cobrou do presidente do Incra um posicionamento sobre o estado de Mato Grosso não possuir uma sede de atendimento do órgão. “E hoje a gente está vendo que não está sendo atendido aqui no meu estado. Isso é inadmissível, porque é um órgão de governo, não de partido. Eu não admito esse tipo de situação e, se continuar, vou encaminhar as denúncias para o Ministério Público Federal”, pontuou.
A parlamentar pediu em seguida que César Aldrighi verificasse a situação e encaminhasse respostas formalmente para poder entender o que o Incra sabe sobre como o pequeno produtor será enquadrado nesse contexto e de que forma será beneficiado. “Essas são as questões que a população que sobrevive da agricultura quer respostas, presidente”, afirmou a deputada.
Para o deputado Daniel Agrobom (PL-GO), que presidiu a audiência, o Brasil precisa debater mais sobre regularização fundiária. “Nós esperamos que o nosso governo possa trabalhar no sentido de cada dia mais avançar com esse tema e fazer as regularizações devidas”, afirmou o parlamentar e membro da FPA.
0 comentário
Bancada do agro alerta para salvaguardas inseridas no Acordo Mercosul–UE
Em primeira reunião da FPA, parlamentares decidem pela derrubada de vetos presidenciais feitos ao setor
Dólar segue perto da estabilidade em meio à queda das commodities no exterior
Recursos das CPR atingiram R$ 121 bilhões entre julho e dezembro de 2025
FPA: Veto à LDO mantém insegurança no seguro rural e ameaça planejamento da safra
Safristas: FPA constrói solução para formalizar o trabalho temporário no campo