WSJ: Crise na Ucrânia pode afetar fornecimento do potássio produzido na Rússia

Publicado em 07/03/2014 16:50 e atualizado em 11/03/2014 21:59 1612 exibições
A Rússia está entre os maiores produtores de potássio do mundo, ao lado do Canadá. As ações da canadense Potash Corp. já tiveram alta de 5% esta semana. (Informações: The Wall Street Journal).

Os preços do petróleo, ouro e trigo começaram a subir depois da invasão russa à região da Crimea, na Ucrânia. Porém, o mercado começa a ficar atento para as consequências do conflito para outras commodities, como o gás natural, potássio e paládio, informou o site MarketWatch, do The Wall Street Journal.    

Jeffrey Sica, presidente da empresa de investimentos Sica Wealth Management, afirma que a situação é preocupante. “As sansões colocadas contra a Rússia poderão colocar pressão sobre as commodities em curto prazo... Isso poderá ser um elemento de incentivo ao estoque de commodities como antecipação de uma piora do conflito”. 

Depois do aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia, o petróleo já atingiu a maior alta em cinco meses e o trigo subiu quase 5%. Porém, a situação tem um alcance mais amplo no mundo das commodities. 

A Rússia, junto com o Canadá e Bielorrússia, produz pouco mais de dois terços de todo o potássio utilizado no mundo. O produto é usado principalmente na produção de fertilizantes agrícolas. A Ucrânia é o quinto maior exportador de trigo e o terceiro maior exportador de milho. A Rússia também é o maior produtor mundial do metal paládio, usado na produção de sistemas eletromecânicos e nas indústrias química e farmacêutica.

“A Ucrânia é o celeiro do leste europeu, além de ser um dos maiores exportadores de grãos do mundo”, afirmou Edmundo Moy, estrategista da Morgan Gold. “As exportações de trigo sofreriam o maior impacto entre as commodities no caso de um aumento dos conflitos entre Kiev e Moscou”.

A Rússia também fornece por volta de um terço do gás natural da Europa. Mais da metade do volume exportado do gás é transportado pela Ucrânia. “Este é o maior problema”, afirma Matt Lasov, analista do Grupo Frontier Strategy. “Qualquer sanção liderada pela Europa ou Estados Unidos, que aumente o conflito com a Ucrânia, poderá fazer com que a Rússia diminua ou interrompa o fluxo de gás natural, fazendo com que os preços tenham fortes altas”.

Fornecimento de potássio em risco
O potássio é uma das commodities que ainda não foram seriamente afetadas com o conflito, porém, a Rússia está entre os poucos países que produzem este elemento.   

Jeffrey Sica afirma que uma falta de abastecimento de potássio “é uma grande preocupação, já que a falta de fertilizante poderá limitar o aumento da produção das safras, que são necessárias para atender a demanda mundial”. 

Por outro lado, produtores de potássio de outros países poderão ser beneficiados pelas sanções colocadas contra a Rússia. Entre as empresas que poderão ser beneficiadas estão a Potash Corp., de Saskatchewan, no Canadá e as norte-americanas Mosaic Potash Inc. e Intrepid Potash Inc. As ações da canadense Potash Corp já tiveram alta de 5% esta semana. 

potassio Russia
Potássio é manipulado em uma mina em Berezniki, Rússia. 

Sanções contra a Rússia
O presidente dos EUA, Barack Obama, já assinou uma ordem executiva que autoriza sanções contra indivíduos que ameaçam a soberania da Ucrânia. 

Porém, a situação pode ficar pior, segundo Kevin Kerr, editor do site commodityconfidential.com. "Se a situação se agravar ou se mais sanções forem colocadas contra a Rússia, pelos Estados Unidos ou pelas Nações Unidas, vários produtos básicos poderão ser afetados”.

"As sanções também podem afetar mais ainda os preços de petróleo e gás natural, bem como as exportações de trigo e milho, especialmente se houver uma interrupção real", disse Kerr, acrescentando que o potássio e outras ações agrícolas importantes, como a Deere & Co., poderão ser afetados de forma significativa.

Informações: The Wall Street Journal

Tradução: Fernanda Bellei

Na VEJA: Ucrânia diz que 30.000 soldados russos ocupam a Crimeia

O serviço de guarda das fronteiras da Ucrânia (SGU) informou nesta sexta-feira que Moscou tem cerca de 30.000 soldados na região da Crimeia. O número representa o dobro daestimativa anterior divulgada pelo governo interino do país no fim de semana passado. 

Serhiy Astakhov, assessor do chefe do serviço de guardas da fronteira, disse que o número é uma estimativa que inclui tanto as tropas que chegaram na semana passada quanto os militares da frota russa no mar Negro, que têm base permanente no porto de Sebastopol.

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A Rússia, cujas forças ocuparam a península da Crimeia na semana passada, diz que as únicas tropas que possui na região são aquelas com base no porto de Sebastopol, mas há centenas de tropas que permanecem ocupando posições na Crimeia sem insígnias em seus uniformes e que dirigem veículos com placas militares russas.

Por sua vez, o diretor de Recursos Humanos do SGU, Mikhail Koval, não esclareceu quantos soldados ucranianos permanecem na península rebelde, mas assegurou que todos os destacamentos da guarda de fronteiras e das Forças Armadas desdobradas na Crimeia seguem em seus postos.

Parlamento - A divulgação do aumento de tropas de ocupação ocorre um dia após o Conselho Superior da Crimeia (Parlamento regional) ter aprovado uma resolução que pede a anexação da região pela Rússia. Também foi estabelecida a data para um referendo sobre a questão no dia 16 de março.

Logo após a decisão ser adotada, o vice-primeiro-ministro do autoproclamado governo da república rebelde, Ruslan Temirgaliev, disse à imprensa que as forças armadas russas enviadas para península serão consideradas legais, e o restante (as ucranianas), “de ocupação”.

Em Kiev, o presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, disse que a decisão do Parlamento da Crimeia foi “ilegal e ilegítima” e que o legislativo ucraniano vai a iniciar um processo para dissolver o Parlamento da região autônoma.

Enquanto isso, a Câmara Alta do Parlamento da Rússia disse que vai apoiar o governo local da Crimeia se a população decidir se juntar ao território russo. A afirmação foi feita pela presidente de Casa, Valentina Matvienko, nesta sexta-feira. À rede CNN, Valentina afirmou que “nenhuma das sanções” aplicadas pelos Estados Unidos e União Europeia, será suficiente para que os parlamentares alterem essa postura. As afirmações foram feitas após reunião com o representante do Parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov.

"Se o povo da Crimeia decidir se juntar à Rússia no referendo, nós, da Câmara Alta, certamente vamos apoiar essa decisão", afirmou Valentina. “Nós não temos direito de abandonar nosso povo quando há uma ameaça contra ele. Nenhuma sanção será capaz de mudar nossa atitude”, completou.

A Crimeia tem dois milhões de habitantes, dos quais 60% são russos. Outros grupos significativos incluem 26% ucranianos e 12% tártaros, favoráveis a manter a região dentro da Ucrânia.

Polônia – Também nesta sexta-feira, o ministro polonês de Defesa, Tomasz Siemoniak, confirmou que os primeiros caças F-16 e pelo menos 300 militares dos Estados Unidos chegarão ao território polonês “na próxima segunda-feira ou terça-feira”, onde participarão de exercícios de treinamento e vão reforçar a presença militar da Otan na região.
Segundo anunciou o Pentágono nesta quarta-feira, sua intenção é reforçar a cooperação militar com a Polônia, decisão que coincide com a crise da vizinha Ucrânia.

Na quarta-feira o chefe do Pentágono, Chuck Hagel, anunciou que durante a crise na Ucrânia os Estados Unidos aumentarão a ajuda militar a seus aliados da aliança militar da Otan, incluindo a Polônia e as repúblicas bálticas.

(Com agências Reuters e EFE)

Fonte:
Notícias Agrícolas + Veja

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