Na VEJA: Com pancadaria eleitoral, Bolsa recua 6% e Petrobras perde 12% na semana

Publicado em 13/09/2014 08:43 415 exibições
Apenas nesta sexta-feira, os papéis da petroleira estatal fecharam em queda superior a 5%; Ibovespa caiu 2,4% (em veja.com)

As ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 5% nesta sexta-feira, pressionando o Ibovespa, que recuou 2,4%, a 56.927 pontos. Os papéis da estatal abriram o pregão em queda, que foi intensificada após as 14 horas, quando o recuo das ações ordinárias, com direito a voto, chegou a 6%. As ações ON, com direito a voto, caíram 5,46%, enquanto os papéis PN, sem direito a voto, recuaram 5,61%. Investidores conduzem um movimento de venda das ações da empresa conforme as pesquisas eleitorais divulgadas ao longo da semana mostram o fortalecimento da candidata Dilma Rousseff à reeleição. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 6% e, no mês, de 7%, conforme dados preliminares. Já a estatal perdeu 12% de seu valor de mercado entre segunda e sexta.

Pesquisa feita pelo Ibope e encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira mostra Dilma com 39% das intenções de voto, Marina com 31% e Aécio, 15%. Simulação de segundo turno aponta Marina à frente, mas tecnicamente empatada com a petista: 43% contra 42% da preferência do eleitorado. “O Ibovespa acompanhou a divulgação da pesquisa Ibope de hoje, que confirmou a recuperação das intenções de voto em Dilma, o que envidenciou que a eleição não está confirmada para nenhum lado, e que o cenário de incerteza persiste”, afirmou a equipe de análise da SLW Corretora.

Estatais em queda

Pancadaria eleitoral na semana faz ações recuarem

Variação (em %)PetrobrasONEletrobrásBanco doBrasilIbovespa-12,00%-10,00%-8,00%-6,00%-4,00%
BM&FBovespa - de 08 a 12 de setembro

Cenário eleitoral –Pesam sobre o papel da estatal não só a pesquisa, como também as denúncias feitas sobre um esquema de pagamento de propina a partidos políticos denunciado em reportagem de VEJA. Desde a revelação de nomes do alto escalão do Congresso envolvidos no esquema, as ações da Petrobras operam em queda, que se aprofundou após as pesquisas que mostram o pouco impacto das denúncias nas intenções de voto dos brasileiros.

Além da Petrobras, as ações de bancos e estatais recuaram. Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e BTG Pactual fecharam em queda de mais de 3%. Santander foi o único que operou em alta, fechando com papel cotado a 15,73 reais, avanço de 1,29%. As ações do banco vêm subindo após a morte de seu fundador na terça-feira, o empresário espanhol Emilio Botín. Já a Eletrobras recuou 1,18% no fechamento do pregão desta sexta-feira. "Na semana, mesmo com a perspectiva de rebaixamento anunciada pela Moody's, o desempenho Ibovespa foi causado, principalmente, pelo resultado de pesquisas eleitorais", afirma Álvaro Bandeira, da Órama Investimentos.

Bancos — As ações das instituições financeiras vêm recuando na bolsa desde segunda-feira, quando a presidente Dilma decidiu retomar o discurso petista dos anos 1980 de que os bancos são o inimigo a ser combatido.

Tanto em campanha na rua quanto em seu programa eleitoral na TV e no rádio, a candidata passou a valer-se da estratégia de associar banqueiros à causa dos males que atingem a população.

A intenção é atingir a candidata Marina Silva (PSB), que tem em sua equipe Neca Setúbal, acionista do banco Itaú. Dilma também se apropriou de um dos pontos do programa de governo de Marina, a autonomia do Banco Central, para desferir críticas. Para a candidata, um BC autônomo será gerido em prol dos interesses de banqueiros. Temendo maior interferência do governo no sistema financeiro caso Dilma se reeleja, investidores têm fugido dos papéis das principais instituições bancárias.

Dólar — O dólar fechou esta sexta-feira com a maior alta ante o real em quase dez meses, também sob efeito da pesquisa eleitoral. Agentes do mercado avaliaram que o resultado da sondagem CNI/Ibope divulgada nesta manhã jogou um balde de água fria no otimismo do mercado sobre uma vitória da oposição. A divisa chegou a subir mais de 2% e encostar em 2,35 reais durante a sessão, mas o movimento perdeu força na última hora do pregão.

Isso porque investidores passaram a se posicionar para um possível anúncio de uma atuação mais forte do Banco Central para combater a volatilidade do câmbio e potenciais impactos sobre a inflação provocados pelo encarecimento de importados.

A moeda norte-americana subiu 1,65%, a 2,3351 reais na venda, após atingir 2,3475 reais na máxima do dia. Na semana, o dólar avançou 4,26%, maior valorização semanal em um ano.

Em VEJA desta semana

O PT sob chantagem

Para evitar que o partido e suas principais lideranças sejam arrastados ao epicentro do escândalo da Petrobras às vésperas da eleição, a legenda comprou o silêncio de um grupo de criminosos — e pagou em dólar

Robson Bonin e Rodrigo Rangel
O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula (Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)

Desde que estourou o escândalo da Petrobras, o PT é vítima de uma chantagem. De posse de um documento e informações que comprovam a participação dos principais líderes petistas num desfalque milionário nos cofres da estatal, chantagistas procuraram a direção do PT e ameaçaram contar o que sabiam sobre o golpe caso não fossem devidamente remunerados. Às vésperas da corrida presidencial, essas revelações levariam nomes importantes do partido para o epicentro do escândalo, entre eles o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e ressuscitariam velhos fantasmas do mensalão. No cenário menos otimista, os segredos dos criminosos, se revelados, prenunciariam uma tragédia eleitoral. Tudo o que o PT quer evitar. Dirigentes do partido avaliaram os riscos e decidiram que o melhor era ceder aos chantagistas — e assim foi feito, com uma pilha de dólares.

O PT conhece como poucos o que o dinheiro sujo é capaz de comprar. Com ele, subornou parlamentares no primeiro mandato de Lula e, quando descoberto o mensalão, tentou comprar o silêncio do operador do esquema, Marcos Valério. Ao pressentir a sua condenação à prisão, o próprio Valério deu mais detalhes dessa relação de fidelidade entre o partido e os recursos surrupiados dos contribuintes. Em depoimento ao Ministério Público, ele afirmou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais e pagar um empresário que ameaçava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso José Dirceu na teia criminosa que resultou no assassinato, em 2001, do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André. A denúncia de Valério não prosperou. Faltavam provas a ela. Não faltam mais. Os dólares serviram para silenciar o chantagista Enivaldo Quadrado, ele próprio participante da engenharia financeira do golpe contra os cofres da maior estatal brasileira — e agora o personagem principal de mais uma trama que envolve poder e dinheiro.

Quadrado deu um ultimato ao tesoureiro do PT, João Vacari Neto: ou era devidamente remunerado ou daria à polícia os detalhes de documento apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. O documento era um contrato de empréstimo entre a 2 S Participações, de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto. O valor desse contrato é de 6 milhões de reais, exatamente a quantia que Valério dissera ao MP que o PT levantara na Petrobras para abafar o escândalo em Santo André. É esse o contrato que prova a denúncia de Valério. É esse o contrato que, em posse de Quadrado, permitia ao chantagista deitar e rolar sobre os petistas.

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Outros destaques de VEJA desta semana

Eleições 2014

A eficácia e os riscos do terrorismo do PT nas eleições

Campanha de Dilma reedita – ainda mais agressiva – linguagem televisiva de desconstrução dos adversários para conter onda pró-Marina Silva

Felipe Frazão e Gabriel Castro
Frame do comercial Dilma na TV -

Frame do comercial Dilma na TV - "Pré-sal é dinheiro para educação e saúde" (Reprodução/VEJA.com)

No auge das eleições de 2002, o PSDB levou à campanha na televisão um depoimento da atriz Regina Duarte até hoje citado – e estudado – por marqueteiros e políticos de todas as matizes. "Estou com medo", dizia a atriz, em referência ao risco de perda da estabilidade econômica conquistada pelo governo Fernando Henrique Cardoso com a possibilidade de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores. Na época, o mercado financeiro vivia um período de turbulência, uma vez que fazia parte do discurso do PT demonizar a iniciativa privada e abraçar teses como o calote da dívida externa. A peça publicitária causou alvoroço na campanha petista, que reclamou do tom agressivo e do rebaixamento da campanha. Pelas mãos do marqueteiro Duda Mendonça, nasceu o slogan "a esperança venceu o medo". O PT ganhou as eleições de 2002 e as duas seguintes. Após 12 anos, contudo, é o partido que agora adota o "discurso do medo" e, para reeleger Dilma Rousseff — a presidente-candidata que já afirmou que "pode fazer o diabo quando é a hora da eleição" —,  faz dele uma poderosa arma de disseminação de mentiras e boatos.

Em 2006, já instalado no Palácio do Planalto e com um novo marqueteiro, o baiano João Santana – Duda foi arrastado pelo mensalão –, o PT espalhou a suspeita de que o PSDB privatizaria a Petrobras e "venderia" a Caixa Econômica Federal se o tucano Geraldo Alckmin vencesse a disputa contra Lula. Quatro anos depois, os boatos eram que se José Serra (PSDB) derrotasse o então "poste" lançado por Lula, sua ex-ministra Dilma Rousseff, acabaria com o Bolsa Família. Nos dois casos, a avaliação no partido é que a terrorismo funcionou. Com um batalhão de militantes e capilaridade nos rincões do país, boatos como esses têm potencial para se espalhar como rastilho de pólvora. Em 2014, além desses fatores, o PT conta também com um exército virtual nas redes sociais, o que faz da artilharia ainda mais pesada. E, não bastasse, a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, com seu padrinho político a tiracolo, têm repetido à exaustão o discurso de terrorismo eleitoral.

Acuado pela possibilidade registrada em pesquisas de que pode deixar o poder depois de três mandatos, o PT lançou uma ofensiva contra a adversária Marina Silva (PSB). Entraram em cena peças publicitárias sugerindo que a eleição de Marina provocaria insegurança institucional – ela foi comparada aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, este último, ironicamente, um aliado conveniente do próprio PT. Nesta semana, veio a público a mais aterradora delas: com uma trilha sonora digna de filme de terror, o filme mostra personagens-banqueiros, de gel no cabelo e olhar de predador, conspirando ao redor de uma mesa. Na sequência, uma família de negros sentada à mesa para jantar vê a comida sumir do prato, o suco desaparecer da jarra.O tema é a autonomia do Banco Central brasileiro — proposta defendida por Marina Silva que, segundo a propaganda desinformadora do PT, daria aos bancos privados o poder de retirar das pessoas tudo que elas conquistaram nos últimos anos.

Simultaneamente ao bombardeio na TV, Dilma Rousseff ganhou fôlego nas pesquisas e a arrancada de Marina estancou. O PT não perdeu tempo: na quinta-feira, levou ao ar uma nova peça, nos mesmos moldes, na qual afirma que Marina quer “reduzir a prioridade do pré-sal”, o que acarretaria prejuízo de “1,3 trilhão de reais para a Educação e Saúde” – além de ser uma ameaça ao emprego. Nas imagens, engenheiros debatendo sobre a exploração de petróleo se alternam com crianças tendo aula com livros em branco, as mãos na cabeça em sinal de espanto e a mesa escolar vazia.

"Isso é comum nas campanhas, e o PT faz muito bem. Mas a forma que eles estão usando é exagerada. É terrorista", diz o professor Antonio Flávio Testa, da Universidade de Brasília (UnB). Ele afirma que os 11 minutos e 24 segundos na TV da campanha petista – cinco vezes maior do que o de Marina – torna desigual a guerra de informação. Na opinião de Testa, a candidata do PSB deve articular uma reação mais firme aos ataques para evitar a sangria no primeiro turno. No segundo turno, os candidatos terão o mesmo tempo de televisão.

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Reprodução/VEJA

Propaganda PT medo

Propaganda do PT resgata 'discurso do medo' e sugere que pessoas voltarão a viver em situação de miséria

A receita não é novidade neste ano. A fórmula e a estética, aliás, são similares à adotada em maio pelo PT. O partido antecipou o que faria logo que as pesquisas de intenção de voto detectaram o desejo de mudança do eleitorado, chacoalhado pelos protestos de junho de 2013, e a queda na intenção de voto em Dilma. Levou ao ar em rede nacional uma inserção partidária dizendo que os “fantasmas do passado” não poderiam voltar. Como Marina era candidata à vice na chapa de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto, o alvo preferencial era o tucano Aécio Neves.

Para o especialista em marketing eleitoral e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, a campanha passou das duas primeiras fases – apresentação biográfica dos candidatos e das propostas de governo. Agora, diz Manhanelli, os candidatos tentarão descontruir a imagem dos adversários para alterar os números das pesquisas eleitorais – a última etapa da campanha na TV. “Esse processo do medo é uma desconstrução da imagem do outro, assim como tentaram com o Lula. A Dilma não tem mais argumento, ela usou todos. Ela agora chegou à fase de usar artimanhas”, diz Manhanelli. 

Revés – O currículo vitorioso de campanhas do marqueteiro petista João Santana também é pontuado por uma derrota, atribuída internamente no partido pelo erro ao levar ao ar, nas eleições para a prefeitura paulistana em 2008, uma peça questionando a vida pessoal do então prefeito Gilberto Kassab (PSD), na época adversário de Marta Suplicy (PT). A campanha que perguntava se Kassab “era casado ou tinha filhos” não só minou as chances da petista como maculou a imagem de Marta. É o risco inerente a esse tipo de estratégia eleitoral. 

Marina: 'Nunca pensei que o PT tentaria me destruir'

Marina voltou a pedir que a militância do PSB dedique tempo às redes sociais para responder aos ataques, mas pediu que não façam ofensas a Dilma

Talita Fernandes, de Fortaleza

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A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, fala sobre seu programa de governo, em Fortaleza

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, fala sobre seu programa de governo, em Fortaleza - Ivan Pacheco/VEJA.com

Alvo de artilharia pesada do PT, a candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, demonstrou mágoa do antigo partido nesta sexta-feira, durante ato político em Fortaleza. "Eu nunca imaginei, por mais criativa que eu fosse, que depois de 30 anos lutando no PT, depois de ter enfrentado jagunço, depois de lutar tanto pelo Lula, que seriam eles que iriam fazer de tudo para me destruir. Usando os mesmos argumentos, os mesmos preconceitos", disse durante, inauguração de um comitê suprapartidário no Ceará.

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Dilma admite condução 'defensiva' da economia na crise

Depois de ter sido comparada aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Jânio Quadros, que não chegaram ao fim do mandato, e de ser acusada de tentar entregar o país aos banqueiros, Marina mostrou-se bastante irritada com o bombardeio que vem sofrendo do PT. "Ela [Dilma] fala com base naquilo que o marqueteiro diz para ela dizer. Eles pegam uma mulher que tem uma história de vida de luta pela democracria e os marqueteiros dizem que é para atacar a Marina sem do nem piedade", criticou, dizendo ainda que a estratégia adotada pela equipe de Dilma é devido ao pouco tempo de TV que Marina tem, apenas dois minutos, em comparação com a presidente, que conta com quase 12 minutos de exposição na TV.

Marina voltou a pedir que a militância do PSB dedique tempo às redes sociais para responder aos ataques, mas pediu que não façam ofensas a Dilma. Ela repetiu também que vem sendo criticada por seu programa de governo, mas que seus adversários sequer apresentaram propostas. "A presidente Dilma nem vai apresentar, ela disse que tudo vai continuar", disse, aproveitando para criticar o atual quadro econômico de recessão técnica e inflação alta.

Ainda sobre os ataques, o vice de Marina, Beto Albuquerque, comentou a decisão do PT de entrar com uma representação contra Marina, após a pessebista afirmar que o partido deixou que diretores 'assaltassem' a Petrobras, em referência às denúncias feitas pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. "O PT não tem direito de ofender os outros e depois se achar ofendido quando lhe interessa", criticou. Sobre as decisões de marketing da campanha petista, ele disse que "o marqueteiro da Dilma está mais para vice presidente", por ter bastante voz ativa na campanha. 

Dilma admite condução 'defensiva' da economia na crise

Ela afirma que é contra 'independência' do BC, uma bandeira que atribui a Marina Silva. Presidente também disse ser 'absurdo' questionar casamento gay

Carolina Farina e Gabriel Castro
Dilma Rousseff participa da série de entrevistas do jornal O Globo em Brasília - 12/09/2014

Dilma Rousseff participa da série de entrevistas do jornal O Globo em Brasília - 12/09/2014 (Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que teve uma política defensiva na economia em relação à crise mundial. Ao ser questionada se mudaria a condução econômica em um eventual segundo mandato, demonstrou irritação: afirmou que esse "tipo de colocação é estagnada". "A gente muda com a realidade. Assumo que tive uma política defensiva em relação a crise". Dilma participou de uma sabatina promovida pelo jornal O Globo. O protecionismo adotado pelo governo tem sido defendido pela presidente, no âmbito de sua estratégia de afirmar que "salvou" empregos no país. As medidas protecionistas, contudo, são alvo frequentes das críticas de outros países e de analistas de mercado. Dilma disse também que o Brasil vive hoje uma "crise de representatividade" - e que voltará a tentar uma consulta popular sobre reforma política, caso reeleita.

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A petista afirmou que pretende consultar a população acerca de cinco pontos, embora tenha detalhado apenas dois: financiamento público de campanha e tempo de mandato. Não por acaso, o financiamento público de campanha é de grande interesse do PT. Com o fim do financiamento privado, a maior parte do dinheiro teria de sair dos cofres públicos. E a divisão seria feita de acordo com o tamanho das bancadas, o que favoreceria os maiores partidos. A presidente chegou, inclusive, a colocar o tema na lista de perguntas de seu fracassado plebiscito em resposta às manifestações de junho do ano passado. Dilma disse que, apesar da "crise de representatividade", há partidos no Brasil com compromissos históricos, como PT e PMDB. Aproveitou, inclusive, para desvincular sua legenda dos escândalos envolvendo petistas. "É claro que houve os que erraram, mas não se pode crucificar o partido".

Economia - Dilma disse que é a favor da autonomia "operacional" do Banco Central (BC), mas voltou a criticar a proposta da adversária Marina Silva, que propõe uma autonomia maior do órgão. "Eu defendo a autonomia operacional. Independência do Banco Central, não", afirmou. A resposta veio quando a petista foi confrontada com uma afirmação feita por ela mesmo na campanha de 2010: na época, ela afirmou defender a autonomia do BC.

O debate em torno do papel do Banco Central ganhou importância quando a campanha petista passou a atacar Marina Silva (PSB) com o argumento de que a autonomia pregada pela adversária daria um poder excessivo aos banqueiros, já que o governo não teria controle direto sobre as decisões do BC.

Petrobras - Na sabatina, que durou duas horas, a presidente também repetiu o "não sabia" quando tratou do esquema de corrupção operado por Paulo Roberto Costa na Petrobras. Ela ainda rebateu as críticas da candidata Marina Silva lembrando o passado petista da adversária: "O que não é correto, por exemplo, é ela dizer que o PT botou uma pessoa por doze anos para roubar a Petrobras. Isso é inadmissível. Ela esquece que esteve lá. Ou foi membro do governo, como eu, ou na bancada do Senado. Nos quatro anos que ela não participou do governo, foi exatamente quando esse sujeito saiu do governo", disse a presidente.

Dilma também disse não ver exagero nos ataques de sua campanha à adversária Marina Silva. “É muito perigosa essa vitimização da candidata Marina. Eu disse que ela estava sendo financiada por banqueiros, eu disse fatos", declarou a petista, que é quem mais recebeu doações de bancos na campanha eleitoral.

A presidente ainda defendeu o sigilo no contrato de empréstimo para a construção de um porto em Cuba. Ela afirmou que o segredo é necessário por envolver empresas privadas. E não vê nada de errado no procedimento: "Acho que tem um preconceito por ser Cuba".

Casamento gay - Dilma também afirmou que é um "absurdo" discutir o casamento gay porque o Supremo Tribunal Federal já decidiu sobre o assunto. "Isso é uma discussão que foi resolvida no maior nível possível, pelo Supremo. Discutir se tem direito ou não é um absurdo", disse ela. Mas a corte apenas instituiu a união civil, que posteriormente foi convertida em casamento pelo Conselho Nacional de Justiça. Não há legislação a respeito do tema. Em 2010, Dilma afirmou que apoiava a união civil, mas não o casamento gay. "Casamento diz respeito as religiões e não vamos discutir isso", afirmou.

Indagada a respeito de sua religião, que nunca foi um tema completamente esclarecido, a presidente respondeu de forma confusa aos jornalistas de O Globo: disse crer "em todos que creem". E prosseguiu: "Meu Deus é um Deus bom. Não vejo um Deus que seja só de uma religião". 

Fonte:
veja.com

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