Dilma admite que houve desvios na Petrobrás mas "fará todo o possível para ressarcir ao País"

Publicado em 18/10/2014 19:59 e atualizado em 18/10/2014 20:51 157 exibições
Desde que estourou o escândalo, a petista tentava desqualificar as informações fornecidas pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. "Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve, não. Houve, viu?", afirmou.

Dilma, só agora, admite: houve desvios na Petrobras

Desde que estourou o escândalo, a petista tentava desqualificar as informações fornecidas pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef

Laryssa Borges, de Brasília
A presidente Dilma Rousseff, durante entrevista coletiva no Palácio da Alvorada

A presidente Dilma Rousseff, durante entrevista coletiva no Palácio da Alvorada (Divulgação)

A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) admitiu neste sábado pela primeira vez que houve desvio de recursos públicos na Petrobras. Desde que estourou o escândalo envolvendo políticos e empresários que sangravam os cofres da estatal, a petista tentava desqualificar as informações fornecidas em acordo de delação premiada pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Youssef. No dia em que reportagem de VEJA traz outra revelação de Youssef – o dinheiro do petrolão abasteceu a campanha da petista em 2010 –, Dilma confirmou que houve desvios e disse que “fará todo o possível” para ressarcir o país. Em discurso no Palácio da Alvorada, ela não tratou diretamente do dinheiro do petrolão para sua campanha.

“Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público nós queremos ele de volta. Se houve, não, houve [desvio]”, afirmou. “Tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos, mas ninguém sabe hoje o que deve ser ressarcido porque a delação premiada, onde tem os dados mais importantes, não foi entregue a nós”, disse ela. O Palácio do Planalto tentou ter acesso ao conteúdo da delação premiada de Paulo Roberto Costa, mas tanto o procurador-geral da República Rodrigo Janot, quanto o ministro Teori Zavascki, que conduz o caso no Supremo Tribunal Federal (STF), negaram o pedido. Ambos alegaram que as informações são protegidas por sigilo.

Em suas principais revelações, Costa afirmou que PT, PMDB e PP participavam do esquema de desvios milionários da Petrobras tanto no governo Lula quanto no governo Dilma. De acordo com Paulo Roberto, também houve o pagamento de propina ao ex-presidente do PSDB Sergio Guerra para que o então parlamentar impedisse investigações de uma antiga CPI da Petrobras. Guerra morreu no início do ano.

De acordo com Dilma, mesmo que agora as revelações apontem para o nome de um tucano no escândalo, não há motivo para comemorações. Ela disse que todos os suspeitos devem ser investigados, mas ironizou a inclusão do PSDB no rol de possíveis envolvidos recorrendo a um ditado popular: “Pau que bate em Chico bate em Francisco”.

“Não acho que alguém no Brasil tem a primazia da bandeira da ética. Todos os integrantes de partido, qualquer um, que tenha cometido crime, delito, malfeito, tem de pagar por isso. Ninguém está acima de qualquer suspeita no Brasil. Todos aqueles que não cumpriram com os princípios éticos e de uso absolutamente limpo do dinheiro público devem pagar por isso”, declarou a presidente-candidata.

Eleições – Apontada como a responsável por iniciar uma campanha presidencial permeada por baixarias sem precedentes, Dilma também tentou neste sábado se eximir de responsabilidade sobre o baixo nível da disputa, mas se recusou a comentar as recentes manifestações do ex-presidente Lula, seu cabo eleitoral mais importante e personagem que tem proferido os discursos mais apelativos. A despeito de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter alterado sua jurisprudência para manter o debate mais propositivo, Dilma tentou desvencilhar sua campanha do alcance da decisão.

“Não concordo que o TSE teve qualquer intervenção na minha campanha. Acredito que o que é baixo nível na campanha é alvo que deve ser completamente superado. Acontece que nós temos propostas. Discuto indústria naval, Pronatec, Minha casa, Minha Vida e um conjunto de políticas. O que acontece com o candidato adversário? Quando é da área social, ele diz que foi o governo do Fernando Henrique [Cardoso] que fez – aí ele gosta de falar no governo Fernando Henrique e não prova que foi Fernando Henrique que fez”, criticou.

Em um raciocínio enviesado, a presidente ainda atacou o adversário Aécio Neves por ele ter chamado ela própria - uma mulher - de “leviana” em debates presidenciais. A equipe do tucano anunciou que, diante da baixaria, processará Dilma por calúnia e difamação. “Quando começa a discussão, o candidato adversário não gosta muito e ele parte para umas atitudes um tanto quanto desrespeitosas. Foram desrespeitosas comigo e foram desrespeitosas com a Luciana Genro. Ele pode inclusive querer processar, mas quem devia processá-lo somos nós porque a nós duas ele chamou de leviana, coisa que não se faz. Não é uma fala correta para mulheres”, disse.

 

No Estadão: Pela primeira vez, Dilma admite desvio na Petrobrás

NIVALDO SOUZA - ESTADÃO CONTEÚDO

18 Outubro 2014 | 17h 45

Presidente diz que houve, de fato, desvio de recursos na estatal e afirma que governo vai requerer ressarcimento

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado, 18, que "houve desvio" na Petrobrás, conforme denúncias do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Foi a primeira vez que a presidente confirmou a existência de desvio. A confirmação pela candidata ocorreu durante entrevista coletiva nesta tarde, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. "Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve, não. Houve, viu?", afirmou.

Ed Ferreira/Estadão"Se houve desvio de dinheiro público queremos ele de volta. Se houve não, houve, viu?", afirmou a presidente

Dilma afirmou também que o governo pretende pedir o ressarcimento de todos os recursos desviados pelo esquema comandado por Costa, com recursos desviados por meio de construtoras para financiar partidos políticos - entre eles, o PT, o PMDB e o PP. "Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos", disse. "Farei todo o possível para ressarcir o País."

A presidente, contudo, disse que ainda não foi informada sobre valores que poderiam voltar para a estatal em razão da recusa do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir o acesso do governo a detalhes da delação premiada de Costa. "Ninguém sabe o que tem para ser ressarcido, porque os dados mais importantes da delação premiada não foram entregues a nós", disse. 

Ao ser questionada sobre se o pagamento de R$ 10 milhões por Costa ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto no início deste ano, tiraria dos tucanos a bandeira da ética, ela afirmou que "ninguém está acima de suspeita". "Não acho que ninguém no País tenha a primazia da bandeira da ética. Até o retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição. Acho que não dá a partido nenhum", comentou. "Acho que ninguém está acima de qualquer suspeita no Brasil."

 

Na Folha: Dilma diz que houve desvio de dinheiro público na Petrobras

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou na tarde deste sábado (18) que houve desvio de recursos na Petrobras e que pretende fazer o possível para ressarcir os danos causados aos cofres públicos.

"Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não: houve, viu?", disse Dilma.

A declaração foi feita durante coletiva no Palácio do Planalto, quando a presidente foi questionada sobre quais medidas administrativas poderia tomar em relação às denúncias de corrupção envolvendo a estatal. Dilma não detalhou que tipo de desvio houve tampouco o montante.

Tanto o doleiro Alberto Yousseff quanto o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa revelaram em depoimentos à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal, com quem firmaram um acordo de delação premiada, que contratos da Petrobras eram superfaturados para pagar propina a partidos, políticos e financiar a campanha eleitoral de 2010.

Dilma deixou claro que é preciso esperar a conclusão da ação judicial para saber exatamente quanto deverá ser ressarcido. "Daqui para frente, a não ser que eu seja informada pelo Ministério Público ou pelo juiz, eu não tenho medida nenhuma a tomar. Não é o presidente quem processa. Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos. Mas ninguém sabe hoje ainda o que deve ser ressarcido. A chamada delação premiada onde tem os dados mais importantes não foi entregue a nós. Até eu pedi. Pedi tanto para o Ministério Público quanto ao ministro do Supremo, que disseram ser sigiloso", disse.

Os dois delatores apontaram beneficiários do esquema tanto na base de apoio à Dilma (PT, PMDB e PP), quanto no PSDB, partido de seu principal adversário na corrida presidencial, Aécio Neves.

"Eu não acho que alguém no Brasil tenha a primazia da bandeira da ética. Até o retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição. Acho que não dá a partido nenhum. Todos os integrantes de partido, qualquer um, que tenham cometido crime, delito, malfeito têm de pagar por isso", disse Dilma.

A presidente criticou ainda os vazamentos seletivos em relação às revelações dos delatores do esquema. "Eu não vou aqui comemorar nada. Só acho que o pau que bate em Chico, bate em Francisco. Essa é uma lei".

"LEVIANA"

Neste sábado, Dilma disse também que se sentiu desrespeitada pelo adversário Aécio Neves (PSDB) quando ele a chamou de "leviana".

"Quando começa a discussão, o candidato adversário não gosta muito. Ele parte para algumas atitudes um tanto quanto desrespeitosas. Foram desrespeitosas comigo, foram desrespeitosas com a Luciana Genro. Ele pode inclusive querer processar, mas quem deveria processa-lo somos nós", disse a presidente, durante coletiva no Palácio do Planalto.

Dilma se referia à decisão da campanha do tucano de processá-la por injúria e difamação por conta de uma inserção que circulou neste sábado. No vídeo, a campanha de Dilma diz que Aécio tem mostrado dificuldade em respeitar as mulheres e mostra imagens de dois debates nos quais o candidato chamou de leviana Luciana e Dilma. "Você acha que um candidato a presidente pode agir dessa maneira?", diz o locutor na inserção.

Dilma reclamou da postura do concorrente. "A nós duas ele chamou de leviana, coisa que não se faz. Não é uma fala correta para mulheres. Eu lamento muito. Eu tenho que discutir, eu não tenho só propostas genéricas", afirmou. "Você, chamada de leviana, se sentiria o que?", completou, ao ser questionada se sentiu desrespeitada.

CRÍTICA

A presidente também criticou a política de desenvolvimento da indústria naval proposta por Aécio Neves. Ela disse que o adversário ao mesmo tempo que promete reforçar o setor diz, em seu programa de governo, que pretende racionalizar as exigências da política de conteúdo local, que visa produzir equipamentos, bens e serviços para o setor.

Dilma disse que até 2018 a Petrobras deverá investir US$ 100 bilhões na indústria naval e que um dos principais orgulhos da gestão dela como ministra no governo Lula (2003-2010) e como presidente foi ter ajudado a "ressuscitar" o setor. Para Dilma, o que Aécio propõe é "estarrecedor".

Fonte:
Veja + estadão + Folha

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