Debate na Globo: Aécio se sai melhor ao denunciar corrupção; Dilma nervosa, gaguejante, não responde...

Publicado em 24/10/2014 23:40 e atualizado em 26/10/2014 19:49 16314 exibições
Para acabar com essa corrupção é preciso tirar o PT do poder”, diz Aécio em debate na Globo

O debate na televisão entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), promovido na noite desta sexta-feira pela TV Globo, seguiu o roteiro de tensão que marca a reta final da campanha para a Presidência da República neste ano. Frente a frente pela última vez antes das urnas, Aécio e Dilma apostaram nos mesmos trunfos dos embates anteriores: o tucano confrontou a petista sobre a profusão de escândalos no governo e frisou o retorno da inflação; a petista explorou a crise de falta de água em São Paulo e buscou a comparação entre as gestões do PT e do PSDB. Mas foi a corrupção, citada em três dos quatro blocos, o tema que esquentou o debate.

Mais de uma vez, a troca de farpas excedeu os microfones e acabou insuflando os convidados dos dois candidatos, que reagiram com vaias e aplausos na plateia. O formato de arena em dois dos quatro blocos, no qual os candidatos puderam se movimentar livremente pelo palco, expôs o nervosismo de Dilma, que já tinha de driblar a tradicional dificuldade de traquejo – ela chegou a chamar um eleitor de "candidato".

Aécio abriu o debate questionando a petista sobre a reportagem de capa de VEJA desta semana, na qual o doleiro Alberto Youssef, pivô de um megaesquema de lavagem de dinheiro e desvios de recursos da Petrobras para políticos e partidos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que Dilma e o ex-presidente Lula sabiam das falcatruas. O tucano também abordou o terrorismo eleitoral propalado pelo PT nos rincões do país, segundo o qual programas sociais serão encerrados se ela não se reeleger. Sobre corrupção, Dilma atacou a reportagem e repetiu o discurso de que os escândalos só foram descobertos depois que o PT chegou ao poder porque eram engavetados nas gestões tucanas.

O bloco inicial teve ainda embates sobre o investimento de 2 bilhões de reais do governo brasileiro na construção de um porto em Cuba e a volta da inflação. Além do choque de números, Dilma apostou em críticas às administrações tucanas e chamou Aécio de "líder do presidente Fernando Henrique Cardoso". O tucano devolveu: "Eu era líder do PSDB". Fora do microfone, Dilma disse: "Não tem importância". Foi quando Aécio cutucou: "Para quem não conhece o Congresso Nacional...". A claque entrou em ação: gargalhadas, aplausos e vaias.

No segundo bloco, foi na pergunta do terceiro eleitor indeciso sorteado que o clima ferveu. Tema: corrupção. Dilma respondeu dizendo que propõe um pacote de medidas para endurecer a legislação contra quem comete crimes de caixa dois e de colarinho branco. Na réplica, Aécio dirigiu-se à eleitora: "Vou responder olhando nos seus olhos. Tem uma medida que não depende do Congresso Nacional. Vamos tirar o PT do governo". Nova reação da plateia.

O terceiro bloco voltou ao formato de confronto aberto entre os dois. O modelo era outro, mas o tema que causou faíscas foi o mesmo. Aécio questionou Dilma: "Qual a opinião da senhora, da cidadã Dilma sobre o mensalão?". A petista cobrou dele explicações sobre o "mensalão mineiro" e citou denúncias envolvendo administrações tucanas. Rodeou, mas não respondeu. Por sua vez, Dilma tentou alfinetar o tucano com a crise hídrica em São Paulo, afirmando que houve falta de planejamento do governo Geraldo Alckmin (PSDB): "Não planejar no estado mais rico do país é uma vergonha".

No bloco final, novamente destinado a perguntas de eleitores indecisos selecionados pela emissora, o clima esfriou.

ANALISE DE RODRIGO CONSTANTINO:

Terminou agora o ultimo debate antes das eleições. Aécio Neves estava afiado, demonstrando firmeza e segurança, enquanto Dilma se mostrou nervosa, chegando a gaguejar, com voz trêmula. Provavelmente abatida pelas denúncias recentes que Alberto Youssef, doleiro do PT, fez ao delegado da Polícia Federal,reveladas por Veja.

Foi logo o tema da primeira pergunta do tucano, para mostrar a que veio. Acusou a adversária de ter protagonizado a campanha mais sórdida desde a redemocratização, citando inclusive areportagem de capa da revista Isto É. Dilma cambaleou, acusou o golpe, preferiu atacar a Veja em vez de comentar o conteúdo que a mensageira apenas disponibilizou, cumprindo sua função jornalística.

A segunda pergunta de Aécio foi outro golpe duro na adversária: nossa infraestrutura capenga, enquanto o governo dela prefere financiar porto bilionário… em Cuba! E pior: sob sigilo, com prazo bem acima do normal de mercado, e sem garantias comumente exigidas! Por que tanto privilégio ao regime ditatorial? Silêncio e tergiversação da petista.

Repetindo sua palavra aparentemente preferida, Dilma só se dizia “estarrecida”. Mas estarrecidos ficamos todos nós, sem as devidas respostas! Foram perguntas importantes, objetivas, que demandavam uma explicação. Nada. Dilma fugiu, como de praxe. Atacou com outras questões secundárias para não ter de enfrentar fatos incômodos.

O terrorismo eleitoral com o Bolsa Família não foi tão explorado dessa vez pela candidata petista, mas bem que tentou. Aécio se saiu muito bem ao afirmar que o povo carente merece subsídios, mas que os ricaços do Bolsa Empresário via BNDES não. Ouch! Dilma, a candidata do “povo”, é na verdade a camarada dos bilionários.

Houve ainda a oportunidade para uma alfinetada cruel de Aécio, ao insinuar que Dilma não conhece bem o Congresso, pois confundiu seu papel como líder do partido, e não do governo. Mostrou mais confiança nas propostas também. Afinal, como bem colocou, quem já fez tem mais autoridade para dizer que vai fazer. Dilma se apresenta como uma candidata praticamente de oposição a ela mesma, ignorando que governou pelos últimos quatro anos, e seu partido por doze.

Ao defender no discurso punição mais severa para corruptos, Dilma deveria ter sido mais cautelosa. Dependendo do andar da carruagem nas investigações do escândalo da Petrobras, ela pode acabar alvo das medidas que prega. Foi implicada diretamente no caso, segundo o doleiro. Ele diz que ela não só sabia, como se beneficiou do esquema.

O ponto alto da noite foi quando Aécio, ainda no tema da corrupção, disse que a medida mais eficaz de curto prazo para acabar com tanta corrupção e tirar o PT do poder. Foi ovacionado no local, e sem duvida por milhões de residências Brasil afora.

Nem mesmo as cartadas na manga de Dilma surtiram efeito. Tentou, claro, falar sobre a crise de água em São Paulo, mas foi lembrada por Aécio de que a crise afeta boa parte do país, especialmente o nordeste; que não houve ajuda devida do governo federal; e que o diretor a Agência Nacional de Água, apontado por Rose (por onde anda?), foi para o presídio em vez de ajudar no planejamento. Alckmin, por outro lado, foi reconhecido pelos paulistas como bom gestor, tanto que acabou reeleito no primeiro turno.

Outra provocação legítima de Aécio foi sobre o tema da reeleição, quando perguntou diretamente: quem está governando o Brasil, candidata? Mostrou, antes, que ela praticamente não esteve no Palácio do Planalto nesses últimos dias todos, assim como seus ministros estiveram ausentes, atuando em sua campanha.

Dilma, sobre reforma política, bateu na tecla do financiamento empresarial. Que bola levantada para Aécio! Dilma, do PT, condenando financiamento empresarial depois de arrecadar mais de empreiteiras e bancos do que todos os outros partidos juntos, é como Beira-Mar condenando o tráfico de drogas…

O tucano rebateu bem a insistência de Dilma na comparação, distorcida, com o governo FHC, sempre tirando do contexto aquela época. Quem olha muito para o passado é porque quer fugir do presente ou não tem nada a apresentar para o futuro, jogou na cara da petista.

Uma grande gafe da presidente foi quando uma economista de 55 anos, desempregada, quis saber o que o governo pretendia fazer para ajudá-la. Dilma, que só sabe repetir o Pronatec nessas horas, acabou recomendando um curso técnico. Senai para uma economista formada, com 55 anos e sem emprego? Aécio perdeu a chance de mostrar o quanto Dilma se mostrou perdida na questão ao recomendar uma qualificação de primeiro e segundo grau, a do Pronatec, para uma mulher que tem curso superior em economia.

Por fim, Aécio cobrou aquilo que William Bonner já havia cobrado na entrevista para o Jornal Nacional, sem resposta: o que Dilma, a cidadã e candidata, pensa sobre a condenação de José Dirceu? O chefe do mensalão é um “herói nacional”, como querem os membros de seu próprio partido, ou um criminoso, como diz o STF? Ficamos, uma vez mais, sem saber a resposta. Dilma fugiu. Negou-se a responder.

Como quem cala consente, e como Dirceu continua bem próximo de todos aqueles que estão com Dilma, fico com a opção número um. Vote em Dilma e leve o “herói” Dirceu junto…

PS:  Na fala final, Dilma “paz e amor” falou de um Brasil do amor, da união e da solidariedade. Mais cedo, na campanha da televisão, mostrou uma cara bem mais raivosa. Vamos depredar essa maldita Veja que ousa expor fatos, em nome do amor e da solidariedade? Dilma e o PT são mesmo os ícones da incoerência.

Rodrigo Constantino

 

O ibope recorde do debate

debate globo aecio dilma

Mais audiência

O esperado debate da Globo neste segundo turno está rendendo, como era de se esperar, à emissora uma audiência recorde nesta temporada de confrontos.

No primeiro bloco, a Globo registra 31 pontos na Grande São Paulo, de acordo com dados prévios do Ibope. (A Record cravou oito pontos e o SBT, seis). É mais audiência que os debates  de segundo turnoda Record, SBT e Band somados.

No segundo  e terceiro blocos, os números não mudaram.

Na média, o programa registrou trinta pontos – nove pontos acima do ibope desta faixa horária, se consideradas as últimas quatro sextas-feiras. (No horário, Record alcançou  sete  pontos, SBT, seis e Band, dois pontos.).

No Rio de Janeiro, de acordo com números prévios do Ibope, a Globo alcançou os mesmos 30 pontos. (Mais que o dobro do que registraram, somadas, Record, Band, SBT e RedeTV!)

Foi também uma audiência superior ao alcançado no debate do primeiro turno (leia mais aqui ). Em 2010, o confronto na Globo entre José Serra e Dilma no segundo turno obteve 23 pontos de audiência na Grande São Paulo.

Por Lauro Jardim

Opinião

Oliver: ‘O fim de uma era’

VLADY OLIVER

Enquanto o candidato Aécio Neves mostrava preparo, elegância e determinação para vencer e convencer no debate realizado pela Globo, uma foto postada no Coturno do Coronel simboliza o retrato acabado do que é o PT e sua corja de vagabundos. É uma foto do prédio do Grupo Abril, escandalosamente vandalizado por criminosos acobertados nas milícias porcas financiadas e apoiadas por esta quadrilha que insiste em querer nos desgovernar por mais quatro insuportáveis anos totalitários e fundamentalistas.

Atacam o mensageiro pela gravidade da mensagem. Querem esconder do povo brasileiro o tamanho de suas maracutaias. A VEJA não é governo, meus caros. Não é órgão público. É uma empresa privada, como a sua casa e a minha, caro eleitor indeciso. Dá pra entender o tamanho da afronta e a virulência dos ataques que fazem às nossas liberdades?

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A resposta de VEJA

Sobre a fala da presidente no horário eleitoral

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, ocupou parte de seu horário eleitoral para criticar VEJA, em especial a reportagem de capa desta semana. Em respeito aos nossos leitores, VEJA considera essencial fazer as seguintes correções e considerações:

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema foi produzido pelos fatos degradantes ocorridos na Petrobras nesse governo e no de seu antecessor.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral por terem vindo a público antes das eleições é reconhecer que temeridade mesmo seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “uma defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de  fatos que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.

Fonte:
veja.com

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4 comentários

  • Weslen Machado vila velha - ES

    Estão fazendo campanha pro Aécio???

    """ Vote em Dilma e leve o herói Dirceu junto "".

    Deixe que o próprio eleitor decida em quem votar; infelizmente não me decidi em qual candidato votar, mas com certeza não me deixo levar por este tipo de reportagem.

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  • João Batista Teodoro Quirinóplois - GO

    Parabéns a TV Globo e ao Canal Rural pela justa oportunidade neste momento de eleições levando aos brasileiros a informação e momentos tão importantes na vida de nosso Pais. Só assim construiremos uma grande nação justa ordeira e democrática .Resgatar os sentimentos valores e orgulho do povo brasileiro que acreditam em seu Pais Tudo é preciso para realinhar nossa nação em conformidade com nossos valores Deixar os brasileiros estarrecidos a cada dia com novas páginas policial em denuncias de corrupções é vergonho. Aécio é a nossa voz de impaciência com essa turma chamada PT.

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    O PT é tudo na vida desta pessoa. [... Detesta a burguesia "capitalista"]

    Vou fazer um resumo e explicar de uma vez por todas como funciona o raciocínio lógico dos petistas. Entenda, porra, não vou falar de novo:

    - Você nasceu em 1986 na era Sarney, aí você babava, comia papinha, não tinha dentes, cagava em fraldas (nem sempre descartáveis), balbuciava e engatinhava.

    - Em 2002 você conseguiu terminar o Ensino Médio, ai você usava jeans, pegava ônibus, não tinha grana, comia mal e nem carro nem emprego você tinha e lógico não comia ninguém...

    - Bem, em 2003 (Govêrno do PT com Lula-lá) Você estudou e fez Faculdade, 4 anos depois (Ainda no Govêrno do PT)você se formou, arranjou um estágio, fez uma pós e foi efetivado em seu emprego, comprou seu carro, comeu muita mulher... afinal vivemos quase em hordas, família é coisa do passado segundo o PT.

    - Hoje você comparando com antes da era PT você tem emprego, carro, TV, smartphone, está com uma mulher, casou de papel passado [Igreja não], comprou seu AP de 50 m², tudo com sua grana...

    Viu como depois que PT entrou no Govêrno a sua vida melhorou pra cassete?

    Tudo GRAÇAS AO PT é ÓBVIO.... kkkkkkkkkk

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  • MARIA DE LOURDES DANTAS SILVA PEREIRA Joaíma - MG

    O povo precisa de emprego,saude e educação não de esmola

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