Folha: 'Acordão' da CPI da Petrobras gera crise no PSDB, e Aécio reage

Publicado em 06/11/2014 19:27 1167 exibições
na folhaonline

O "acordão" firmado na CPI mista da Petrobras para blindar os políticos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras gerou uma crise no PSDB depois que membros do partido aceitaram barrar convocações de membros do PT e do governo federal.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido, se irritou com o aval de membros do PSDB ao acordo firmado com aliados da presidente Dilma Rousseff.

Aécio divulgou uma nota nesta quinta-feira (6) para negar que o partido tenha pactuado com "qualquer tipo de acordo que impeça o avanço das investigações na CPI".

Aécio resolveu reagir especialmente porque o "acordão" foi fechado no dia de seu retorno ao Senado, em que discursou defendendo duras investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras.

Na nota, Aécio afirma que o PSDB lutou pela instalação da CPI e defende que as investigações sejam concluídas sem poupar nenhum dos envolvidos.

"Temos de ir a fundo na apuração do chamado 'petrolão' e na responsabilização de todos que cometeram eventuais crimes, independentemente da filiação partidária. Essa é a posição inarredável do PSDB", disse Aécio.

O deputado Carlos Sampaio (SP) representou o PSDB na reunião que definiu o "acordão" na CPI.

Depois da reunião que selou o "acordão", Sampaio confirmou à Folha que o PSDB concordou em excluir das convocações os políticos e as pessoas citadas nas delações premiadas de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do doleiro Alberto Youssef.

"Vamos excluir os agentes políticos, aqueles que estão nas delações premiadas e vamos ouvir aqueles que estão na Petrobras, são agentes técnicos. Abrimos mão de ouvir Gleisi [Hoffmann] e Vaccari [Neto]. Todo mundo concordou", declarou Sampaio.

O tucano ainda disse que a CPI não vai apontar os políticos envolvidos no esquema, o que vai ocorrer ao final das investigações e das delações premiadas. Sampaio também afirmou à Folha que o PSDB concordou com o acordão porque serão chamados a depor Sérgio Machado e Renato Duque, ex-presidente da Transpetro indicado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e ex-diretor de Serviços da Petrobras.

RECUO

Em entrevista nesta quinta, Sampaio negou que a reunião tenha provocado mal-estar no PSDB. O deputado disse que não houve acordo para poupar políticos, apenas a construção de um "roteiro de procedimentos" diante do curto prazo para a conclusão das investigações, que terminam em dezembro.

Segundo o deputado, o roteiro prioriza as apurações relacionadas às empreiteiras e aos diretores da Petrobras suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção. O consenso, segundo o tucano, é que seria difícil avançar nas investigações envolvendo deputados e senadores sem o acesso à delação premiada.

Sampaio também disse que houve "má fé" de petistas que anunciaram o acordão porque não há "lógica" no PSDB querer poupar congressistas –já que o único citado do partido, o ex-senador Sérgio Guerra, morreu este ano.

"O que eles querem é colocar todos numa vala comum, dizer que o PSDB está com medo, mas não há a menor lógica nisso. O PSDB foi quem criou a CPI. Quem roubou a Petrobras, seja político, diretor, empreiteira, tudo e bandido de quinta categoria", disse.

Segundo Sampaio, os pedidos de convocação e de quebras de sigilos que não forem deliberados em 10 dias pela CPI serão aprovados automaticamente.

ACORDÃO

Com o acordo entre governo e oposição, o PT conseguiu barrar convocações consideradas incômodas, como a da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, a do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e a do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa teriam afirmado, em suas delações premiadas, que abasteceram a campanha de Gleisi em 2010 com dinheiro do esquema.
Segundo a dupla, na ocasião, foi entregue R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi, a pedido de Paulo Bernardo, marido da senadora. A senadora nega as acusações.

Por outro lado, o PSDB agiu para evitar a ida à CPI do empresário Leonardo Meirelles, apontado como laranja de Youssef. Meirelles disse à Justiça Federal que parlamentares tucanos também receberam propina do esquema.

Relator da CPI, o deputado Marco Maia (PT-RS) explicou que o plano de deixar de fora alguns dos personagens foi acertado numa reunião preliminar, antes da sessão desta quarta (5).

"Foi um acordo político, feito por todos os presentes, que se resolveu, em função da falta de densidade das denúncias, não produzir nenhum tipo de oitiva neste momento."

Na lista de 835 requerimentos de convocação e convites apresentados, há nomes do alto escalão, tanto do PT quanto da oposição. Entre eles, da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e do senador Aécio Neves. Porém, nenhum desses pedidos foi apreciado pela comissão.

Relator da CPI, o deputado Marco Maia (PT-SP), seguiu o discurso de Sampaio e afirmou que houve um desentendimento sobre o acordo de procedimento fechado pela comissão. Ele reforçou que sem as delações premiadas será difícil avançar em relação aos políticos e sustentou que, apesar do acerto sobre os depoimentos, ninguém está livre de ser investigado.

"Se eu disse uma palavra mal interpretada, quero fazer uma correção. Houve um acordo de procedimento para quem será ouvido ou não. Não houve acordo sobre o resultado, de quem será ou não investigado. Não há acordo de proteção de A, B ou C", afirmou 

Fonte:
Folha de S. Paulo

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2 comentários

  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Concordo plenamente com o Sr. Edmilson José Zabott de Palotina - PR. Primeiro: nenhuns dos políticos envolvidos na reunião onde surgiu o suposto acordo, pelo histórico inspiram confiança a população, seja ele de qual partido, inclusive se for representante do PSDB, e, diga-se de passagem, não refletem a opinião e nem a vontade de mais de cinquenta e um milhões de brasileiro, pois traiu nossas expectativas de moralidade. Alguns dos políticos envolvidos, claramente pertencem ao grupo que não tinham interesses em oitivas dos supostos envolvidos no esquema denominado “ PETROLÂO”. Ou melhor, politicamente não era conveniente naquele momento a exposição de candidatos que estavam pleiteando cargos na futura administração e principalmente o desgaste que causaria na campanha presidencial. Exigimos a apuração da verdade e a punição pela omissão do sagrado dever de defender os princípios que regem o verdadeiro dever no cumprimento de suas atribuições, bem como a moralidade.

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  • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

    LUTEI PARA DERRUBAR O PT DO GOVERNO E UMA DE TANTAS ROUBALHEIRAS DESTE GOVERNO FOI O ESQUEMA MONTADO NA PETROBRAS E COM EXCLUSIVIDADE DO PT E SEUS ALIADOS (PP, PMDB E OUTROS ) . E SE HOUVER ALGUEM DO PSDB OU OUTROS PARTIDOS NÃO DEVEMOS PERDOAR E SIM APLICAR A LEI E PRENDER QUEM QUER QUE SEJA . GOSTARIA DE SABER DE VERDADE SE ESTE DEPUTADO DO PSDB FEZ ESTE ACORDO COM O PT ESTE DEVE SER PRESO IMEDIATAMENTE E EXPULSO DO PSDB , POIS ISSO QUE ELE FEZ NÃO CONDIZ COM O QUE PREGAMOS NESTA CAMPANHA E AGORA SE ALIAR A ESTA GANG QUE FEZ O QUE FEZ NESTE GOVERNO DE 12 ANOS NÃO SERIA JUSTO FAZER ACORDO COM ESTA GENTE . QUE O PSDB TENHA VERGONHA NA CARA E EXPULSE ESTE DEPUTADO QUE FEZ ESTE ACORDO E SE O PARTIDO REALMENTE ACORDOU COM ISSO , QUE VENHA A PUBLICO E SEJA HONESTO COM TODOS OS MAIS DE 50 ( MILHÕES DE VOTOS ) QUE QUERIAM VER ESTE GOVERNO DO PT E SEUS COMPARSAS PRESOS E O NOSSO DINHEIRO SER DEVOLVIDO E NÃO PASSAR A MÃO NESTA GANG QUE FEZ ACORDO ATÉ COM O DIABO PARA GANHAR E SE MANTER NO PODER .

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