FOLHA: Questionado sobre a Lava Jato, Lula manda jornalistas falarem com a PF

Publicado em 20/11/2014 18:00 e atualizado em 21/11/2014 04:35 641 exibições

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou jornalistas "falarem com a Polícia Federal" ao ser questionado sobre a Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo Petrobras, empreiteiras e políticos.

"[Tem de] Falar com a Polícia Federal", disse na manhã desta quinta-feira (20) quando saía de um evento realizado pela hidrelétrica Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). Ele não deu entrevistas.

Após o encontro, Lula disse que não sabia se cancelaria a viagem ao Uruguai, já que ele pode retornar a São Paulo e participar do velório do ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, que morreu nesta manhã.

Emocionado, Lula pediu no evento um minuto de silêncio "pelo nosso querido companheiro" e ex-ministro de seu governo.

Depois de comentar sobre os benefícios do "Cultivando Água Boa", programa de sustentabilidade desenvolvido por Itaipu, Lula aproveitou para alfinetar a mídia.

"Queria que a minha querida imprensa que me parece que tem uma predileção por anunciar desgraças ouvisse o depoimento das pessoas que participam do programa Cultivando Água Boa que eu ouvi hoje de manhã", disse o petista. "Hoje, a gente toma café, almoça e janta com desgraça."

O ex-presidente saiu em defesa de sua afilhada, a presidente Dilma Rousseff, ao afirmar que ela tem recebido muitos ataques. "O ódio [demonstrado contra a petista] é exatamente porque a filha de um pequeno agricultor tá virando doutora neste país", disse. "Parece que as eleições ainda não acabaram".

Lula disse estar seguro de que os que falam mal de Dilma "terão surpresa com o segundo mandato" e que "eles" precisam "aprender a respeitar a democracia". "Tenho certeza que ela vai dar um show", afirmou no discurso.

LAVA JATO

A Operação Lava Jato, desencadeada em março deste ano e que já se estendeu por sete fases, apura um grande esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos com envolvimento da Petrobras, de políticos e das maiores empreiteiras do país.

A estimativa inicial da operação indica que o esquema pode ter movimentado cifras que chegam a R$ 10 bilhões.

Duas das primeiras prisões em março foram a do doleiro Alberto Youssef e a do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em depoimento, após assinar um acordo de delação premiada, Costa afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da Petrobras. O dinheiro desviado abastecia o caixa de partidos como o PMDB, PP e o PT.

Youssef é apontado nas investigações como o doleiro suspeito de comandar o esquema. Costa passou a ser investigado depois de ganhar, em março do ano passado, um carro de luxo de Youssef.

Em 14 de novembro, a PF deflagrou nova fase da operação, com 27 mandados de prisão, e que desta vez atingia dez grandes empreiteiras, entre elas a Camargo Corrêa, Odebrechet e a OAS.

Mais de 20 executivos dessas empresas e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque foram presos. As empresas envolvidas no suposto esquema mantêm contratos de R$ 59 bilhões com a Petrobras.

Não há qualquer pressão do governo para inibir investigações, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo não está fazendo nenhum tipo de pressão sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em casos de corrupção.

Sem citar nominalmente a Operação Lava Jato, Dilma afirmou que o "combate à corrupção nunca foi tão firme e severo quanto agora".

"Falamos a verdade quando destacamos que o combate à corrupção nunca foi tão firme e severo no meu governo. A Polícia Federal e o Ministério Público estão investigando os corruptos e os corruptores e não há qualquer tipo de pressão do governo para inibir as investigações", afirmou.

  Pedro Ladeira/Folhapress  
A presidente Dilma Rousseff participa, ao lado do ministro da Educação, Henrique Paim, de conferência sobre educação
Dilma participa de conferência sobre educação; na foto, ela aprende gesto na linguagem de sinais

Para a presidente, o país sairá mais forte após o processo de investigação ser concluído. "Não tenho, nunca tive e nunca terei qualquer tolerância com corruptos e corruptores. Queremos investigação e também garantiremos o amplo direito de defesa. O Brasil sairá mais forte desse processo. [Sairá] mais forte ainda por respeitar as regras do Estado de Direito", afirmou.

Uma das preocupações do governo é a possibilidade de paralisação de grandes obras de infraestrutura que são realizadas pelas empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras.

Na semana passada, a PF prendeu diretores e executivos de 11 empresas envolvidas, acusadas de pagar propina para obter contratos com a Petrobras. Apesar do temor, Dilma sinalizou que o "país não irá parar".

ECONOMIA

Em meio à expectativa de nomeação da nova equipe econômica da governo, Dilma afirmou que a inflação está sob controle e que há sinais de crescimento do país. A petista citou ainda o dado sobre a taxa de desemprego registrada em outubro, de 4,7%, como a mais baixa de toda a série para o mês.

Sem citar nomes, a presidente disse que "com o fim da campanha eleitoral, a verdade começa a aparecer com mais clareza".

Dilma participou da Conferência Nacional de Educação, realizada nesta semana em Brasília. Em um discurso de quase 40 minutos, a presidente exaltou os avanços obtidos na área educacional nos últimos 12 anos e disse que a educação é sua primeira prioridade para o próximo governo.

Em um claro recado ao Congresso, a presidente exaltou a conferência e disse que ela representa "a vitória da participação popular".

No fim de outubro, a Câmara derrubou o decreto presidencial que regulamentava a participação popular vinculando decisões governamentais de interesse social à opinião de conselhos e outras formas de participação.

A questão ainda precisa ser analisada pelo Senado, mas o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já deu indicações de que o resultado deverá ser igual ao da Câmara.

"Esse debate é muito rico que dá sugestões, traça caminhos, aponta prioridades. Sabemos que a democracia representativa como a nossa, tem o Congresso e as casas legislativas como os espaços privilegiados e fundamentais de deliberação. Agora, garantir à sociedade civil organizada o direito de opinar, de falar, de criticar, de dar sugestões e de contribuir com a sua experiência, seu conhecimento e suas reivindicações caracteriza a democracia numa sociedade moderna e inclusiva. [...] Isso não é uma dádiva do governo", afirmou Dilma.

Bem-humorada durante o discurso, Dilma interagiu com a plateia em diversos momentos e chegou a fazer uma piada quando uma faixa foi erguida. "Vocês não fazem (sic) cartaz para mim não que eu não enxergo direito. Eu era míope de pai e mãe. Aí, fiz uma operação e continuei", disse, arrancando risos dos presentes.

Uma outra faixa foi erguida por servidores do Ministério da Educação com um pedido de plano de carreira. "MEC, faça seu dever de casa: plano de carreira para seus servidores", dizia a faixa. 

Fonte:
Folha de S. Paulo

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1 comentário

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    As falhas de caráter e a falta de vergonha na cara estão se tornando épicas em Lula da Silva. Onde foi que se viu alguém da direita, a elite branca de olhos azuis, por aí a fazer discursos cheios de ódio contra filhos ou filhas de pequenos produtores que conseguem chegar ao nivel superior? Sujeito ordinário, em minha familia temos vários médicos, engenheiros, agrônomos, todos filhos de pequenos produtores, formados sem precisar de uma agulha do PT. A maior desgraça que existe no Brasil chama-se Lula da Silva, junto com Dilma Roussef. Sem a menor cerimônia, mentem dia e noite, e não apenas no café, almoço e janta.

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