Lula ironiza tucanos; Aécio rebate lembrando caso "Celso Daniel"

Publicado em 11/12/2014 09:12 e atualizado em 13/12/2014 06:29 2797 exibições
no blog de Josias de Souza, do UOL, e de Reinaldo Azevedo, de veja.com (+ Lauro Jardim)

Lula: ‘Dinheiro do PSDB vem do Criança Esperança, não vem dos empresários’ 

 

Lula andava meio distante dos refletores. Reapareceu na noite passada, num encontro do PT, em Brasília. Além dos holofotes, reencontrou os companheiros, a militância e, sobretudo, o microfone. Teve um surto de loquacidade. Falou por 45 minutos. Num instante em que avançam as investigações do cartel de empreiteiras suspeitas de trocar propinas por contratos na Petrobras, Lula entregou-se à ironia.

Disse que o tucanato se comporta como se o PT fosse o único partido a custear suas campanhas eleitorais com dinheiro recolhido de empresas. “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro numa campanha como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário.”

Pela primeira vez, Lula comparou o mensalão com o petrolão. Repetiu a tese segundo a qual o julgamento que levou a cúpula do PT para a Papuda foi político. “Os companheiros que foram julgados já estavam condenados”. Insinuou que haverá novo pré-julgamento. Quando o ministro Teori Zavascki, relator do caso da Petrobras no STF, for analisar o processo, “a imprensa já condenou os nossos companheiros”, disse.

Vão abaixo os principais trechos do pronunciamento de Lula, cuja íntegra pode ser escutada no rodapé:

estrelinha

— Bola da vez: “Agora, a bola da vez somos nós. Agora é o PT. O PT não pode continuar crescendo. O PT tem que ser atacado, de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer uma guerra eletrônica contra o PT. Não importa que seja verdade ou que seja mentira. Vamos tentar difamar o PT. Vamos tentar destruir esse partido.”

— Mensalão e Petrolão: “Quando houve o processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, que está acontecendo agora, o que a gente está vendo é que, quando esse processo chegar na Suprema Corte, que o ministro Teori for analisar a delação premiada, criada por nós, a imprensa já condenou os nossos companheiros. Ou já condenou aqueles que não são companheiros e que estão sendo citados.”

— Investigações X interpretações: “Eu dizia na reunião da bancada hoje: a gente reclama das investigaçes? Não! A gente reclama é da interpretação das investigações. Não tem um instrumento nesse país que esteja servindo para investigar e para aparecer tantas denúncias de corrupção como os instrumentos que nós criamos. Nós! Ninguém! Fomos nós que criamos todos os instrumentos que permitem às pessoas compreenderem: neste país, a partir do governo do PT, ninguém será impune se não for honesto, se não for ético e se não fizer as coisas corretas. Esse partido não nasceu pra fazer igual.''

—Papel higiênico: “Eu, de vez em quando, vejo o jornal denunciar corrupção em ONG. Aonde pegou o dado? No Portal da Transparência do governo. A lei do acesso à informação é nossa, fomos nós que criamos. Daqui a pouco eles querem saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no palácio.”

— Terceiro turno: “O que nós queremos para esse país é que eles sigam o exemplo que o PT deu. Eu perdi 89. E todo mundo sabe como é que eu perdi. Entretando, eu não fiquei na rua protestando. Eu fui me preparar pra outra. Perdi a outra. [...] Cada vez que a gente perdia, a gente acatava o resultado. Nem isso eles aprenderam. Eles acham que a campanha não acabou.''

— Quinto mandato: “Eles admitiam até a nossa chegada à Presidência da República. Mas a eleição era incômoda. O terceiro mandato era muito mais incômodo ainda. E o quarto mandato mais incômodo ainda. Eles começam a ficar apavorados com a perspectiva de quinto mandato. Começam a ficar apavorados. E nós precisamos tomar muito cuidado, porque ninguém tem que pensar nesse momento em 2018. Nós temos que pensar é em 1ºde janeiro de 2015, na posse da presidenta Dilma. E no sinal que a gente vai ter que dar para esse país…”

— Guerra de passeatas: “A gente não pode, na minha opinião, ficar fazendo essa disputa com eles. Eles fazem uma passeata na quinta, a gente faz uma na sexta. Eles fzem uma na segunda e a gente faz uma na terça. Ninguém aguenta, meu filho. A Dilma tem que governar esse país. A Dilma não pode ficar atrás de passeata, não. Ela já ganhou as eleições. A Dilma precisa governar e cuidar desse país, cuidar desse povo. [...] Deixa a mulher trabalhar, gente! Ela ganhou as eleições. Ela tá montando o governo dela.”

— Corrupção na testa: “É hora de os petistas levantarem a cabeça, é hora de a gente ter orgulho de enfrentar um debate sobre a corrupção nesse país. Eu quero dizer pra vocês uma coisa, olhando na cara de cada companheiro aqui: a gente não pode aceitar a pecha que eles querem incutir na nossa testa, de corrupção.''

— O mais honesto: “Vou contar uma coisa pra vocês: eu não sou melhor do que ninguém. Mas se enfiar todos eles, um dentro do outro, eles não são mais honestos do que eu. Não são mais honestos do que eu. E quando eles, historicamente, não têm argumento pra fazer o debate político, pra discutir economia, pra discutir política social, a corrupção é o único discurso da direita em vários lugares do mundo. Se valeu pra outros, valeu. Pra mim não vale.''

— Mãe analfabeta: “Eu sou filho de uma mulher que nasceu e morreu analfabeta. O único legado que ela me deixou foi o direito de andar de cabeça erguida neste país. E não vai ser ninguém que vai fazer eu abaixar a cabeça nesse país por denúncias contra o partido.''

— Ritual ético: “Companheiros e companieras, é hora de o orgulho petista aflorar. É hora de a gente dizer pra todos os militantes do PT: esse partido nasceu pra ser diferente. E vai ser diferente. Quem não quiser cumprir o ritual ético nesse partido, ter uma relação ética na sociedade ou nas instâncias governamentais, é melhor sair do PT, porque senão a gente não vai conseguir governar esse país.”

— Bolsa alegria: “A expectativa é que a presidenta Dilma anuncie pra esse país, no dia 1º, o que serão os próximos quatro anos no Brasil do ponto de vista econômico, da sua relação com a sociedade, das políticas sociais, da política de desenvolvimento, da política de crescimento, para que a gente possa recupecar nesse país a alegria e o otimismo que nós tivemos durante muito tempo.''

— Nunca antes no planeta: “Falo com muito orgulho: não existe no mundo, e vocês têm que ter orgulho disso, não existe no mundo nenhuma experiência política mais bem sucedida do que o PT. Nao existe! Obviamente que, por termos ficado grandes, a gente também comete erros.”

— Filho problemático: “Se eu quisesse citar uma mãe como exemplo, o melhor momento da criação de um filho é quando ele está no colo da gente e que depende só da gente. A gente não pode soltar. Não senta, não come sozinho, não engatinha, não anda. Tem que estar no colo da gente. E quando o bichinho começa a crescer, que a gente pensa que vai ajudar a gente, o bichinho começa a dar problema. [...] E quando angente pecebe que ele está ficando adulto, ele quer sair de noite. A dor de cabeça aumenta. Arruma uma namorada. A dor de cabeça aumenta. Inventa de fazer coisas boas, inventa de casar. Vêm os netos. O partido é isso. o partido era um tiquinho de gente, meia dúzia de loucos que começaram com um movimento em 79. E, de repente se transforma no maior partido de esquerda —com exceção da China—, o maior partido de esquerda do mundo. Plural, democrático. E aí começam a aparecer os defeitos, porque nós somos constituídos de seres humanos.”

— Militância remunerada: “A gente começa a adquirir hábitos que não deveríamos ter adquirido, porque não nascemos para isso. Nós não nascemos para ser igual aos outros, nascemos pra ser diferentes. Nós nascemos pra fazer campanhas diferentes. Nós nascemos para não fazer campanhas baseadas nos cabos eleitorais pagos. Uma campanha baseada no gasto de muito dinheiro, aonde [sic] a militância desaparece e aparece o profissional da política. Nós não nascemos pra isso.”

— Saudade das origens: “Cada um de vocês tem uma experiência no Estado de vocês, na cidade de vocês. Como era mais gostoso quando a gente não tinha tanto voto como a gente tem hoje, mas a gente tinha muito mais orgulho e andava de cabeça erguida nesse país, querendo que as pessoas copiassem a gente.''

— Caída em si: “Eu não defendo a ideia de que o PT volte às origens, porque, coitadinho do Lula, voltar às origens aos 69 anos é impensável. Não quero isso. Quero que a gente evolua, como evolui a sociedade. [...] Mas eu acho que o PT precisa repensar o seu papel na sociedade. A palavra repensar é muito difícil, porque pensar já e muito difícil. Imagina repensar! Significa penar duas vezes. É difícil. Mas nós precisamos repensar o nosso papel. [...] A direção de um partido não é uma partilha entre tendências. A direção de um partido tem que ter os principais quadros desse partido, para se transformar em voz pública desse partido, para defender o partido. Nós, nesse momento político, precisamos ter mais representatividade. Preciamos ter mais força pública.”

— Fuga de cérebros: “Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos! E eles sonhavam estar no PT porque acreditavam no discutso que nós fazíamos. Quantos e quantos intelectuais… A começar por duas figuras nobres: Sérgio Buarque de Holanda e Mário Pedrosa, acompanhados de Apolônio de Carvalho. Eles pareciam meninos sonhando quando a gente criou PT. Era tudo o que eles queriam na vida. Um partido de esquerda, onde os trabalhadores tivessem a maioria nesse partido.

— Sonhos e utopias: “Houve um tempo em que a gente ia pra um comício do PT e a grande maioria era de jovens de 25, 26 e até 27 anos. E nós, muitas vezes, somos pais dessa gente que taí. Quem sabe nós não estamos conseguindo convencer essa gente a ter a mesma esperança, o mesmo sonho que nos tivemos quando começamos o PT. Então, é preciso voltar a construir sonhos. É preciso voltar a construir utopias.

— Geração Twitter: “Essa meninada que não ouve mais rádio, que não ouve mais televisão, que não lê mais jornal, como é que nós vamos conversar com ela, numa linguagem de meias palavras, que eu nem entendo mais o Twitter. É tudo muito curto, muito breve. Você não consegue explicitar uma ideia. Onde é que a gente vai se comunicar com essa gente num momento em que a gente é atacado?

 

Aécio rebate ministro vinculando-o a assassinato

Josias de Souza

 

O quase ex-ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) despertou a ira do tucano Aécio Neves ao referir-se a ele da mesma maneira pejorativa que Lula fizera na campanha: “Playboyzinho”. Em resposta, o ex-presidenciável do PSDB reacendeu as suspeitas que rondam a biografia de Gilbertinho, como Lula o chama, no caso que resultou no assassinato do ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel.

Gilbertinho falou de Aécio durante a assinatura de convênios com pequenos agricultores familiares. “Eu morria de medo do playboyzinho ganhar a eleição, porque eu tinha clareza que ia acabar essa energia que está aqui nesta sala. Isso não tinha condição de continuar porque não está nesse projeto”, disse o ministro.

Ouvido pela repórter Maria Lima, Aécio foi à jugular: “Os termos que o ministro se referiu a um senador da República e presidente de um partido só confirma sua baixa estatura política. Mesmo depois de 12 anos como ministro, a principal marca da biografia do senhor Gilberto Carvalho será sempre seu envolvimento com as graves denúncias de corrupção em Santo André, que culminaram com o assassinato do prefeito Celso Daniel, ainda não esclarecido.”

Noutro trecho de sua fala aos agricultores familiares, Gilbertinho discorreu sobre as forças da oposição: “Essa gente aqui do governo tem a criatividade e o heroísmo de ficar batalhando internamente, sofrendo perseguição e discriminação por conta disso, sofrendo todo o tipo de acusação de bolivarianismo, de chavismo, de mais um monte de merda que os caras [da oposição] falam…”

E Aécio: “O ministro Gilberto Carvalho tem mesmo razões para ter medo. Temia que se eu fosse eleito, eu iria acabar com a corrupção, colocar ordem no País e acabar com as boquinhas do seu partido, em especial a dele próprio.”

Ex-candidato a vice na chapa de Aécio Neves, o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira mirou abaixo da linha da cintura. “Trata-se de um cafajeste. O fato de um ministro de Estado se referir nesses termos a um senador e presidente de partido reflete bem o baixo nível do governo Dilma. Eu não sei de que ele tinha medo, se Aécio ganhasse. Mas ele sabe onde o rabo dele está preso. Especula-se muito sobre isso.”

Líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy muniu-se de ironia. “O medo do ministro Gilberto Carvalho é que a presidente Dilma Rousseff faça uma delação premiada.”

Tomada pela disposição que exibe nos últimos dias, a oposição reserva para Dilma Rousseff, no seu segundo mandato, uma paz de Oriente Médio.

 

Lula, o discurso absurdo, a cor do papel higiênico e a “zerda” que eles fazem

Meu pingo final vai para a fala indecorosa de um certo Luiz Inácio Lula da Silva, proferida nesta quarta, na abertura do 5º Congresso do PT, em Brasília. Em vez de atacar a roubalheira na Petrobras, o poderoso chefão do PT preferiu vociferar contra as elites e, ora vejam, a imprensa. Contra as elites? Santo Deus! Seu partido foi o que mais recebeu doações de banqueiros e grandes empresas, algumas delas com empréstimos bilionários feitos pelo BNDES. Referindo-se aos PSDB, disse: “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”. Onde ele leu isso? Quem disse isso? Os petistas têm a mania de atribuir ao jornalismo o que este não diz para que fique mais fácil defender mecanismos de censura.

A necessidade de “reagir” ao que Lula considera ataques da oposição também foi debatida num almoço no Palácio da Alvorada, que reuniu a presidente Dilma, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, e Jaques Wagner, governador da Bahia.

Demonstrando que a impostura não tem limites, Lula resolveu estabelecer um paralelo entre o mensalão e o petrolão:
“Agora a bola da vez somos nós. O PT não pode continuar crescendo, tem que ser atacado de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer guerra eletrônica contra o PT, não importa se é verdade ou mentira. Vamos tentar difamar, destruir esse partido. No processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, o que a gente está vendo é que, quando chegar à Suprema Corte, quando o Teori (Zavascki) for analisar a delação premiada, instrumento criado por nós, a imprensa já vai ter condenado. Todo o vazamento é contra o PT”.

Sabem o que ele está tentando? Encabrestar Zavascki, deixando claro que só aceita um resultado: a rejeição da denúncia contra os petistas. Ontem não era mesmo o seu dia de ser decoroso. Afirmou que os adversários já estão com medo de 2018 — e foi interrompido por grito de “Lula, Lula”, mas disse em seguida que é cedo para isso é que é hora de apoiar Dilma Rousseff. Ah, bom…

Rui Falcão, presidente do PT, com a elegância retórica habitual, também discursou. Afirmou: “Não podemos permitir que os coxinhas ocupem a Avenida Paulista, e a gente não mostre a nossa presença”. No seu linguajar, “coxinhas” são os que protestam contra o escândalo da Petrobras. Não ficou claro se a “presença” de que ele fala é disputando o mesmo espaço, num confronto de rua. Eis ai: num dia, um ministro chama o presidente de um partido de oposição de “playbozinho”; no outro, o presidente do PT diz que o eleitorado de oposição é “coxinha”.

Houve tempo de Lula contar ainda uma mentira escandalosa:
“Eu perdi 89, e todo mundo sabe como perdi, entretanto, não fiquei na rua protestando, fui me preparar para a outra. (…) Quando a gente perdia, a gente acatava o resultado. Eles acham que a campanha não acabou. A gente não pode ficar nessa disputa com eles. Eles fazem uma passeata um dia, e a gente no outro. Ninguém aguenta. A Dilma precisa governar. Deixa a mulher trabalhar gente, ela ganhou as eleições”.

Santo Deus! O PT fez oposição sistemática aos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Sem descanso. Sem dar um dia de folga. Ocupando, sim, as ruas e a Esplanada dos Ministérios. Votou contra todas os esforços sensatos e racionais de organizar o país, incluindo o Plano Real, as privatizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este senhor não se conforma, isto sim, é que possa haver oposição no país.

Tentando ser engraçado, Lula afirmou: “Daqui a pouco vão querer saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no Palácio”. Duas coisas para encerrar: 1: nós pagamos o papel higiênico e, se for o caso, temos o direito de saber qual está sendo usado; 2: ninguém precisa saber a cor do papel higiênico para reconhecer uma zerda.

Por Reinaldo Azevedo

 

Três pontos

Diretrizes definidas com Dilma Rousseff

Diretrizes definidas com Dilma Rousseff

No café da manhã que tomou hoje com  senadores e deputados do PT, Lula deu as diretrizes da reforma ministerial. As mudanças em curso, segundo ele acertadas com Dilma Rousseff, seguem três diretrizes.

1) Acomodar melhor os aliados. Lula repetiu o que Aloizio Mercadante já dissera: o PT vai perder espaço em benefício do PMDB e de outros partidos da base.

2) Levar para o governo atores sociais importantes, como, por exemplo, indicações das centrais sindicais ou de movimentos sociais que possam dar apoio ao governo em momentos críticos.

3) Melhorar o equilíbrio entre indicados do Senado e da Câmara. Ou seja: diminuir o peso do Senado e aumentar o da Câmara.

Por Lauro Jardim

 

Lula na articulação

lula

Intermediário entre os políticos e o Planalto

A propósito, Lula ouviu novos apelos para que desempenhe neste segundo mandato o papel de “ouvidor geral” entre o mundo político e Dilma Rousseff.

Por Lauro Jardim

 

E Lula se mete agora até a articular a disputa pela presidência da Câmara! É o fim da picada!

Parece piada, mas é verdade. A bancada do PT na Câmara decidiu lançar a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à Presidência da Casa para enfrentar a postulação de Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB. Até aí, tudo bem! O PT tem a maior bancada, havia um acordo informal de que os dois partidos se revezariam no cargo — hoje com um peemedebista — etc. O que impressiona é outra coisa: a decisão foi tomada depois de uma reunião de petistas com… Luiz Inácio Lula da Silva.

Sim, é isto mesmo: quem se ocupou do assunto não foi o presidente do PT. Quem se ocupou do assunto não foi o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Quem se ocupou do assunto não foi o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. O ex-presidente da República, metendo-se a articulador do governo Dilma no Congresso, resolveu arrumar um adversário para Cunha.

Pois é… Os dias que vêm pela frente não são nada suaves, não importa o ângulo pelo qual se olhe. Por que os petistas têm de atravessar a rua para comprar essa briga, a não ser pela glória do mando? Qualquer resultado será objetivamente contraproducente: se Cunha vencer, ruim para o governo; se ele perder, péssimo. A razão é simples: uma eventual vitória do peemedebista fica ainda mais na dependência da adesão de parlamentares que se opõem ao governo, não?

O bloco de apoio a Chinaglia seria formado por PT, Pros, PC do B, PDT, PHS e PEN, além do PSOL, que é oposição. Só com isso, não dá para vencer. Será preciso rachar o grupo que hoje apoia o líder peemedebista. Um acordo com a oposição está fora de cogitação. Duvido que esta viabilize um terceiro nome para facilitar a vida dos petistas.

Como os companheiros já estão com a boca torta pelo uso do cachimbo, houve quem defendesse na reunião que o Planalto entrasse pesado no apoio ao candidato petista, envolvendo na pressão cargos no futuro governo. Foi preciso que o próprio Chinaglia deixasse claro que não era uma boa ideia.

E, vejam vocês!, os companheiros têm um desprezo pelos aliados que chega a ser comovente. Indagado se o PT apoiaria um candidato de outro partido, afirmou o deputado José Guimarães (PT-CE): “Sacode, sacode e não surge nome melhor do que do PT”. Pois é… Os companheiros seriam capazes de propor a substituição dos membros próprio Olimpo por militantes do partido. Afinal, quem são os deuses olímpicos perto dos petistas?

Por Reinaldo Azevedo

 

Os ministros do PMDB: encrenca à vista

Temer: não é fácil contentar à sua turma

Temer: não é fácil contentar à sua turma

Não será fácil contentar a bancada da Câmara do PMDB na distribuição dos ministérios que cabem ao partido.

Numa reunião ontem, da qual participaram Michel Temer, Eduardo Cunha e, claro, os deputados, ficou patente que a bancada prefere alguém que junte duas condições básicas: tenha sido eleito agora em outubro e que tenha apoiado Dilma Rousseff.

Neste perfil, o preferido é Eliseu Padilha, também candidato de Temer. O problema é que Eduardo Cunha quer fazer de  Henrique Eduardo Alves ministro – e Alves é a partir de 2015 um sem-mandato.

Temer disse ontem aos deputados que hoje se encontrará com Dilma para definir o tamanho do latifúndio que caberá ao PMDB na reforma. E prometeu que na terça-feira voltará a reunir-se com os deputados e senadores do partido para definir o mais difícil – os nomes que levará a Dilma.

Por Lauro Jardim

 

O país agora sabe o que faz a presidente quando obrigada a encarar uma salada de notícias intragáveis: pensa em macarrão

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No sábado e no domingo, os botões dos terninhos que só saem do armário em dias de folga ouviram mais de uma vez a pergunta de Dilma Rousseff: o que poderia ser pior que a primeira semana deste novembro? A segunda semana do mesmo novembro, avisou já na manhã do dia 8 o atordoante recomeço do desfile de más notícias que tem tirado o sono do governo desde a descoberta do Petrolão.

Nesta segunda-feira, entre o café da manhã e o jantar de segunda-feira, a presidente ficou sabendo que:

1) A Petrobras foi acionada judicialmente por investidores americanos que se consideram lesados pelas bandidagens envolvendo gestores da estatal.

2) A Polícia Federal constatou que a Camargo Corrêa, uma das empreiteiras associadas à usina de negociatas, pagou R$ 900 mil à consultoria de José Dirceu por serviços tão essenciais quanto o Ministério da Pesca. Um deles foi a confecção de “análises de aspectos sociológicos e políticos do Brasil” .

3. Relatórios apresentados por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral recomendaram enfaticamente a rejeição das contas de campanha de Dilma Rousseff.

4. Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, vice-presidente do TSE e responsável pelo exame da contabilidade eleitoral de Dilma, confirmou que a contabilidade eleitoral de Dilma está comprometida por irregularidades de bom tamanho.

5. Um corte de R$ 32 bilhões nos investimentos programados pela Eletrobras elevou sensivelmente a tensão provocada por evidências de que a empresa logo estará dividindo com a Petrobras o noticiário político-policial.

Não é pouca coisa ─ e não foi tudo. Surpreendido por urgências desse calibre, um governante ajuizado cancelaria todos os compromissos do dia para concentrar-se nas complicações prioritárias. Como Dilma não rima com sensatez, sacou da bolsa o manual de instruções para momentos críticos organizado pelo neurônio solitário e fez o que determina o primeiro mandamento: fechou-se no gabinete, proibiu a entrada de problemas e seguiu o roteiro traçado pela agenda.

Uma das anotações previa a assinatura da Lei N° 13.050, reproduzida no alto da página. O artigo 1° explica a que veio: “Fica instituído o Dia Nacional do Macarrão, a ser celebrado em todo (sic) território nacional, anualmente, no dia 25 de outubro”. Foi assim que, neste 8 de dezembro de 2014, 193° da Independência e 126° da República, o Brasil descobriu o que faz a presidente quando precisa encarar uma salada de notícias intragáveis: pensa em macarronada.

Tempos estranhos, muito estranhos!

Admito que posso ser acusado de masoquismo, mas confesso ao leitor que ainda leio as colunas de Verissimo. É que tenho uma curiosidade mórbida para descobrir até onde pode ir o malabarismo dos socialistas para negar a realidade e preservar sua utopia nefasta, jogando a culpa de todos os males da humanidade nos ombros do capitalismo. E o filho de Érico se supera a cada dia!

Na coluna de hoje, não é que o cronista resolveu responsabilizar o capitalismo e a direita pelos escândalos da Petrobras? Sério! Não duvide de mim, tampouco da cara de pau dessa gente. São capazes de tudo, conseguem inverter absolutamente tudo para condenar o capitalismo. Se até mesmo um ato idiota de uma modelo em busca do corpo perfeito que quase perde a vida é colocado na conta do capitalismo, o que não seria?

Mas voltando ao autor de comédias do cotidiano: Verissimo diz que a natureza do capitalismo é o monopólio , como dizia Marx, e que isso explica a simbiose das empreiteiras com o governo corrupto, que ele chama de esquerda entre muitas aspas (claro, a esquerda, para ele, é pura, então se há corrupção só pode ser de direita). Escreve Verissimo:

Despidas de todas as suas outras óbvias implicações, as revelações sobre a relação das empreiteiras com as estatais e o poder publico são uma aula do capitalismo de compadres em ação. Os escândalos do propinato na Petrobras e da cartelização em São Paulo para assegurar contratos sem obedecer à aborrecida formalidade de licitações provam, como se fosse preciso mais provas, o que está no Marx para principiantes: o caminho natural do capital é para o monopólio. O compadrio das empreiteiras faz pouco da importância da competição no mercado supostamente autorregulavel da pregação liberal. É compreensível que a direita festeje o embaraço da esquerda com as revelações que levaram diretores de empreiteiras à prisão e podem até punir a Dilma pela audácia de ganhar as eleições. Mas o capitalismo brasileiro também está levando suas lambadas neste entrevero.

Notem que o escritor confundiu deliberadamente “capitalismo de compadres” com liberalismo, ignorando que uma coisa é o contrário da outra. Sim, o cartel das empreiteiras é um exemplo de “capitalismo de compadres”, e isso é justamente o que os liberais condenam! Por isso pregam menos poder estatal e mais liberdade e competição.

A importância da competição de mercado “supostamente autorregulavel” é importante para a pregação liberal, e é exatamente o que não temos no Brasil, um país onde o liberalismo passou mais distante do que Plutão da Terra. Aqui há excesso de estado, de intervenção, de controle, de protecionismo, inclusive no setor supracitado. Por que empresas gringas não conseguem competir nas obras públicas? Pois é…

Reparem na ridícula contradição: Verissimo culpa o liberalismo pelo cartel, mas é contra a privatização da Petrobras, defendendo seu monopólio, garantido pelo estado. Entendeu? Verissimo, no mesmo texto, consegue condenar o liberalismo pelo monopólio e depois defender o monopólio estatal que os liberais criticam! Não é um fofo?

Verissimo ainda tenta incluir o caso de São Paulo, colocando-o ao lado da Petrobras, para minimizar o maior escândalo de corrupção da história deste país, bem no governo do PT. Claro, o homem “matou” a Velhinha de Taubaté, personagem crítica de governos, só para poupar o PT “camarada”. Esperar imparcialidade, isenção e honestidade em suas análises é como esperar que Dilma chore pelas vítimas da ditadura… cubana.

Para piorar, Verissimo acha que a direita quer punir Dilma pela “audácia de ganhar as eleições”. Vejam só! Não tem nada a ver com a roubalheira em seu governo, com esse incrível sistema de corrupção montado na máquina estatal; tampouco tem ligação com a mediocridade de sua gestão. O que a direita quer é punir a “presidenta” pela vitória. É mole? Calma. Tem mais:

O Roberto Campos chamava a Petrobras de “Petrossauro” e entregá-la a estrangeiros mais competentes sempre foi um mantra da direita. Os entreguistas não orquestraram o que está acontecendo com a Petrobras agora, mas, se tivessem planejado sua atual transformação, de orgulho nacional em vergonha nacional, não teriam tido tanto sucesso. É, irônica e dolorosamente, sob um governo de esquerda, aspas à vontade, que o orgulho está chegando a um estado terminal. Nem a Margaret Thatcher, que privatizou toda a Inglaterra, tocou no serviço nacional de saúde do país, que atravessou governos conservadores e pseudoprogressistas e permanece até hoje como uma espécie de cidadela socialista, sem aspas, em meio à comercialização de tudo. O Chile de Pinochet seguiu à risca a receita neoliberal da escola de Chicago para a sua economia, mas nem Pinochet acabou com o controle estatal do cobre, que também continua até hoje. Não se esperava que a cidadela Petrobras, que sobreviveu aos ataques da direita durante todos estes anos, fosse ser atacada por dentro. Mesmo que o governo não esteja envolvido diretamente no esquema da corrupção, é responsável pelo desleixo que a propiciou. E pela alegria dos entreguistas.

É um show de horrores! Verissimo admira justamente aquilo que não funciona, que não dá certo. Os liberais de Chicago fizeram com que o Chile fosse o país mais avançado da região, e Verissimo detesta isso, pois idolatra o fracasso. Qual o único elogio que faz ao regime de Pinochet, então? Ter mantido a empresa de cobre estatal. Aquilo que não ajuda em nada sua economia, ao contrário, é o que Verissimo aplaude.

O mesmo para a Inglaterra. Thatcher salvou o país que afundava na crise socialista, conseguiu resgatar não só o orgulho dos britânicos como suas riquezas, e Verissimo odeia isso tudo, pois adora o fracasso. Elogia, então, o sistema de saúde, que está em crise por ser socialista. Nem mesmo um rico país capitalista consegue bancar por muito tempo tal luxo!

Para Verissimo, vivemos em tempos estranhos, pois a esquerda, entre aspas, conseguiu destruir a Petrobras, algo que a direita supostamente sempre desejou. Não. A direita liberal sempre quis evitar isso, pois sabia que uma esquerda como a do PT, sem aspas, faria um estrago enorme se pudesse colocar suas garras sujas nela. Não deu outra.

Para nós, liberais, nenhuma surpresa. Aliás, basta ler meus textos antigos prevendo isso. Não há nada de estranho em tanta incompetência e corrupção num governo de esquerda: é a regra! Basta estudar a história, algo que Verissimo não deve ter feito, pois estava ocupado demais bolando suas histórias engraçadinhas do cotidiano.

Mas são tempos estranhos sim. Não pelos motivos que Verissimo oferece, e sim pelo fato de que alguém como Verissimo, que sempre esteve do lado errado, defendendo coisas absurdas, pregando o abjeto socialismo, tentando monopolizar as virtudes sem argumentos para debater meios, pelo fato, eu dizia, de alguém com esse perfil ainda gozar de alguma estima e de tanto espaço na imprensa. Isso sim, é realmente muito estranho e diz muito sobre nosso Brasil, o eterno país do futuro…

Rodrigo Constantino

 

 

CPMI da Petrobras e Comissão da Verdade: os relatórios chapas-brancas!

Dilma chora pelas vítimas do regime militar, mas jamais derrubou uma lágrima pelas vítimas da ditadura cubana, que defende

Esta quarta-feira foi o dia dos relatórios chapas-brancas. Primeiro, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) divulgou um calhamaço de 4 mil páginas concluindo seus longos trabalhos, à custa do “contribuinte”, em tom de revanchismo e enaltecimento daqueles que lutavam contra o regime militar, esquecendo-se que lutavam por outra ditadura, muito pior.

A presidente Dilma se emocionou, chegou a chorar, e com a voz embargada falou da tortura dos agentes da ditadura. Não a culpo por isso, e fico até impressionado e feliz de ver que há emoções ali. A tortura por agentes do estado é algo inadmissível. Precisa ser condenada mesmo, em nome do estado de direito e dos direitos humanos.

Porém, seria saudável ver o mesmo tipo de emoção pelas 60 mil mortes que temos no Brasil de hoje, democrático, por conta da violência que o estado é incapaz de conter. Seria bom, ainda, observar o mesmo sentimento em relação às vítimas dos comunistas guerrilheiros, gente simples como o jovem soldado Mario Kozel Filho, entre tantos outros mortos friamente por esses “democratas” amantes de Fidel Castro.

O relatório da CNV pede também a revisão da Lei de Anistia, que foi um passo fundamental para a redemocratização pacífica do país. Deixa claro seu viés vingativo, necessário para pintar os atuais esquerdistas no poder, inclusive a “presidenta”, como heróis que defendiam a democracia naquela época e foram perseguidos por isso.

O STF já resolveu a questão, mas tem até mesmo ministro de lá que não está satisfeito e quer tentar rever a decisão de seus pares. E o malabarismo linguístico segue com tudo: Pedro Dallari, que, como lembra Reinaldo Azevedo, tem a simpática atribuição de “coordenador nacional da Verdade”, algo que nem Stalin tinha para impor a “verdade única e oficial”, disse:

“Nós defendemos que haja a responsabilização. Se o Poder Judiciário entender que não há necessidade de rever a lei, porque já pode haver a condenação independentemente de revisão, não há necessidade de revisão. Essa decisão será do Poder Judiciário”.

Ou seja, como a lei não pode ser revista, tenta-se dar nova interpretação a ela. A anistia é válida, mas não vale para agentes do estado que abusaram, que praticaram excessos, que eventualmente torturaram. Logo, ela não é válida!

Não foi só a Omissão da Verdade ou a Comissão da Inverdade que se destacou nesta quarta como instrumento chapa-branca; a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras finalizou seus trabalhos e, sob a relatoria do deputado Marco Maia, do PT gaúcho, apresentou seu relatório final, no qual não consta pedido algum de indiciamento.

Foram quase mil páginas para concluir, por exemplo, que a compra da refinaria em Pasadena, no Texas, foi normal, dentro dos critérios do mercado. Isso mesmo: a “ruivinha”, como ficou apelidada pelos próprios técnicos da estatal pelo excesso de ferrugem, aquela que produziu rapidamente um prejuízo bilionário, foi uma compra absolutamente calcada em quesitos econômicos.

André Vargas, ex-PT, desrespeitando Joaquim Barbosa para defender Dirceu

Foi um dia triste para quem zela pelos valores republicanos, pela isenção, pela busca honesta da verdade. Ao menos, como que para compensar isso tudo e oferecer algum consolo a essa gente, o deputado André Vargas, que era do PT, foi cassado na Câmara e ficará inelegível por 8 anos. Isso significa que não teremos de aturar, por esse período, esse companheiro do doleiro Youssef erguendo o braço em gesto de desafio ao STF e apoio ao velho companheiro partidário José Dirceu, o mensaleiro preso e um dos guerrilheiros que combatiam o regime militar.

Aqueles que vibraram de emoção com o relatório chapa-branca da Comissão da Verdade tiveram esse pequeno contratempo no dia, e devem ter lamentado profundamente a cassação do deputado tão fiel a Dirceu. Não fosse isso, seu dia poderia ter sido perfeito…

Rodrigo Constantino

 

 

A Comissão da Mentira e as bobagens ditas por um ministro do Supremo e pelo — podem rir! — “coordenador nacional da verdade”; nem o stalinismo tinha um desses!

Ai, ai… Quando eu começo assim, leitor, é porque a estupidez desperta em mim certa preguiça intelectual; é quando penso: “Contestar Fulano e Beltrano não é nem certo nem errado, é inútil”. Mas depois vem o senso do dever. Então parto pra briga, também ela intelectual. A Comissão Nacional da Verdade concluiu o seu trabalho. Aponta 434 mortos durante o regime militar, acusa a responsabilidade de 377 pessoas, cobra a revisão da Lei da Anistia e propõe a desmilitarização das PMs — seja lá o que isso signifique. De maneira indecorosa, a comissão ignorou os assassinados por grupos terroristas: há pelo menos 121. Não! Esses cadáveres não contam. Não devem entrar na categoria de carne humana. Também os atos violentos dos grupos terroristas foram banidos da “verdade”. E as besteiras a respeito já começam a vir a público.

Destaco, em primeiro lugar, a fala daquele que tem mais importância: Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo, segundo quem a validade da Lei da Anistia, a 6.683, de 1979, deve ser examinada de novo pelo tribunal. Explica-se: em 2010, o STF declarou a sua vigência plena. De acordo com o § 1º do Artigo 1º, estão anistiados todos aqueles que cometeram crimes políticos ou conexos — logo, anistiam-se todos: à esquerda e à direita; agentes do estado ou não; terroristas ou torturadores. Anistia tem a mesma raiz da palavra “amnésia”: não quer dizer perdão, mas “esquecimento” para efeitos penais. Isso não significa que fatos possam ser apagados da história — como a Comissão da Verdade tenta fazer, diga-se, com as vítimas das esquerdas. A comissão propõe frontalmente que se ignorem a lei e a decisão do Supremo.

Barroso, o mais esquerdista dos ministros da Corte, diz que o Supremo deve rever a decisão tomada pelo próprio tribunal. Sob qual pretexto? Reproduzo o que ele disse à Folha:
“O que é preciso saber é se lei [da Anistia] é compatível com Constituição e qual a posição que deve prevalecer (se do STF ou da Corte Interamericana). Esta situação de haver decisão da Corte Interamericana posterior à decisão do supremo e em sentido divergente é uma situação inusitada”.

É mesmo? Vamos ver. Em primeiro lugar, o Supremo já decidiu que a Lei da Anistia é compatível com a Constituição, sim — sempre lembrando que ela foi aprovada antes da atual Carta Magna, que é de 1988. Fosse hoje, não haveria mais como anistiar pessoas que praticaram tortura, mas também não haveria como anistiar as que recorreram ao terrorismo. As duas práticas, segundo a Constituição, não são passíveis de graça, segundo o Inciso XLIII do Artigo 5º: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;”

Ocorre, meus caros, que a Emenda 26, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte, tinha como pressuposto a anistia. Vale dizer: o ato fundador da nova Constituição incorporou a anistia por livre e espontânea vontade. Não foi um ato da ditadura, mas de um Congresso eleito de forma livre e soberana. Agora voltemos, então, a Barroso. Como é, ministro? Quer dizer que o Supremo brasileiro conta agora com uma instância revisora, que é a Corte Interamericana? Ora, tenha a santa paciência! Ou por outra: a instância máxima de decisão da República Federativa do Brasil não se encontra mais em solo pátrio? Só pode ser piada.

Não maior do que a contada por Pedro Dallari, que tem a simpática atribuição de “coordenador nacional da Verdade”. Uau! O Brasil não só tem uma verdade oficial como esta verdade tem um “coordenador nacional”. Nem o stalinismo teve um. Disse o rapaz: “Nós defendemos que haja a responsabilização. Se o Poder Judiciário entender que não há necessidade de rever a lei, porque já pode haver a condenação independentemente de revisão, não há necessidade de revisão. Essa decisão será do Poder Judiciário”.

Aí, então, é a jabuticaba das jabuticabas. O próprio Dallari admite que não há como jogar a lei no lixo. Não havendo, ele defende que se dê às palavras um sentido diferente daquele que elas têm.

Que coisa! A Comissão Nacional da Verdade quer nos fazer crer que só agentes do estado praticaram violência; que não houve terrorismo no Brasil; que as pessoas assassinadas pelos terroristas não eram humanas; que a emenda que convocou a Constituinte não foi aprovada por um Congresso soberano; que se pode dar a um texto legal a interpretação que lhe der na telha e que o Supremo Tribunal Federal está subordinado à Corte Interamericana.

E isso tudo, leitores, é apenas mentira!

Texto publicado originalmente às 21h31 desta quarta

Por Reinaldo Azevedo

Fonte:
Blogs Josias de Souza e Veja.com

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6 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Sr. Paulo Roberto Reisi, entendi a ironia, mas por uma desgraça do destino as coisas já são como o Sr. as descreve. A maior parte da FPA apoia a Abitrigo, contrata os serviços de Renan e Jucá, troca figurinhas com Stédile e é "amiguinha" de Gilberto Carvalho. Quanto ao Lula, dificil dizer quem na FPA não o apoia.

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  • salvador reis neto santa teresa do oeste - PR

    lula com saudades de quando o pt era dos trabalhadores.... concordo com ele, pois agora o pt e dos corruptos.

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Diante do que se lê e ouve na mídia, não me resta alternativa, desculpe-me, mas vou importuná-lo.

    Sr. João Olivi, o setor agropecuário lida no ramo das ciências biológicas e, como tal não deve subestimar certos conceitos da genética; estou me referindo à Teoria da Seleção Natural, cujos pilares remontam desde Empédocles (490-430 a.C.), filósofo e pensador pré-socrático, sua teoria influenciou o pensamento ocidental até meados do século XVIII. Charles Robert Darwin (1809-1882) naturalista britânico propôs a ocorrência da evolução por meio da seleção natural e sexual.

    A frase de Charles Darwin que sintetiza a atual realidade é: “Não são as espécies mais fortes que sobrevivem nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças”.

    Estou citando esta frase para que a classe (espécie) dos produtores rurais pense sobre a possibilidade de:

    Em vez de discursar como sendo a classe que produz o superávit da balança comercial brasileira e para tanto, exige respeito; não contrata um interlocutor, tipo Sérgio Amaral, advogado, diplomata, ex-ministro e atual presidente da Abitrigo. Os produtores de trigo sabem o quê é a Abitrigo!

    Em vez de ficar tentando vencer politicamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); não contrata os serviços do senador Romero Juca, Renan Calheiros e caterva.

    Em vez de ficar sendo achacados por medidas administrativas do governo, não contrata os serviços do João Pedro Stédile para negociar com os agentes do governo. Ah! Não se esquecer de contratar a assessoria do Gilberto Carvalho.

    Enfim, são muitas as opções e, para encerrar... A “cereja do bolo”:

    Contratar o LULA para ser o negociador com as tradings (BUNGE, CARGILL & ADM) !!!

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  • Salete carvalho Lavras - MG

    Para o Lula é honra ser filho de uma analfabeta e que ele pode andar de cabeça erguida,pode porque não tem vergonha,não tem discernimento,até para falar em papel higiênico.Ridiculo!

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  • Salete carvalho Lavras - MG

    Lula é ridículo só fala bobagem e esquece que está enrolado com a corrupção da Petrobras,e está falando no Teori Zavascki querendo que ele os livre do processo,bobo dele se fizer está bobagem.Ninguém em sã consciência tem inveja do PT por que este partido só faz coisas erradas.Fala das elites e é elite ainda mais agora com o triplex que ganhou da OAS, será porque que ganhou? Acho que o sonho de muita gente é vê-lo incriminado.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Não é tolerável que um vagabundo que pagou amante com dinheiro público venha tentar esculachar os outros. Só quem não tem honra, - nem sabe o que é isso -, tenta passar a responsabilidade que é sua para outros. Sem honra não há honestidade, à qual caberia o zelo de impedir tudo o que destrói o País. Na verdade Sr. Lula, vocês nada fizeram para impedir os roubos nas estatais, e sem ter participação, nem responsabilidade sobre as investigações, vem agora com essa conversa de que a culpa é da mídia, que em sua maioria, não se cansa de bajular o PT. Tenho mais a dizer, mesmo com todo o dinheiro que roubaram, Dirceu, Genuino, e toda a bandidagem do PT presa na papuda, dinheiro esse que pode pagar excelentes advogados, ainda foram presos. Não adianta mais Lula, nós sabemos que os ministros do STF que aceitam ser esculachados, fazem parte do aparelhamento que o PT quer impor ao estado Brasileiro.

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