Dólar fecha em alta e volta a R$ 3,61 após Yellen indicar elevação de juros

Publicado em 27/05/2016 17:21 e atualizado em 27/05/2016 23:28
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Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta e voltou a superar 3,60 reais nesta sexta-feira, com operadores aumentando as apostas de que o Federal Reserve pode elevar os juros já em junho após a chair do banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmar que aumentos devem ser apropriados nos próximos meses.

O dólar fechou em alta de 0,38 por cento, a 3,6110 reais na venda, mas abaixo das máximas da sessão, quando chegou a 3,6307 reais. Na semana, a moeda norte-americana acumulou alta de 2,64 por cento.

O dólar futuro subia cerca de 0,8 por cento no fim da tarde.

A moeda norte-americana havia subido 0,61 por cento na quarta-feira e voltado a encostar em 3,60 reais, maior patamar em mais de um mês e meio.

"Yellen ficou na linha do que vínhamos ouvindo de outros membros do Fed, apontando para a possibilidade de subir juros em breve", disse o economista da corretora Renascença Marcos Pessoa.

Em evento em Boston, Yellen afirmou que o Fed deve elevar os juros "nos próximos meses" se o crescimento econômico melhorar como o esperado e se o mercado de trabalho continuar a se fortalecer.

Os juros futuros dos EUA passaram a apontar chance de 34 por cento de aumento de juros em junho após as declarações, contra 30 por cento antes.

O aperto monetário nos EUA pode atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, que se beneficiam de juros elevados.

O dólar já vinha subindo frente ao real desde o início da sessão, com investidores adotando cautela em meio ao noticiário político intenso no Brasil e em sessão marcada por baixo volume de negócios na emenda do feriado de Corpus Christi.

"O mercado está muito esvaziado hoje e continua bastante preocupado com a política", resumiu o operador da corretora B&T Marcos Trabbold, ressaltando que o giro financeiro baixo tende a acentuar o impacto sobre as cotações.

Figuras importantes ligadas ao governo do presidente interino Michel Temer têm sido golpeadas por trechos de gravações divulgadas pela imprensa que já resultaram na queda do senador Romero Jucá (PMDB-RR) do comando do Ministério do Planejamento,.

Investidores temem que isso enfraqueça a capacidade do governo de aprovar medidas de austeridade fiscal no Congresso Nacional e afete a credibilidade do país junto a investidores estrangeiros.

O volume de negócios nos mercados globais também foi limitado porque os mercados norte-americanos não abrirão na segunda-feira devido ao feriado do "Memorial Day".

O Banco Central brasileiro não anunciou qualquer intervenção cambial para esta sessão, mantendo-se ausente do mercado pela sexta sessão consecutiva.

 

Ibovespa fecha em baixa com fala de Yellen e cautela com política doméstica

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SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa fechou no vermelho nesta sexta-feira, acentuando perdas após declarações da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, dando indicações de que o banco central norte-americano deve elevar as taxas de juros "nos próximos meses", e com cautela sobre o cenário político doméstico no radar.

O Ibovespa recuou 0,87 por cento, a 49.051 pontos, devolvendo ganhos ligeiros de mais cedo. Na semana, o índice perdeu 1,35 por cento, segunda baixa semanal seguida.

O giro financeiro do pregão foi de 4,35 bilhões de reais.

A bolsa brasileira chegou a ensaiar alta no início do pregão, ajustando-se a movimentos do mercado na véspera, quando ficou fechada por feriado. Mas não sustentou os ganhos e acentuou perdas após a fala da chair do Fed.

Yellen afirmou que se o crescimento dos Estados Unidos continuar a melhorar, assim como o mercado de trabalho, uma alta do juro nos próximos meses será apropriada.

Nesta sexta-feira, o Departamento do Comércio dos EUA informou, em segunda estimativa, que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a ritmo anual de 0,8 por cento no primeiro trimestre, ante 0,5 por cento divulgado em abril.

A cautela nos negócios na Bovespa foi engrossada pela preocupação de investidores com o noticiário político, incluindo eventuais novas divulgações envolvendo políticos próximos ao presidente interino Michel Temer.

DESTAQUES

- PETROBRAS recuou 5,07 por cento nas preferenciais, maior pressão de baixa do Ibovespa, em dia de queda nos preços do petróleo.

- USIMINAS caiu 2,3 por cento, em dia negativo no setor siderúrgico. O grupo Nippon Steel planeja contestar a eleição de Sergio Leite para a presidência-executiva da siderúrgica. "Evidencia mais uma vez embates no controle societário da Usiminas", disse a Guide Investimentos.

-QUALICORP caiu 7,06 por cento. A coluna Radar, da revista Veja, afirmou que o STJ homologou delação premiada do empresário Benedito de Oliveira Neto na Operação Acrônimo, que investiga propina na campanha do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). Entre as empresas acusadas de irregularidades estariam a Qualicorp e a petroquímica BRASKEM, cuja ação perdeu 0,62 por cento. A Qualicorp disse em comunicado que "nunca pagou propina a quem quer que seja".

- FIBRIA subiu 2,31 por cento, em dia de alta de dólar, que favorece exportadoras, e após a rival Suzano anunciar reajuste da celulose a partir de 1 de junho, para 710 dólares a tonelada na Europa, 570 dólares na Ásia e 870 dólares na América do Norte. A possibilidade de reajuste da Suzano, cuja ação ficou estável, já era ventilada pelo mercado após aumento anunciado pela Eldorado Brasil. A Fibria ainda não anunciou aumento.

- ELETROBRAS fechou com a ação ON em alta de 1,14 por cento, após notícia de que o presidente da elétrica, José da Costa Neto, pretende deixar o comando da companhia e já preparou carta de demissão por discordar de vendas de ativos da estatal, segundo afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto. O mercado tem encarado positivamente a perspectiva de venda de ativos da estatal.

Fonte: Reuters

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