Na FOLHA: Ditador Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos

Publicado em 25/11/2016 05:23 e atualizado em 26/11/2016 05:26
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O ditador cubano Fidel Castro morreu nesta sexta-feira (25), aos 90 anos, em Havana, informou seu irmão, Raúl, em pronunciamento na televisão estatal.

"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas" de sábado, disse ainda Raúl.

Símbolo da Revolução Cubana em 1959, Fidel permaneceu 49 anos no poder, antes de renunciar em nome do irmão, em 19 de fevereiro de 2008.

Sua morte marca o fim de uma era de discursos longos, frases emblemáticas e confrontos com os Estados Unidos que levaram a um embargo –indicado por Fidel como o principal determinante para o empobrecimento da população cubana.

No longo período em que esteve à frente do país, Fidel sobreviveu a nove diferentes governos americanos e a várias tentativas de assassinato. Para os EUA, ele representava uma lembrança constante e incômoda dos ideais comunistas que, apesar de praticamente abandonados no resto do mundo, permaneceram vivas a apenas 144 quilômetros de distância de sua costa.

Com uma interpretação própria sobre como encerrar as desigualdades sociais na ilha, Fidel liderou um golpe ao regime do ditador Fulgência Batista (1933-1959). Sua resistência o transformou em herói nacional e seu carisma o transformou em um líder popular. Assim, ele assumiu após a queda de Batista com promessas de restauração da Constituição de 1940, e de promover uma administração honesta, restabelecer as liberdades civis e políticas e instaurar reformas moderadas.

REVOLUÇÃO E LIDERANÇA

Um dos motivos pelos quais Fidel se manteve durante tanto tempo no poder é a sua figura profundamente carismática. Desde o início da revolução, ele frequentou atividades populares, desde seus longos discursos em tribunas abertas até a participação em debates sobre temas variados na televisão. Fidel costumava frequentar ainda eventos esportivos e culturais, sempre protegido por um forte esquema de segurança.

Membro do Partido Ortodoxo (social-democrata) nos anos 1940 e no começo dos anos 1950, Fidel tinha ideias políticas nacionalistas, anti-imperialistas e reformistas.

Em dezembro de 1956, Fidel e outros 81 rebeldes, incluindo Ernesto Che Guevara, entraram em Cuba e se estabeleceram na Sierra Maestra, de onde lançaram uma guerrilha que derrubou Batista. Fidel assumiu como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e presidente do governo e primeiro secretário do Partido Comunista desde 1976.

No poder, nacionalizou os setores do comércio e da indústria, realizou uma extensiva reforma agrária e expropriou negócios norte-americanos e grandes propriedades rurais. Seu governo logo foi tachado de autoritário e radical e Fidel passou a acumular críticas de grupos de defesa dos direitos humanos –principalmente quanto ao tratamento dado a presos políticos e dissidentes do regime.

COMUNISMO E O EMBARGO

Desde o triunfo da revolução, Cuba manteve relações estreitas com o bloco socialista, principalmente com a ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o que o afastou dos EUA. Em 1961, Fidel declara Cuba Estado socialista. No mesmo ano, Washington corta relações diplomáticas com Cuba e inicia um embargo econômico ao país, que dura até hoje.

Fidel assumiu para si a causa socialista e a luta contra o capitalismo na Guerra Fria. Já afetado pelo embargo americano, sofreu duro golpe quando Mikhail Gorbatchov (1985-91) assumiu o poder na URSS e instaurou abertura política e econômica e suspendeu o crucial apoio à ilha.

FAMÍLIA

  Javier Galeano/Associated Press  
Rául Castro (à dir.), ao lado do irmão Fidel (centro); Fidel morre em Cuba aos 88 anos
Rául Castro (à dir.), ao lado do irmão Fidel (centro); Fidel morre em Cuba aos 88 anos

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926, em Birán, atual província de Holguín (leste de Cuba). Filho de Lina Ruz, foi reconhecido pelo pai, Ángel Castro, imigrante espanhol e latifundiário, somente aos 17 anos.

Fidel frequentou escolas católicas nas províncias de Santiago de Cuba e Havana, onde estudou também em uma escola jesuíta, o Colégio de Belen. Em 1945, entrou na Universidade de Havana, onde se graduou em Direito e atuou como líder estudantil.

Fidel se casou com Mirta Diaz-Balart em 1948 e divorciou-se em 1954. Seu filho, Fidel Castro Diaz-Balart (Fidelito), que nasceu em 1949, trabalhou como chefe da comissão de energia atômica cubana. É físico nuclear e assessor científico do governo cubano. Em 1956, Fidel teve um caso extraconjugal com Natalia Revuelta. Alina Fernandez, filha dos dois, só soube aos dez anos que era filha do grande ditador cubano. Ela vive como exilada nos EUA desde 1993.

Fontes: Folha de S. Paulo, Reuters, "Enciclopédia Britannica" e "Almanaque Abril 2009" 

 
Fonte:
Folha de S. Paulo

2 comentários

  • Carlos Massayuki Sekine Ubiratã - PR

    FIDEL: Já vai tarde, mas vai em um momento oportuno, o mesmo momento em que Donald Trump vence as eleições para presidente dos EUA. Vai ser muito difícil o regime se manter nessas circunstâncias. Quem sabe, junto com a Bolívia, Equador e Venezuela, Cuba, que foi o início de tudo, marque também o fim do pesadelo socialista na América Latina. Estive naquele país em 2009 em missão oficial da Embrapa para transferência de tecnologia em produção de soja e pude constatar com os meus próprios olhos a situação do país. Não era nenhum inferno como muitos pensam que é. Não se via pobreza absoluta, porém o país inteiro (exceto as pessoas ligadas ao governo) poderia ser classificado como classe média baixa, ou seja, uma pobreza relativa. As pessoas tinham o mínimo para viver. O salário de um Agrônomo, por lá, era de 25 dólares. Apesar de tudo, dizem que o IDH de Cuba, pasmem, é maior que o do Brasil. Nenhum mérito para Cuba. Vergonha para o Brasil, vítima dos mesmos ideais de esquerda. A pior fase de Cuba, que foram os anos após a queda do muro de Berlim, já havia passado. A tutela da União Soviética, após a sua queda, havia sido substituída pela ajuda da China e da Venezuela. O interessante é que os automóveis contavam a história dessa transição. Os carros que se viam nas ruas, (poucos, já que a maioria não tem condições de mantê-los) se dividiam em três grupos: os carrões americanos de antes da revolução, os soviéticos da revolução até a queda do bloco socialista e os chineses após a mesma. A maioria das pessoas de lá são conformadas com a própria vida, até porque não conhecem outra e, após duas ou três gerações sob o regime, são vítimas da lavagem cerebral promovida pela mídia oficial desde o berço, assim como ocorre com os norte coreanos. São pessoas muito simpáticas e parecidas com os brasileiros em sua miscigenação e em seu comportamento. Até dizia a eles que eram como baianos que falam espanhol. Todos têm boa educação e acredito que sob um regime de livre mercado, logo vão prosperar. Conheci também a famosa cadernetinha para controlar a ração individual de mantimentos que invariavelmente não durava além da metade do mês, o restante era conseguido no mercado informal sabe se lá de que jeito. A pobreza era aparente nas ruas e prédios decrépitos de Havana, exceto nos hotéis para estrangeiros que eram muito bem mantidos. A segregação entre a população e os turistas e visitantes estrangeiros também era aparente, pois até a moeda utilizada era outra. Os visitantes como eu utilizavam o CUC (peso conversível) que vale um dólar americano e a população utilizava o peso cubano que valia uma fração (mais ou menos 1/25) da outra moeda, ou seja, o povo nunca teria acesso aos mesmos bens e serviços disponíveis aos visitantes. A ilha pode ter até um IDH melhor que o do Brasil, pode ter até seus méritos em educação, mas o mais provável de agora em diante é que vamos assistir ao fim de mais uma aventura de um ideário que já nasceu condenado porque não considerou o mais importante dos anseios do ser humano... a liberdade.

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Sr. Carlos, todos os representantes dos regimes autoritários são personagens oportunistas

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      ... que entram para a história porque montaram no cavalo arreado que passou naquele momento. As circunstâncias que levaram esses "lideres" ao poder, a historiografia, mostra valores e fatores diferentes. Os ingredientes desse caldo têm em comum o nacionalismo exacerbado e a recusa da ordem instalada, daí para a guinada de rumo é uma "faísca".

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Estou pensando e escrevendo aos solavancos, mas o que queria dizer é que as massas aceitam as mentiras do momento ... o perigo é a índole de quem conta essas mentiras... Veja esse recente período que fomos conduzidos, com as mentiras lulopetistas ... Veja o estrago que causaram ao país !!! ... Sinceramente, não sei qual deve ser o sistema para que nos safemos desse "círculo vicioso", pois tem-se mostrado cíclico, parece um moto continuo, não precisa de novas energias, tanto é verdade que sempre vemos os mesmos políticos com seus discursos salvadores... COMO FAZ PARA NOS SALVARMOS DESSES POLÍTICOS ???

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    • Carlos Massayuki Sekine Ubiratã - PR

      Na verdade, Sr. Rensi, o problema todo é o tamanho do Estado. Seja no comunismo ou no capitalismo made in Brazil, os recursos necessários para o crescimento econômico vão para o governo e lá acabam sendo distribuídos para os empresários "amigos do rei" do momento e também para manter os privilégios dos políticos e servidores de um Estado gordo e insaciável. Com a recente queda de arrecadação causada pelo próprio governo, os movimentos para arrancar um pouco mais do nosso couro já estão começando sorrateiramente na forma, por exemplo, da indústria das multas rodoviárias, aumento das tabelas de valor de lotes rurais e urbanos (para cálculo de tributos), aumento das taxas de IPVA, etc...

      Todos nós devemos defender o Estado mínimo. Quanto menor o Estado, menor a margem para a corrupção, para a incompetência administrativa e para o parasitismo de servidores inúteis.

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    • Pedro A Philippsen nova santa rosa - PR

      sistema confederativo urgente.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      FIDEL CASTRO CRUZ===LIÇOES DE UMA TRAGEDIA

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Sr. Carlos, a narrativa da ocorrência dos fatos sempre existem dois sujeitos: O Protagonista e O Coadjuvante. ...Fidel ocupa o papel de Protagonista, mas se analisarmos num horizonte maior, antes dele receber apoio da União Soviética, ele foi aos EUA pedir apoio ao governo americano, que lhe foi negado, ou seja, se torna um Coadjuvante, pois ele foi "usado" por interesses maiores. ... No nosso Brasil, o sistema judiciário dá maior importância ao rito do que aos fatos, trocando em miúdos: Na Lava Jato, muitos estão sendo presos, altas quantias estão sendo devolvidas ao poder público, mas alguém ouviu dizer se os DONOS DAS EMPRESAS estão sendo responsabilizados? Se algum juiz mandou eles devolverem o dinheiro roubado que foi para seus bolsos em forma de dividendos? Ou os lucros de superfaturamentos não foram contabilizados? Temos que cobrar desse judiciário estabilizado a "Teoria do Domínio do Fato" !!! & Mudar o "sistema" de relação do público com o privado. Há muitos países no mundo que após a obra ser licitada, quem toca a obra é uma seguradora que faz o contrato com o governo, não vemos noticias de corrupção de empreiteiras que constroem obras para o poder público nos EUA, por exemplo. É que lá funciona esse "sistema"...

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      NAO---FIDEL RECEBEU TODO O DINHEIRO DA SECUNDA TENTATIVA DE GOLPE DA CIA NORTE -AMERICANA---SUA IRMA QUE MORA NOS ESTADOS UNIDOS ATE' HOJE SERVIA DE CONTATO----UMA VEZ GANHA A REVOLUÇAO OS ESTADOS UNIDOS COBRARAM A CONTA-----PEDIRAM QUE SE INSTALASSE UMA VOTAÇAO PARA QUE O POVO CUBANO PUDESSE ESCOLHER SEUS PROPRIOS GOVERNANTES-----ESTE FOI O PONTO DE RUPTURA ENTRE OS DOIS---UM FINANCIOU E O OUTRO DEU CALOTE.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Na segunda tentativa , a bordo do barco GRANMA, haviam 80 guerrilheiros--Depois do barco ter encalhado na praia cubana foi metralhado e so' sobraram 40 -----Fidel foi dado como morto---Para divulgar o contrario FIDEL chamou um repórter do NEW YORK TIME, e nesta entrevista declarou que estava lutando para que o povo cubano pudesse ter eleições livres e democráticas para escolher seus governantes---MENTIROSO E FALSO IGUAL A PETISTA--

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    • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

      Para quem é leigo, quando Cuba era aliado da União Soviética, Cuba tinha os melhores médico, Cuba tinha os melhores atletas do mundo, Cuba tinha a maior Usina de açúcar do mundo, faziam quase 50 subprodutos da cana, o Brasil hoje acho que faz meia duzia. Os Estados Unidos alegou que Cuba era comunista e fechou o comercio mundial. Os Americanos na verdade não queiram que Cuba transformassem em uma potencia ao lado da União Soviética, esse é o motivo que os intelectuais gostam de Fidel, Fidel investia em Educação, uma pena que a União Soviética quebrou pela corrupção. Hoje Cuba era para ser uma potencia melhor que Israel. Mas os tempos mudaram, hoje os Americanos ficam olhando para os satélites fazendo manobras o espaço, Americanos acham que esses satélites carregam bomba de hidrogênio, Americanos já eram ! China e Russia meteram um freio nos Americanos ! É mole ! Satélites fazendo manobras no espaço, satélite Americano hoje já é um lixo no espaço !

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      HAJA SABEDORIA !!!

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  • geraldo emanuel prizon Coromandel - MG

    Diz o provérbio: "Não há bem que sempre dure, NEM MAL QUE NÃO SE ACABE."

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