Dólar sobe 1,5%, encosta em R$ 4,15 com cena eleitoral e tem segunda maior cotação da história

Por Claudia Violante
SÃO PAULO (Reuters) - Após dois pregões em baixa, o dólar voltou a fechar com forte elevação, superior a 1 por cento e perto dos 4,15 reais, no segundo maior valor do Plano Real, com a cautela diante das incertezas com o cenário eleitoral doméstico se sobrepondo ao ambiente externo mais tranquilo.
O dólar avançou 1,48 por cento, a 4,1414 reais na venda, abaixo apenas dos 4,1655 reais de 21 de janeiro de 2016, o maior valor registrado no Plano Real. Na máxima, a moeda encostou em 4,15 reais, a 4,1479 reais. O dólar futuro tinha elevação de cerca de 1,4 por cento.
"Há muita coisa pela frente", justificou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, referindo-se às eleições.
A moeda até chegou a cair ante o real no início dos negócios, indo à mínima de 4,0623 reais, em sintonia com o mercado externo. Mas o movimento não se sustentou diante da apreensão eleitoral.
Na véspera, o Supremo Tribunal Federal (STF) informou que analisará em julgamento virtual em setembro um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra uma decisão do plenário da corte que negou habeas corpus ao petista no início de abril.
Teve início nesta terça-feira o julgamento, pela primeira turma do STF, de denúncia que pode tornar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) réu por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados. Ainda não havia terminado até o mercado cambial fechar.
Embora não haja qualquer tipo de impedimento à candidatura de Bolsonaro à Presidência caso se torne réu, a situação amplia a cautela dos investidores devido a um cenário de insegurança jurídica.
Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário em que Lula não está na disputa, também seguirá no foco uma vez que dará entrevista ao Jornal Nacional, um dia depois de Ciro Gomes (PDT) ter inaugurado o ciclo de conversas.
No exterior, o dólar tinha leve queda ante a cesta de moedas após o pacto entre EUA e México para reformular o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).
Mas passou a subir ante as divisas de países emergentes, depois de operar em baixa em grande parte da sessão, contribuindo para pressionar o dólar ante o real.
O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 4,8 bilhões de dólares do total de 5,255 bilhões de dólares que vence em setembro.
Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.
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