The Economist e The Wall Street Journal já admitem Bolsonaro como presidente do Brasil

Publicado em 11/10/2018 16:24 e atualizado em 14/10/2018 18:47
2671 exibições

Bolsonaro está no caminho para vencer a eleição, diz The Economist

SÃO PAULO - Como tem sido cada vez mais comum, a revista britânica The Economist voltou a colocar o Brasil em sua edição semanal, desta vez destacando o resultado do primeiro turno das eleições e já apontando o favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL) para ser o próximo presidente do país.

De acordo com a publicação, o mercado já dá 85% de chance de uma vitória do deputado e isso seria "uma resposta extraordinária a uma série de traumas que se abateram sobre o maior país da América Latina nos últimos anos".

"Para consertar esses problemas, os brasileiros estão se voltando para um político provocador mais notável pelo extremismo de sua retórica do que por qualquer coisa que ele conseguiu em sete mandatos como congressista", diz a Economist ressaltando que Bolsonaro "insultou mulheres, negros e gays".

O texto destaca também a grande renovação da Câmara dos Deputados e aponta o poder que terá o PSL de Bolsonaro, que ainda deverá contar com o apoio do centrão para conseguir aprovar pautas importantes.

E diante disso, o que se vê é uma caminhada do país para o conservadorismo, como destaca o cientista político do Insper, Fernando Schüler, para a publicação: "as eleições mostram que o 'homem comum' tem atitudes conservadoras em relação ao casamento gay, ao aborto e à pena de morte".

"É mais fácil dizer contra o que os brasileiros se rebelaram - corrupção, crime e o caos econômico dos últimos anos - do que pelo o que eles votaram", diz a Economist.

Leia a íntegra no site Infomoney.

Antes uma ameaça, Bolsonaro agora não é risco de golpe, analisa Economist (no Poder360)

Economist falha em suas previsões políticas

Em 20 de setembro de 2018, a revista semanal britânica The Economist publicou em sua capa uma foto alterada digitalmente de Jair Bolsonaro com o título: “Latin America’s latest menace” (a última ameaça na América Latina). Agora, menos de 1 mês depois, a publicação afirma que o candidato a presidente pelo PSL não representa risco de 1 golpe de Estado. 

Ao contrário, a Economist afirma que se Bolsonaro vencer ele não “vai querer nem poderá tentar replicar uma ditadura”, uma vez que sua ascensão é resultado de “ódio generalizado ao PT e demanda generalizada por mudança“.

As novas avaliações da Economist estão na edição que chega nesta 5ª feira (10.out.2018) aos assinantes. O texto é da seção analítica Bello, sob o título “O autoritário sem exército”. A revista tem oscilado de maneira relevante em suas ultimas avaliações sobre o Brasil nos últimos anos. Já publicou em sua capa a imagem da estátua do Cristo Redentor decolando e depois caindo.

Embora seja muito conceituada pela forma aguda e precisa no noticiário sobre finanças e economia, a Economist é também conhecida por fazer avaliações nem sempre certeiras quando mistura política com projeções econômica. Há uma semana, falava sobre risco de crise cambial no Brasil por causa do resultado da eleição presidencial. Não existe nada nem próximo desse tipo de cenário neste momento.

No artigo desta semana, a Economist é bem mais condescendente com Bolsonaro do que foi em setembro —sem que nada tivesse acontecido para melhorar ou piorar a imagem do candidato militar a presidente.

A revista comenta a visão de uma parcela dos brasileiros sobre a similaridade entre a convergência de interesses de setores em uma “colaboração civil-mitar” no contexto de 1964 e nas eleições de 2018.

Os paralelos estariam na polarização radical entre a esquerda e a direita, no saudosismo de Bolsonaro aos regimes militares do Cone Sul- incluindo o do ditador chileno Augusto Pinochet- e a crescente interferência dos militares em assuntos da arena política.

No entanto, para a revista, “nada disso significa que Bolsonaro, em caso de vitória, vai querer ou poderia tentar impor uma ditadura”.

A popularidade do candidato “reflete um ódio disseminado pelo PT e um clamor popular por mudança, renovação econômica e segurança em face a um sistema político falido, queda na economia e uma onda de crimes- mas não necessariamente pelo comando militar”.

“Isso não é a Guerra Fria”, comenta Matias Spektor, professor de relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas. “A mídia e uma sociedade civil vibrante apoiam a democracia” acrescenta.

A Economist frisa o distanciamento que o comando da caserna prefere manter de assuntos fora da alçada militar e a a maioria de moderados que assumem o compromisso com a Constituição.

O principal símbolo e comandante das Forças Armadas, general Villas Bôas, considera os poucos que pedem 1 golpe de Estado como “loucos” de “cabeça quente”. Ao mesmo tempo, os militares não querem a interferência do governo nas decisões internas- “O exército tomará suas próprias decisões“, diz o especialista em defesa Alfredo Valladão.

A força autoritária de Bolsonaro estaria mais interessada na dinastia política do que em um regime autoritário em si. “Como diz Spektor, é a qualidade da democracia brasileira, e não sua sobrevivência, que corre um risco mais imediato“, finaliza.

The Wall Street Journal: Um populista conservador cobra adiantado na corrida presidencial

Editorial do Wall Street Journal de ontem. 

"Os progressistas globais estão tendo um ataque de ansiedade após o quase-triunfo de domingo do candidato presidencial conservador do Brasil, Jair Bolsonaro. Depois de anos de corrupção e recessão, aparentemente milhões de brasileiros acham que um outsider é exatamente o que o país precisa. Talvez eles saibam mais do que os críticos ao redor do mundo.

Bolsonaro obteve surpreendentes 46%, pouco menos que os 50% necessários para vencer no primeiro turno. Ele agora é favorito contra Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo que teve 29%. O segundo turno é em 28 de outubro.

Bolsonaro, que passou 27 anos no Congresso, é descrito como um populista conservador que promete tornar o Brasil grande pela primeira vez. O candidato de 63 anos está seguindo os valores tradicionais e freqüentemente diz coisas politicamente incorretas sobre políticas identitárias que inflamam seus oponentes. No entanto, ele atraiu o apoio da classe média ao se comprometer a reduzir a corrupção, reprimir o crime desenfreado no Brasil e libertar os empresários do controle do governo.

Ele não chegou a prometer privatizar totalmente a estatal Petrobras, mas seu assessor econômico disse que venderia suas subsidiárias, desregulamentaria grande parte da economia e restringiria os gastos do governo. Quanto à criminalidade, prometeu restaurar a presença policial em áreas urbanas e rurais que se tornaram sem lei.

Os oponentes alegam que Bolsonaro elogiou as forças armadas e, algumas vezes, o regime militar de 1964-1985, sugerindo que ele é uma ameaça à democracia. Mas ele não está propondo mudar a constituição, que limita o poder dos militares no país.

Por outro lado, Haddad quer reescrever a constituição para incluir uma assembléia constituinte ao longo das linhas do modelo venezuelano. Ele também quer mudar a forma como as promoções militares são feitas, dando o poder ao presidente. Isto é algo tirado diretamente do manual de Hugo Chávez.

Haddad é o candidato escolhido a dedo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está cumprindo uma sentença de 12 anos por suborno, mas, continua a ser um herói da esquerda. Lula aproveitou o boom das commodities para ganhar popularidade nos anos 2000, mas ele e sua sucessora geriram mal a economia e um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras manchou grande parte da classe política.

O pequeno Partido Social Liberal, de Bolsonaro, carece de dinheiro e da máquina de que dispõe o Partido dos Trabalhadores (PT) de Haddad, mas Bolsonaro é quem está em alta no momento. O PT continua com o maior bloco da Câmara dos Deputados, com 56 representantes, mas o partido de Bolsonaro elegeu 52 e conquistou quatro cadeiras no Senado. O PT se saiu bem em sua fortaleza tradicional do Nordeste, mas não conseguiu eleger um governador no resto do país.

Depois de tanto tumulto político e corrupção, não é de surpreender que os brasileiros estejam respondendo a um candidato que promete algo melhor."

Can he deliver? (O Antagonista)

William Waack, em artigo no Estadão, fala da incompreensão dos estrangeiros sobre o tsunami bolsonarista.

Boa parte da imprensa fala em fascismo e prenúncio de “tempos duros”, enquanto os investidores questionam se Jair Bolsonaro poderá “entregar” as reformas necessárias.

“O ‘fenômeno político Bolsonaro’ atraiu enorme atenção fora do Brasil – e dificuldades de interpretação idem. O mínimo denominador comum encontrado entre publicações normalmente divergentes entre si (como The Guardian ou  The Economist), por exemplo, foi o de ressaltar perigos severos à democracia. A palavra “fascista” aparece em publicações como Der Spiegel, revista importante num país no qual esse vocábulo tem peso muito especial. Mesmo o  Financial Times, que provavelmente tem a melhor cobertura do Brasil na grande imprensa internacional, vê na figura de Bolsonaro o prenúncio de tempos duros – a inversão de uma tendência, segundo o FT, que o Brasil também simbolizara ao sair do regime militar há mais de 30 anos.

Para comediantes da telinha americana como John Oliver, a eleição brasileira virou piada pronta, com a exibição das aberrações de propaganda eleitoral produzida por candidatos a deputado, passando por Lula na cadeia (aqui fora se acha mesmo piada que um presidiário surgisse como favorito nas pesquisas eleitorais) e chegando até algumas das frases mais contundentes de Bolsonaro – aqui, segundo o humorista, acaba a graça.

A ‘guerra cultural’ brasileira invadiu também o espectro de opiniões nos Estados Unidos, com o Wall Street Journal reconhecendo em editorial que progressistas no mundo inteiro ingressaram em ‘estado de ansiedade’ desde que os brasileiros deram votação tão expressiva a Bolsonaro. Mas não será o próprio eleitor brasileiro que sabe melhor que ninguém de qual candidato precisa?, indagou o WSJ.

Quanto aos investidores estrangeiros, concentrados em grande número em Nova York, a política brasileira se resume a uma pergunta: “Can he deliver?” – Bolsonaro consegue entregar o que precisa ser feito, na perspectiva de quem pretende pôr dinheiro no nosso país, ou seja, ele consegue as reformas necessárias para atacar a questão do gasto público e a recuperação da capacidade de investimento na economia?”.

A liberdade de imprensa é maiúscula

Jair Bolsonaro voltou a defender a liberdade de imprensa, apelando para letras maiúsculas (porque muita gente é surda):

“Ao contrário do que propõem nossos adversários, SOMOS CONTRA QUALQUER TIPO DE CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA E INTERNET.”

Fonte: The Wall Street Journal

1 comentário

  • Antonio Carlos Jr Zamith Rio de Janeiro - RJ

    Perderam a aposta os 2 órãos internacionais que engoliram as calunias da imprensa esquerdista brazuca. W. Waak contrapõem esses que clamam perigo para cleptocracia reinante.

    0