Ibovespa fecha em queda com exterior em meio a cautela antes de Fed

Publicado em 17/12/2018 18:11 e atualizado em 17/12/2018 21:50
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em queda de mais de 1 por cento nesta segunda-feira, pressionada sobretudo por ações de bancos, tendo de pano de fundo o viés negativo no exterior, onde a cautela prevaleceu antes da última reunião de política monetária do banco central dos EUA.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,2 por cento, a 86.399,68 pontos.

O volume financeiro da sessão somou 17,85 bilhões de reais, ampliado pelo exercício de opções sobre ações, que movimentou 6,1 bilhões de reais.

Em Nova York, o Dow Jones e o S&P 500 tinham quedas expressivas, com um prognóstico de que as ações nos Estados Unidos estão em 'bear market' (viés de baixa) de longo prazo acentuando vendas em um ambiente já cauteloso antes da reunião do Federal Reserve.

Em entrevista à rede norte-americana CNBC, Jeffrey Gundlach, presidente-executivo da DoubleLine Capital e conhecido em Wall Street como 'o rei dos bônus', afirmou que o S&P 500 está no caminho de novas baixas e que as ações nos EUA estão em um 'bear market' de longo prazo.

Segundo profissionais da área de renda variável, os mercados globais refletem receios com o ritmo da economia mundial e a sinalização do Fed será amplamente monitorada, pois deve dar pistas sobre o ritmo da normalização das taxas de juros nos EUA.

No Brasil, os fortes ganhos verificados em 2018 abrem espaço para movimentos de realização de lucros, tendo como pano de fundo também alguma precaução com o novo governo que assume o país sob o comando do presidente eleito Jair Bolsonaro.

"Investidores estão sem novo motivo para manter as compras nesse final de ano e alguns começam a desmontar posições ou realizar os lucros - hoje especialmente em papéis de bancos", avaliou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 2,67 por cento e Bradesco PN recuou 1,95 por cento, ambos respondendo pelos maiores pesos negativos no Ibovespa. No ano, as ações ainda sobem 30 e 24 por cento, respectivamente.

- B3 recuou 2 por cento, após a operadora da bolsa paulista divulgar estimativas para 2019, incluindo a de investimento de 250 milhões a 280 milhões de reais e a de despesas ajustadas de 1,03 bilhão a 1,08 bilhão.

- JBS caiu 1,5 por cento, com o cenário externo adverso também abrindo espaço para realização de lucros nos papéis, que acumulam em 2018 valorização de mais de 20 por cento. No setor, MARFRIG recuou 3,3 por cento e BRF fechou estável.

- PETROBRAS PN cedeu 0,8 por cento, sucumbindo ao declínio dos preços do petróleo no exterior. Ainda, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a discussão sobre a cessão onerosa será retomada em 2019, com repartição de recursos com Estados e municípios.

- VALE avançou 0,73 por cento, atuando como contrapeso às vendas, em linha com o movimento de mineradoras na Europa, além da alta dos futuros de minério de ferro na China. Siderúrgicas também subiram, com USIMINAS PNA à frente, em alta de 4,4 por cento.

- EMBRAER subiu 2,5 por cento, após aprovar com a Boeing os termos da venda do controle de sua divisão de aviação comercial para o grupo norte-americano.

- SMILES subiu 2,5 por cento, após sua controladora Gol rever o plano de incorporação da companhia de programas de fidelidade. GOL chegou a cair quase 5 por cento, mas fechou em alta de 0,17 por cento, ainda apoiada no fim do limite de participação estrangeira em aéreas no Brasil.

Telefônica Brasil vê sinais de retomada da economia, mantém estratégia para 2019

SÃO PAULO (Reuters) - A Telefônica Brasil, que opera sob a marca Vivo no país, já vê sinais de melhora na economia, o que juntamente com a aprovação do projeto de lei que destravará os investimentos no setor deve contribuir para resultados mais positivos em 2019, disseram nesta segunda-feira executivos da companhia.

"Se tudo correr bem, e as sinalizações até agora são nesse sentido, acreditamos que será um ano positivo", afirmou Christian Gebara, que assumirá o comando da Telefônica Brasil a partir de 1º de janeiro.

Segundo o atual presidente da empresa, Eduardo Navarro, o novo governo já se mostrou sensível às demandas do setor de telecomunicações. "Estive com o futuro ministro (da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) Marcos Pontes, fiquei muito bem impressionado", contou Navarro, que seguirá como presidente do conselho de administração da empresa.

Os executivos, que trabalham juntos desde 2006, ressaltaram que a transição no comando estava programada e que haverá continuidade na estratégia de negócios.

"Não esperem mudanças radicais porque não é essa a ideia... Teremos continuidade com evolução constante”, explicou Gebara, que ocupava a vice-presidência de operações da operadora, uma posição que deixará de existir na nova configuração.

Além da esperada melhora de indicadores macroeconômicos relevantes para uma empresa ligada ao consumo como é o caso da Telefônica Brasil, Navarro citou ainda expectativa de aprovação no Congresso do projeto de lei 79/2016 que cria um novo marco regulatório para as telecomunicações.

"Se houver interesse, poderia ser aprovado no começo do ano que vem, o que é preciso para destravar o investimento", disse, ressaltando que a proposta retira das atuais concessionárias de telecomunicações algumas obrigações a instalação de telefones públicos nas ruas.

Gebara reiterou que a meta da Telefônica Brasil é elevar as receitas, expandindo o serviço para mais cidades e mantendo liderança em telefonia móvel, além de avançar na estratégia de digitalização dos negócios.

De acordo com ele, a companhia espera chegar até o fim deste ano a mais de 3 mil cidades com a rede 4G, e mais de 1 mil com a 4.5G. Em conexão por fibra óptica, a empresa vê potencial para atender 15 milhões de residências via rede FTTH em 2020, ante 9 milhões de moradias atualmente.

O novo presidente afirmou ainda que a Telefônica Brasil vem se preparando para a tecnologia 5G, mas o lançamento não deve ocorrer antes de 2021. "Vai depender da melhor frequência disponível para 5G, de aparelhos que funcionem nesse sistema...Ainda levará de dois a três anos para começar no Brasil", explicou.

Enquanto isso, a operadora tem se empenhando para oferecer pacotes de serviço com maior valor agregado, trazendo parceiros como NBA, Netflix, Amazon Prime, além de oferecer benefícios para quem contrata serviços fixos e móveis.

A Telefônica Brasil também está concentrada em diversificar as operações para além de serviços de telefonia e dados. A companhia, que já oferece seguros para smartphones por meio da Zurich, agora testa um serviço de seguro para automóveis.

"Vai ter um aplicativo que acompanha o usuários quando dirige e quando não. Dependendo do número de horas, pode te dar desconto no fim do mês (no valor de seguro)... Estamos testando com funcionários. Se tudo der certo, pode ir ao ar em cerca de três meses", comentou o novo presidente, sem informar o nome do parceiro da empresa na iniciativa.

Outra ideia em análise é a oferta de microempréstimos, disse Gebara. A Telefônica Brasil já empresta dinheiro para recarga a clientes de linhas pré-pagas. "Analisamos parcerias para crédito ao cliente", afirmou o executivo.

Questionados sobre consolidação no setor, os executivos afirmaram que a Telefônica Brasil está satisfeita com o ritmo de crescimento orgânico da companhia, embora siga atenta às movimentações no mercado.

"Em geral, a consolidação tende a ser boa para o consumidor pela questão do ganho de escala", disse Navarro. Especificamente sobre a disputa pelo controle da operadora de telefonia celular Nextel, colocada à venda no fim de junho pela NII Holdings, ele disse "não ser prioridade" para a Telefônica Brasil.

Às 17:26, as ações da Telefônica Brasil cediam 1,6 por cento, a 47,72 reais. Em 2018, contudo, os papéis acumulam ganho de cerca de 6 por cento, enquanto os da rival TIM caíram 6,7 por cento no ano.

Fonte: Reuters

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