Dólar volta a fechar acima de R$ 3,70 com fluxo de saída

Publicado em 10/01/2019 17:52 e atualizado em 10/01/2019 18:23
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a subir e fechou acima de 3,70 reais nesta quinta-feira, depois de dois dias em queda, influenciado por um forte fluxo de saída, após a moeda norte-americana não mostrar uma tendência firme no período da manhã.

O dólar avançou 0,58 por cento, a 3,7091 reais na venda, depois de fechar a sessão anterior em baixa de 0,75 por cento, a 3,6878 reais, menor nível desde 26 de outubro de 2018.

Na mínima, a moeda foi a 3,6757 reais e, na máxima, no meio da tarde, saltou a 3,7260 reais. O dólar futuro DOLc1 subia 0,71 por cento.

"A saída foi expressiva e fez um movimento brusco no dólar", comentou um gestor de derivativos de um banco estrangeiro ao citar algo em torno de 1 bilhão de dólares.

O superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, esclareceu que houve uma antecipação de compras a futuro que impactou no mercado à vista, e citou um volume de 1,8 bilhão de dólares.

O mercado estava "de lado" até então, com investidores ainda à espera de medidas concretas após o término das negociações comerciais entre Estados Unidos e China e também da proposta de reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro.

"O mercado ainda está em lua de mel com o governo e isso acaba aliviando a pressão externa", disse mais cedo o operador de câmbio Jefferson Laatus, sócio da LAATUS Educacional, ao lembrar que o mercado também aguardava o discurso de Jerome Powell, chairman do Federal Reserve, nesta tarde.

Powell reforçou que o BC norte-americano pode ser paciente na condução da política monetária e disse que não há um número predefinido de altas dos juros para este ano.

A ata da reunião do Fed de dezembro, divulgada na véspera, mostrou que muitos membros da autoridade monetária afirmaram no mês passado que poderiam ser pacientes sobre os futuros aumentos da taxa de juros e alguns até mesmo não apoiaram o aumento decidido na reunião. Na ocasião, os formuladores de política reduziram para duas a previsão de altas de juros neste ano.

A expectativa sobre a trajetória dos juros nos EUA tem relevância ainda maior diante dos temores de desaceleração econômica global, que ganharam ainda mais força nesta quinta-feira, após dados mostrarem que os preços ao produtor na China avançaram em dezembro no ritmo mais fraco em mais de dois anos, sinalizando risco deflacionário.

O mercado também avalia sinais mistos das negociações comerciais entre EUA e China. Os chineses disseram que os três dias de negociações em Pequim estabeleceram uma base para resolver as diferenças entre os dois países, mas não deram nenhum detalhe sobre as questões mais importantes.

Internamente, os investidores seguiam otimistas com o novo governo e na expectativa de anúncio de uma proposta robusta de reforma da Previdência para resolver o problema fiscal brasileiro.

"Por ora, o mercado deve ficar rondando os 3,70 reais, um pouco para cima, um pouco para baixo, a depender do noticiário. Podemos sair desse nível quando tivermos mais dados com a reforma, saber a disposição dos novos parlamentares", acrescentou Laatus.

Na véspera, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, afirmou que até 2 milhões de benefícios previdenciários deverão ser auditados por terem indícios de irregularidades, dentro do escopo da medida provisória antifraude que deve ser assinada até segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro.

O BC vendeu nesta sessão 13,4 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 4,69 bilhões de dólares do total de 13,398 bilhões de dólares que vencem em fevereiro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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Fonte: Reuters

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