Representante do Comércio dos EUA não viu progresso nas negociações com a China, diz senador

Publicado em 15/01/2019 23:14
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WASHINGTON (Reuters) - O representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, não viu qualquer progresso em questões estruturais durante as negociações comerciais com a China na semana passada, disse nesta terça-feira o senador republicano Chuck Grassley, no momento em que surgem planos para discussões de nível mais elevado no fim do janeiro.

Grassley, que se reuniu com Lighthizer na sexta-feira, disse que o principal negociador comercial fez comentários positivos sobre as compras de soja pela China, que foram retomadas em quantidades modestas no mês passado após Pequim e Washington terem acertado uma trégua de 90 dias em uma guerra comercial que interrompeu o fluxo de centenas de bilhões de dólares em bens.

"Mas ele (Lighthizer) disse que não houve nenhum progresso feito em mudanças estruturais que precisam ser feitas", disse Grassley em sua entrevista telefônica semanal com repórteres, acrescentando que essas questões incluem propriedade intelectual, roubo de segredos comerciais e colocar pressão sobre corporações para compartilharem informações.

A reunião ocorreu após autoridades chinesas e norte-americanas de médio escalão se reunirem em Pequim para discutir as ofertas chinesas sobre as reclamações dos EUA sobre roubo de propriedade intelectual e aumentar compras de bens e serviços dos EUA. Ambos os lados estão tentando alcançar um acordo que evite o aumento, previsto para 2 de março, das tarifas dos EUA sobre 200 bilhões de dólares em bens chineses.

Grassley disse que autoridades chinesas devem visitar Washington para uma nova rodada de conversas em algumas semanas. "Do meu ponto de vista... a economia da China está sofrendo... há chance para progresso", disse ele.

Uma pessoa familiarizada com o planejamento do governo Trump para as negociações disse que o vice-premiê chinês, Liu He, aceitou um convite para ir a Washington para conversas com Lighthizer e com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, em 30 e 31 de janeiro, pouco antes do Ano Novo Chinês em 5 de fevereiro.

Um porta-voz do representante do Comércio dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os comentários feitos por Grassley a repórteres ou sobre datas específicas para a próxima rodada de negociações EUA-China. Os comentários do presidente do Comitê de Finanças do Senado abalaram brevemente o sentimento do mercado acionário dos EUA.

EUA esmagam 171,7 mi bushels de soja em dezembro, acima do esperado, diz Nopa

CHICAGO (Reuters) - O ritmo mensal de processamento de soja nos Estados Unidos saltou em dezembro para o terceiro nível mais alto já registrado e o maior já observado para o último mês do ano, informou a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (Nopa, na sigla em inglês) nesta terça-feira.

Os membros da Nopa, que processam cerca de 95 por cento de toda a soja nos EUA, esmagaram 171,759 milhões de bushels de soja no mês passado, bem à frente dos 166,959 milhões em novembro e dos 166,305 milhões em dezembro de 2017, o recorde anterior para o mês.

O número também superou a maioria das previsões de mercado, que apontavam em média para 170,016 milhões de bushels, com base em estimativas coletadas pela Reuters junto a 10 analistas.

Os processadores têm bastante soja disponível para ser processada, já que uma safra recorde de 4,6 bilhões de bushels de soja aumentou o volume de reservas, enquanto as exportações da oleaginosa caíram devido a uma guerra comercial com a China, o maior importador do mundo.

Os estoques de óleo de soja no final de dezembro estavam em 1,498 bilhão de libras, um pouco acima dos 1,484 bilhão no final de novembro, mas abaixo dos 1,518 bilhão de libras em igual período do ano anterior.

Foi o primeiro aumento de estoques de óleo de soja em oito meses, segundo dados da Nopa.

As exportações de farelo de soja em dezembro caíram para 826.404 toneladas, de 901.449 toneladas exportadas em novembro e 921.726 toneladas em dezembro de 2017, disse a Nopa.

China sinaliza mais estímulo conforme desaceleração econômica se aprofunda (na FOLHA)

A China sinalizou nesta terça-feira (15) mais medidas de estímulo no curto prazo uma vez que a guerra tarifária com os Estados Unidos pesou sobre seu setor comercial e levantou o risco de uma desaceleração econômica mais acentuada.

A segunda maior economia do mundo buscará alcançar "um bom início" de primeiro trimestre, afirmou em comunicado a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, indicando que o governo está pronto para conter a crescente pressão sobre o crescimento.

O primeiro-ministro, Li Keqiang, disse que a China alcançou suas metas econômicas de 2018 e busca um forte início de trimestre agora para estabelecer condições de atingir as metas deste ano, de acordo com a televisão estatal.

A China, segundo Lian, vai acelerar os projetos de investimento e a emissão de títulos do governo local, mas também não vai recorrer a "estímulos excessivos".

Inesperadas contrações na atividade comercial e industrial da China em dezembro provocaram especulações sobre se Pequim precisa adotar mais medidas de estímulo contundentes, embora a maioria dos analistas acredite que o governo deve evitar isso devido a preocupações de que pode aumentar os riscos da dívida e enfraquecer o iuan.

Em comunicado, o banco central disse que vai manter uma política monetária prudente com "uma medida apropriada de aperto e afrouxamento". A política monetária se tomará mais voltada para o futuro, flexível e direcionada, disse o Banco do Povo da China.

Mas uma política monetária prudente não significa que não haverá mudanças, ressaltou o vice-presidente do banco, Zhu Hexin.

Quando questionado se a autoridade deve reduzir os juros de referência, Zhu disse que as medidas existentes de política monetária precisam ser melhoradas.

"Com relação à questão dos cortes nos juros, as pessoas estão prestando mais atenção nisso. Nossa política monetária atual, incluindo a política geral —cortes de compulsórios e facilidades de empréstimos de médio prazo— nos ajuda a nos adaptarmos ao ambiente econômico e aos níveis de preços", disse Zhu.

"No geral, a política monetária está gradualmente tendo efeito sobre a economia. Devemos procurar melhorar nossas políticas existentes e fazer avaliações dinâmicas com base nisso", acrescentou.

Apesar das preocupações de que a contínua flexibilização monetária irá pressionar o iuan, as autoridades do banco central disseram estar confiantes de que a taxa de câmbio pode se manter estável.

"Nosso regime de taxa de câmbio é flutuante com base na oferta e na demanda do mercado. Temos confiança nesse aspecto considerando nossa economia e nossas reservas cambiais", disse o vice-presidente Zhu.

O crescimento da China desacelerou em 2018 com anos de campanha para reduzir a dívida e medidas de repressão a práticas arriscadas de empréstimo afetando a demanda doméstica. Conforme a guerra comercial com os EUA se intensificou no ano passado e atingiu as exportações, os mercados financeiros globais passaram a se preocupar com uma desaceleração mais acentuada da China, embora muitos analistas acreditem que um pouso forçado é improvável.

Pessoas com conhecimento no assunto disseram à agência Reuters na semana passada que Pequim planeja reduzir sua meta de crescimento para 6% a 6,5% este ano, após expectativa de 6,6% em 2018, ritmo mais lento em 28 anos.

Alguns analistas acreditam que a China pode adotar 2 trilhões de iuanes (US$ 296,21 bilhões) em cortes de impostos e taxas, e permitir que governos locais emitam outros 2 trilhões de iuanes em títulos especiais usados para financiar projetos. A maioria, entretanto, espera que leve meses para que os novos estímulos comecem a fazer efeito na economia.

REUTERS

Fonte Reuters

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