UE está pronta a discutir novo acordo do Brexit se Reino Unido mudar pontos-chave, diz negociador

Publicado em 16/01/2019 07:43
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ESTRASBURG0 (Reuters) - A União Europeia está pronta para discutir um acordo diferente com o Reino Unido sobre a saída britânica do bloco se Londres mudar seus atuais limites nas negociações, mas uma salvaguarda impedindo uma fronteira física na ilha da Irlanda terá que permanecer, disse o negociador-chefe da UE nesta quarta-feira.

Michael Barnier disse ao Parlamento Europeu que um risco de um Brexit sem acordo agora é mais alto do que nunca, após o Parlamento britânico ter rejeitado na véspera o acordo fechado pela premiê Theresa May com a UE.

(Reportagem de Jan Strupczewski)

Macron: Reino Unido será maior perdedor de Brexit sem acordo

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PARIS (Reuters) - O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta terça-feira que o Reino Unido será o maior derrotado se deixar a União Europeia sem um acordo, em uma reação à sonora derrota imposta pelo Parlamento britânico ao acordo de divórcio negociado pela primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

"Primeira opção, eles vão em frente sem acordo. Eles dizem: 'não há acordo'. Isso é assustador para todos. Os primeiros derrotados nisso seriam os britânicos", disse Macron durante uma reunião com prefeitos.

Macron estava no meio de um debate de quase sete horas com autoridades locais quando ele foi informado sobre o resultado da votação no Reino Unido.

(Por Michel Rose)

Parlamento britânico rejeita acordo do Brexit negociado por May

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Por William James e Kylie MacLellan

LONDRES (Reuters) - Parlamentares britânicos derrotaram o acordo do Brexit negociado pela primeira-ministra, Theresa May, por esmagadora maioria nesta terça-feira, deflagrando a possibilidade de uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia ou até mesmo uma reversão da decisão tomada em 2016 de deixar o bloco.

O Parlamento votou contra o acordo por 432 votos a 202, a pior derrota parlamentar de um governo na história recente do Reino Unido. Mais de 100 parlamentares do próprio Partido Conservador de May - tanto apoiadores do Brexit como defensores da permanência na UE - uniram forças para rejeitar o acordo.

O líder do Partido Trabalhista, de oposição, Jeremy Corbyn, imediatamente convocou um voto de desconfiança contra o governo de May, a ser realizado dentro de 24 horas.

Com o relógio contando até 29 de março, data estabelecida por lei para o Brexit, o Reino Unido agora está no meio de sua mais profunda crise política em meio século, no momento em que enfrenta como, ou até mesmo se, deixar o projeto europeu ao qual se uniu em 1973.

"Está claro que a Casa não apoia esse acordo, mas a votação desta noite não nos diz nada sobre o que ela apoia", disse May ao Parlamento, momentos após o resultado ser anunciado.

“(Não diz) nada sobre como --ou mesmo se-- a Casa tem a intenção de honrar a decisão tomada pelo povo britânico em um referendo realizado por decisão do Parlamento.”

O fracasso esmagador de May, a primeira derrota de um tratado no Parlamento britânico desde 1864, marca o colapso de sua estratégia de dois anos de forjar uma separação amigável e manter relações próximas com a UE após a saída marcada para 29 de março.

O porta-voz de May disse a jornalistas que o acordo da premiê pode ainda servir de base para um entendimento com a UE, mas seus oponentes discordam.

"O acordo do Brexit está basicamente morto", disse Anand Menon, professor de política europeia e relações exteriores da King's College, em Londres.

Se há qualquer consolo para May, é que seus adversários internos pareceram dispostos a rejeitar a tentativa de derrubá-la.

O pequeno Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, que garante seu governo de minoria e disse que iria se opor ao acordo, afirmou que ainda apoiará May no voto de desconfiança.

A UE disse que um acordo para o Brexit continua a ser o melhor e único caminho capaz de assegurar uma separação ordenada. O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, disse que não haverá novas negociações para o acordo, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que iria intensificar os preparativos para um Brexit sem acordo.

“O risco de uma retirada desordenada do Reino Unido aumentou com a votação desta noite”, disse ele.

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, sugeriu que o Reino Unido deve agora considerar reverter o Brexit. “Se um acordo é impossível, e ninguém que ficar sem acordo, então quem finalmente terá a coragem de dizer qual a única solução positiva?”, disse ele no Twitter.

A libra esterlina ficou quase um centavo mais cara em relação ao dólar, diante de expectativas de que a escala da derrota possa forçar os parlamentares a buscar outras opções.

May disse que ela irá conversar com os partidos de oposição para costurar um caminho a seguir. Por todo o espectro político britânico, porém, oponentes do acordo dizem que ele está morto.

“Depois de dois anos de negociações fracassadas, a Câmara dos Comuns deu esse veredicto sobre o acordo dela para o Brexit, e tal veredicto é absolutamente decisivo”, disse Corbyn. “O princípio dela de governar com postergação e negação alcançou o fim da linha.”

Fonte: Reuters

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