Ibovespa fecha em leve alta com trégua em Vale e estatais em destaque

Publicado em 29/01/2019 18:55 e atualizado em 29/01/2019 20:08
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SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em leve alta nesta terça-feira, em movimento favorecido principalmente pelo avanço das ações da Petrobras, além da pequena recuperação dos papéis da Vale, após perda histórica na véspera.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,2 por cento, a 95.639,33 pontos. O giro financeiro da sessão somou 17 bilhões de reais.

Na véspera, o Ibovespa caiu mais de 2 por cento, pressionado pelo tombo de 24,5 por cento da Vale, maior recuo diário da história, após o rompimento de uma barragem de mineração da empresa em Brumadinho.

Para o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, investidores entenderam que num horizonte de médio e longo prazos a queda das ações da mineradora na véspera foi exagerada.

O analista também chamou a atenção para o avanço de companhias com controle estatal em razão do noticiário recente pró-privatização, com Eletrobras entre os destaques.

"A expectativa continua sendo de que o Ibovespa busque 100.000 pontos em fevereiro ou março", afirmou.

Wall Street operava sem direção única, com o declínio de ações de tecnologia pesando no S&P 500 e Nasdaq antes do balanço da Apple, enquanto papéis do setor industrial ajudavam o Dow Jones.

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visitante confere painel de cotações da B3. 29/10/2018. REUTERS/Paulo Whitaker

 

DESTAQUES

- VALE subiu 0,85 por cento, após ter despencado 24,5 por cento na véspera, maior queda diária da história dos papéis, na esteira da tragédia com o rompimento de uma barragem da empresa. Para o Santander Brasil, ainda há muitas incertezas em relação ao impacto financeiro do desastre. O Bradesco BBI cortou o preço-alvo das ações em 25 por cento.

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON avançaram 2,42 e 2,18 por cento, respectivamente, na esteira da alta do petróleo no exterior e comentários do secretário de Privatizações, Salim Mattar, no sentido de vender todas as subsidiárias da petrolífera e outras estatais. Em evento em São Paulo, o presidente da Petrobras também disse que o objetivo é reconquistar o grau de investimento da companhia.

- ELETROBRAS ON e ELETROBRAS PNB valorizaram-se 7,08 e 4,84 por cento, também endossadas pelos comentários de Mattar, que afirmou ainda que a elétrica será privatizada por meio de aumento de capital.

- BANCO DO BRASIL ganhou 3,33 por cento, influenciado por perspectivas de vendas de subsidiárias após comentários do secretário de Privatizações, que citou a BBDTVM como uma das potenciais vendas. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,73 por cento e BRADESCO PN caiu 1,29 por cento. SANTANDER BRASIL UNIT recuou 1,41 por cento antes do balanço na quarta-feira.

- MAGAZINE LUIZA subiu 6,4 por cento, entre as maiores altas, seguida por VIA VAREJO, que avançou 5,98 por cento ajudada por relatório do Credit Suisse sobre o setor de varejo com recomendação 'outperform' para os papéis, que já acumulam em 2019 valorização de 29 por cento. RD, por sua vez, caiu 3,09 por cento, com os analistas do CS classificando as ações com 'underperform'.

- CIELO avançou 4,87 por cento, mesmo após a maior empresa de meios de pagamentos do país estimar queda de até 30 por cento no lucro em 2019, um dia após divulgar queda de 30,6 por cento no lucro do quarto trimestre.

- MRV caiu 2,55 por cento, após reportagem do jornal Valor Econômico de que empresas conseguiram emplacar, em segunda instância, uma nova tese contra a cobrança do adicional de 10 por cento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O FGTS é a principal fonte de financiamento habitacional.

Setor siderúrgico obtém promessa de Guedes sobre abertura cuidadosa da economia

BRASÍLIA (Reuters) - O setor siderúrgico brasileiro recebeu promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o plano do governo para abertura comercial do país vai dar espaço para a indústria se estruturar à nova realidade, sem "aventuras", afirmou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.

"Tivemos da parte dele (Guedes) a melhor acolhida. O ministro Paulo Guedes entendeu e acha que não será feita nenhuma aventura de abrir a economia sem que a indústria tenha condições de competir em igualdade", disse o executivo ao final de reunião com o ministro em Brasília.

Ele ressaltou que a indústria siderúrgica no Brasil perde competitividade internacional por conta da alta carga tributária e dificuldades do chamado "custo Brasil".

"Se eu pegar simplesmente a parte dos impostos cumulativos que existem no sistema tributário brasileiro, eu chego para exportar um produto de aço na ponta com 7 por cento de imposto embutido. Se eu pegar a parte de custo financeiro...Você está falando numa perda de competitividade em torno de 80 dólares por tonelada", afirmou Lopes a jornalistas.

Segundo Lopes, Guedes apresentou sua agenda de prioridades para a economia, encabeçada pela reforma da previdência, mas que também prevê uma reestruturação tributária, que poderia eliminar a cobrança pelo retorno do mecanismo de compensação tributária Reintegra, um pleito antigo da indústria nacional.

"Se a reforma tributária for aprovada, eu deixo de ter problema com Reintegra, não preciso, porque acabou a cumulatividade de impostos", disse o presidente do IABr.

S&P 500 cai pressionado por setor de tecnologia, 3M impulsiona Dow

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices acionários de Wall Street fecharam sem direção única nesta terça-feira, com ações de tecnologia caindo antes do balanço trimestral da Apple, enquanto uma recuperação na 3M e outras indústrias elevaram o Dow Jones.

O Dow Jones subiu 0,21 por cento, a 24.579 pontos, o S&P 500 perdeu 0,15 por cento, para 2.640 pontos, e o Nasdaq caiu 0,81 por cento, para 7.028 pontos.

A ação da Apple recuou 1,04 por cento, com os investidores aguardando os resultados da fabricante de iPhones após a divulgação, no começo do mês, da fraca demanda na China, cuja economia foi prejudicada por uma guerra comercial com os Estados Unidos.

As taxas de juros ficaram no foco quando o Federal Reserve iniciou uma reunião de política monetária de dois dias. Após elevar as taxas gradualmente em 2018, o banco central está adotando uma postura de esperar antes de aperto adicional diante de uma desaceleração no exterior e da volatilidade do mercado.

Espera-se que o Fed deixe as taxas inalteradas na quarta-feira, e os investidores vão olhar para o relatório de emprego de janeiro de sexta-feira em busca de pistas sobre o ritmo da inflação futura.

"É um dia de indecisão. Entre os rendimentos vencidos hoje e o Fed amanhã, e depois o relatório de emprego em andamento, não acho que alguém queira fazer uma grande aposta antes de todas essas notícias", disse Willie Delwiche, estrategista de investimentos da Baird.

Amazon.com, Facebook e Microsoft, que fazem parte de uma onda de relatórios trimestrais no final desta semana, caíram mais de 2 por cento cada.

Enquanto autoridades de Washington e Pequim se preparam para uma reunião de alto nível nesta semana, o Departamento de Justiça fez acusações contra a gigante chinesa de telefonia Huawei, podendo lançar dúvidas sobre as negociações.

Operadores na Bolsa de Valores de Nova York
Operadores na Bolsa de Valores de Nova York 29/01/2019 REUTERS/Brendan McDermid

Fonte: Reuters

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