Ibovespa fecha no vermelho com ajuste à espera da Previdência; S&P e Nasdaq avançam

Publicado em 12/03/2019 18:06 e atualizado em 13/03/2019 03:41
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em leve queda nesta terça-feira, com B2W entre as maiores baixas após anúncio de investimentos da norte-americana PayPal no Mercado Livre, enquanto investidores permanecem na expectativa de novidades sobre a pauta de reformas do governo, em particular mudanças nas regras de aposentadorias.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,2 por cento, a 97.828,03 pontos. O volume financeiro totalizou 12,88 bilhões de reais.

O recuo acontece após o Ibovespa valorizar-se 2,79 por cento na segunda-feira, a 98.026,62 pontos, maior patamar de fechamento desde 5 de fevereiro, apoiado entre outros fatores na expectativa de avanço no andamento da reforma da Previdência nesta semana.

Agentes financeiros viram o comportamento do Ibovespa nesta sessão como uma acomodação, de lado, o que deve continuar até avanços efetivos na tramitação da proposta da Previdência encaminhada ao Congresso Nacional no mês passado.

"Acho que continua assim até a aprovação das reformas...devemos ver esse jogo de realização de lucros e entrada (de recursos)", disse o chefe da área de renda variável da corretora de um banco em São Paulo, que pediu para não ter o nome citado.

Do noticiário sobre a reforma, agradou a notícia de que o governo vai liberar 1 bilhão de reais em emendas parlamentares, enquanto o mercado aguarda a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara dos Deputados nesta semana, primeiro colegiado em que a reforma tramitará.

Wall Street fechou com o S&P 500 e o Nasdaq no azul, após dados de inflação chancelarem o viés 'dovish' do Federal Reserve, enquanto a nova queda das ações da Boeing enfraqueceu o Dow Jones.

Na Europa, o Parlamento britânico rejeitou nesta terça-feira, pela segunda vez, o acordo da primeira-ministra, Theresa May, para o país deixar a União Europeia (UE), aprofundando a pior crise política do Reino Unido em gerações, 17 dias antes do prazo para a saída da nação do bloco.

DESTAQUES

- B2W caiu 5,11 por cento, pressionada pela decisão da norte-americana PayPal de se comprometer a investir 750 milhões de dólares em ações ordinárias do Mercado Livre, investimento atrelado a uma oferta pública do site latino-americano de cerca de 1 bilhão de dólares. LOJAS AMERICANAS cedeu 2,37 por cento.

- PETROBRAS PN fechou em queda de 0,9 por cento, após ganhos expressivos na segunda-feira, conforme os preços do petróleo também desaceleraram os ganhos. PETROBRAS ON encerrou em baixa de 1,66 por cento.

- BANCO DO BRASIL cedeu 0,6 por cento, em meio a ajustes após ganhos recentes. No mês, acumulava até a véspera alta de 6,32 por cento, enquanto, no mesmo período, o Ibovespa subiu 2,56 por cento. BRADESCO PN subiu 0,29 por cento e ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,22 por cento.

- MARFRIG subiu 6,39 por cento, após acordo com parceiros para aumento conjunto de participação na norte-americana Iowa Premium. No setor, JBS avançou 3,4 por cento, tendo ainda no radar expectativas positivas do governo quanto à reabertura do mercado norte-americano à carne bovina in natura do país.

- SABESP valorizou-se 4,38 por cento, ainda apoiada em apostas sobre eventual privatização da companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo.

- HYPERA avançou 2,53 por cento, tendo como pano de fundo recomendação 'overweight' pelo Morgan Stanley, com preço-alvo de 33 reais. "A recuperação na receita e nas margens pode não vir antes de 2020, mas achamos que é apenas uma questão de tempo", disse o analista Javier Martinez, citando que vê um ponto de entrada atrativo para investidores de longo prazo.

- VALE subiu 0,18 por cento, em sessão com alta nos preços futuros de aço e minério de ferro na China com perspectiva de demanda. Também o BTG Pactual elevou o preço-alvo dos papéis da mineradora negociados nos Estados Unidos (ADR) para 15,50 dólares.

- CSN recuou 2,68 por cento, em meio a ajustes após forte valorização neste ano - de 64,71 por cento até a véspera, contra 11,54 por cento do Ibovespa no mesmo período - e tendo no radar que o Ministério Público de Minas Gerais recomendou à companhia que pague por mudança de famílias que temem barragem em Minas Gerais.Por Paula Arend Laier.

S&P e Nasdaq avançam com inflação moderada; Boeing pressiona Dow

NOVA YORK (Reuters) - Os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam em alta nesta terça-feira, após dados de inflação realçarem a postura moderada do Federal Reserve em relação às taxas de juros. Mas o Dow Jones terminou no vermelho, conforme ações da Boeing despencaram pelo segundo dia consecutivo, ainda repercutindo a queda de um de seus aviões na Etiópia.

O Dow Jones caiu 0,38 por cento, a 25.554,66 pontos. O S&P 500 ganhou 0,30 por cento, a 2.791,52 pontos. E o Nasdaq avançou 0,44 por cento, a 7.591,03 pontos.

O Departamento do Trabalho informou que seu índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu no mês passado, mas em linha com as estimativas. Além disso, nos 12 meses até fevereiro, a inflação teve a menor alta desde setembro de 2016. Os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) caíram após a notícia.

"Taxas [de juros] mais baixas ajudam a manter as ações em alta, pois permitem múltiplos mais altos", disse Bucky Hellwig, vice-presidente sênior da BB&T Wealth Management em Birmingham, Alabama.

A Boeing fechou em baixa de 6,1 por cento e registrou sua maior redução de dois dias seguidos desde junho de 2009, conforme mais países proibiram voos com seus aviões 737 MAX após a queda de uma aeronave similar na Etiópia no domingo, o segundo acidente fatal envolvendo o modelo em meses.

Os senadores Mitt Romney e Elizabeth Warren pediram que a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) mantenha os aviões do modelo no solo momentaneamente.

O índice de companhias aéreas do Dow Jones perdeu 2 por cento, enquanto o índice industrial do S&P caiu 0,9 por cento.

Fonte: Reuters

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