Bolsonaro diz ter certeza que Congresso aprovará Previdência e pede rapidez

Publicado em 28/03/2019 21:42
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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira ter certeza que a Câmara dos Deputados e o Senado aprovarão a reforma da Previdência e que as duas Casas podem fazer possíveis correções ao texto enviado pelo governo, ao mesmo tempo que também pediu que os parlamentares deem a devida celeridade à tramitação da proposta.

Bolsonaro repetiu ainda, após dias de tumultuado clima político, que o bate-boca público com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é página virada.

“Com toda a certeza a Câmara e o Senado vão fazer as suas possíveis correções, que nós não somos perfeitos. Contamos obviamente com os 513 deputados e os 81 senadores para que aperfeiçoem a proposta, dêem a devida celeridade, para que o Brasil possa decolar”, disse o presidente em transmissão pelo Facebook, afirmando que a reforma “é para que o Brasil não quebre”.

“Eu tenho certeza que ela será aprovada pela Câmara e pelo Senado”, afirmou sobre a reforma, último tema a ser abordado na transmissão e quase esquecida pelo presidente, que a resgatou antes de encerrar a transmissão.

O envolvimento direto de Bolsonaro na defesa da reforma tem sido um ponto crítico dentre as insatisfações na relação entre parlamentares e o governo.

O presidente aproveitou a transmissão semanal em suas redes sociais para lembrar de medidas direcionadas aos caminhoneiros, classe que quase parou o país em greve nacional no ano passado.

Uma delas diz respeito à adoção de um “cartão caminhoneiro”, em no máximo 90 dias, para que o caminhoneiro possa evitar variações de preço do óleo diesel. Bolsonaro também citou a mudança na periodicidade dos reajustes dos preços do diesel pela Petrobras, que não será feito em períodos inferiores a 15 dias.

Bolsonaro comemorou ainda resultado de leilão da ferrovia Norte-Sul, feito nesta quinta e que resultou em arrecadação de 2,7 bilhões de reais para o governo. O presidente afirmou que o leilão significa uma retomada no transporte ferroviário do país.

Na transmissão, o presidente não abordou uma das polêmicas recentes de seu governo, sua decisão de instruir as Forças Armadas a comemorarem o aniversário de 55 anos do golpe de Estado de 1964 no dia 31 de março. Mais cedo, num recuo em relação ao tom adotado anteriormente, Bolsonaro disse que não se trataria de comemorar, mas de rememorar.

Guedes e Maia afinam discurso e dizem que reforma da Previdência vai deslanchar

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), procuraram mostrar um discurso afinado em entrevista à imprensa após almoçarem juntos nesta quinta-feira e garantiram que, após os atritos políticos recentes, a reforma da Previdência vai deslanchar no Legislativo.

Guedes reconheceu que às vezes há "ruídos" na relação entre Executivo e Legislativo, mas garantiu que o "barulho" gerado pelos atritos recentes vai diminuir. Maia, por sua vez, reafirmou que seu foco é fazer as reformas que o país precisa, entre elas a da Previdência.

"Eu estou muito confiante de que os Poderes independentes estão harmonicamente buscando o aperfeiçoamento institucional do Brasil. Existem uns ruídos de comunicação, houve muito combate durante a campanha, e esse barulho vai diminuir", disse Guedes a jornalistas ao lado de Maia, depois de almoçar com o presidente da Câmara e líderes partidários em Brasília.

"Eu acredito que sim, a reforma vai deslanchar. Eu tenho recebido muito apoio do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Maia, desde o início", acrescentou o ministro.

Maia, por sua vez, repetiu o que havia dito na véspera, quando afirmou que se concentrará na aprovação da reforma da Previdência e afirmou que a ida de Guedes na semana que vem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara será importante. Inicialmente, o ministro deveria ter ido à CCJ nesta semana, mas recusou o convite e não compareceu.

"A Câmara trabalhou bem esta semana e tenho certeza que a partir da próxima semana, com a presença do ministro na Comissão de Constituição e Justiça, nós retomamos com força o debate da reforma da Previdência para mostrar aos brasileiros que nós temos um foco que é aprovar as reformas no Brasil", disse o presidente da Câmara.

"A ida dele (Guedes) à Câmara na quarta vai ser muito importante para que ele possa mostrar os benefícios que uma reforma difícil vai dar para a sociedade brasileira. Esse é o motivo do almoço, e tenho certeza que nós vamos, daqui para frente, a gente vai colocar esse trem nos trilhos para que a gente possa caminhar com velocidade."

As declarações de Maia e Guedes, que também fizeram questão de trocar elogios mútuos, vêm no dia seguinte ao de um novo capítulo da troca de farpas entre o presidente da Câmara e o presidente Jair Bolsonaro. 

A tentativa de ambos de assegurar o bom andamento da reforma da Previdência acontece também um dia depois de Guedes afirmar em audiência no Senado que não tem apego ao cargo e que tem uma vida fora do ministério. 

Esses dois episódios foram interpretados por agentes econômicos e do mercado financeiro, que veem a reforma como crucial para o reequilíbrio das contas públicas e para a retomada da economia, como negativos para o futuro da proposta de mudanças nas aposentadorias.

Mais cedo, em outra tentativa de distensionar o ambiente, Bolsonaro disse a jornalistas que a crise com Maia é uma "página virada". 

Fonte: Reuters

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