Fed mantém taxa de juros após dados mostrarem economia saudável nos EUA

Publicado em 02/05/2019 00:25
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WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve manteve a taxa de juros ​​nesta quarta-feira, à medida que os membros do banco central dos Estados Unidos se animaram com os números de emprego no país e com o crescimento econômico, mantendo a esperança de que a inflação subirá.

    "Achamos que nossa posição de política é apropriada para o momento; não vemos um argumento forte para nos movimentarmos em outra direção", disse o chair do Fed, Jerome Powell, a jornalistas após o fim da reunião de dois dias do órgão. "Vemos que estamos em um bom caminho para este ano".

Os membros do Fed disseram que a economia está em boa forma, com o crescimento contínuo do emprego e da economia, e um eventual aumento da inflação é ainda "o cenário mais provável", com a expansão dos EUA chegando a 10 anos.

"O mercado de trabalho continua forte ... a atividade econômica subiu a uma taxa sólida" nas últimas semanas, disse o Fed em comunicado, um dia depois de o presidente Donald Trump pedir redução das taxas em um ponto percentual e outras medidas para estimular a economia.

O Fed também cortou o juro que paga a bancos sobre as reservas excedentes de 2,4 para 2,35 por cento, em um esforço para garantir que sua principal taxa de empréstimo overnight permaneça dentro da faixa alvo atual.

    A principal preocupação sinalizada na declaração de política é o nível atualmente "silencioso" de inflação, que continua a ficar aquém da meta de 2 por cento do Fed. A declaração sugere que um declínio recente na inflação pode ser mais persistente do que o esperado, e não deve mais ser culpada simplesmente pela queda nos preços da energia.

    Os dados mais recentes mostraram inflação de cerca de 1,5 por cento anualizada, o que seria um problema se significasse que as famílias e as empresas têm dúvidas sobre a força da economia e estavam menos dispostas a gastar e investir.

    Powell disse a jornalistas que a queda no chamado núcleo da inflação deve-se principalmente a fatores transitórios, e previu que subiria novamente para a meta de 2 por cento.

"Se virmos a inflação persistentemente abaixo (da meta), isso é algo com que vamos nos preocupar e algo que vamos levar em conta ao estabelecer a política", disse.

Mas por ora a inflação baixa permite ao banco central ser "paciente" ao decidir sobre mudanças em sua taxa básica de juros, que ficou na faixa de 2,25 a 2,50 por cento, disse ele.

    Não houve indicação na declaração de política monetária do Fed de que um corte ou aumento da taxa esteja em jogo tão cedo.

    O Fed aumentou as taxas quatro vezes em 2018 e, em dezembro, antecipou novos aumentos nos custos de empréstimos este ano. No início deste ano, interrompeu a campanha diante das preocupações com dados fracos nos Estados Unidos e no exterior.

    A decisão política foi unânime, um sinal de que o Fed segue firme na promessa de manter a taxa de juro inalterada até que dados econômicos dêem razão convincente para fazer o contrário.

Bolsas nos EUA: Índices caem após Fed esfriar apostas de um corte de juros no fim do ano

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices de ações dos Estados Unidos fecharam em baixa nesta quarta-feira e o S&P 500 quebrou uma série de três recordes seguidos, após comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reduzirem esperanças de que o banco central possa se movimentar no final do ano.

O Dow Jones <.DJI> caiu 0,61 por cento, a 26.430 pontos, o S&P 500 <.SPX> perdeu 0,75 por cento, para 2.923 pontos. O Nasdaq <.IXIC> caiu 0,57 por cento, para 8.049 pontos.    

O Fed manteve a taxa de juro ​​como esperado e adotou um tom cauteloso sobre a inflação. Mas Powell, falando após a declaração do Fed, disse que um declínio na inflação neste ano pode ser devido a fatores transitórios.    

Isso pareceu jogar água fria na opinião de alguns no mercado de que o Fed possa fazer um movimento preventivo para evitar a inflação mais baixa ou uma recessão por meio de corte nas taxas.    

Após a fala de Powell, os futuros de taxa de juros de curto prazo dos EUA começaram a reduzir as apostas que o Fed vá reduzir as taxas antes do final do ano.    

"O fato de ele estar basicamente dizendo que 'não estamos mais perto de um corte do que estávamos antes' fez o mercado ficar vendido", disse Michael Antonelli, estrategista de mercado da Robert W. Baird, em Milwaukee.    

As ações mostraram alta durante boa parte da sessão e o S&P 500 atingiu um recorde intradia, impulsionado por um salto nas ações da Apple . A empresa divulgou na terça-feira resultados trimestrais que superaram as estimativas de Wall Street, apesar de uma queda recorde nas receitas do iPhone.

Economia dos EUA parece desacelerar, mas mercado de trabalho está forte

WASHINGTON (Reuters) - O setor fabril dos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado em abril, devido a uma queda brusca nas encomendas, e os gastos em construção recuaram em março, o que sugere uma moderação no crescimento econômico.

Embora outros dados tenham mostrado que empresas privadas tenham feito em abril o maior nível de contratações em nove meses, este salto provavelmente se deveu a fatores técnicos. Os relatórios mistos coincidiram com o momento em que autoridades do Banco Central encerram uma reunião de dois dias.

Em março, o Fed suspendeu um ciclo de endurecimento da política monetária que já durava três anos. Como a economia parece enfraquecer e a inflação está estacionada, o banco deve conter novos aumentos da taxa de juros neste ano. Em 2018, o Fed elevou os custos dos empréstimos quatro vezes.

O Instituto de Administração do Suprimento (ISM) disse que seu índice de atividade industrial nacional recuou de 55,3 em março para 52,8 em abril. Uma leitura acima de 50 indica crescimento no setor manufatureiro, que represente cerca de 12 por cento da economia dos EUA.

O subíndice de novas encomendas do ISM diminuiu 5,7 pontos e ficou em 51,7 no mês passado. Uma medida das encomendas de exportação também recuou e as fábricas relataram queda nas contratações – uma medida do emprego no setor manufatureiro regrediu de 57,5 em março para 52,4.

Isso sugere que a folha de pagamento desse setor, que diminuiu em março pela primeira vez desde julho de 2017, continuou fraca em abril.

Já o Relatório Nacional de Emprego ADP mostrou alta de 275 mil empregos no setor privado em abril, o pico desde julho de 2018, superando a expectativa de 180 mil empregos novos dos economistas, e se somou aos 151 mil empregos criados em março.

As cifras do ADP emergem antes do relatório de emprego mais abrangente do Departamento do Trabalho, que será divulgado na sexta-feira e incluirá empregos dos setores público e privado.

Num terceiro relatório, o Departamento de Comércio disse que os gastos em construção caíram 0,9 por cento. Dados revisados de fevereiro revelaram que estes gastos aumentaram 0,7 por cento, e não 1 por cento, como relatado anteriormente.

Fonte: Reuters

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