Guedes se irrita e diz que 'padrão da Casa é baixaria depois das 18h'

Publicado em 08/05/2019 18:26 e atualizado em 09/05/2019 00:47
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Ministro se irritou com um pedido de explicações da deputada Perpétua de Almeida sobre investigação relacionada a fraudes em fundos de pensão

Depois de mais de quase cinco horas de um debate morno, o ministro da Economia, Paulo Guedes, elevou o tom ao responder a deputados de oposição na Comissão Especial da reforma da Previdência.

Guedes se irritou com perguntas feitas pelos parlamentares, entre elas um pedido de explicações pela deputada Perpétua de Almeida (PcdoB-AC) sobre investigação contra o ministro relacionada a fraudes em fundos de pensão.

"O padrão da Casa é baixaria depois das 18 horas, já estou entendendo", afirmou. "Não posso ser acusado do que vários companheiros da deputada estão sendo acusados.". Leia mais acessando o site da R7

Veja o  momento em que o ministro se irrita:

Legislativo ganha 20 vezes mais que média de aposentados, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na Comissão Especial da reforma da Previdência que o Legislativo ganha 20 vezes mais do que a média das aposentadorias. "Esta ilustre plateia do Legislativo tem aposentadoria média de R$ 28 mil. Não é razoável que quem legisla legisle em benefício próprio, para ter aposentadoria acima da média" afirmou.

Depois de ver a reação de alguns parlamentares, o ministro afirmou que se referia aos funcionários do poder Legislativo, e não aos deputados. Guedes cobrou ainda protagonismo do Congresso Nacional para assumir a responsabilidade por reformas que tornem as regras mais igualitárias.

O ministro participou nesta quarta-feira (8) de audiência pública para defender a porposta do governo. É a primeira vez que ele volta à Câmara após tumulto e bate-boca em sessão da CCJ no início de abril. Leia mais no site da R7.

Assista como foi o debate na Comissão Especialda Reforma da Previdência:

Para Guedes seria irresponsabilidade deixar Estados e municípios de fora da reforma da Previdência

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira que seria uma irresponsabilidade deixar Estados e municípios de fora da reforma da Previdência.

Ele ponderou que seria mais fácil para o governo fazer a reforma apenas da Previdência federal, mas relatou ter percebido que muitos dos governadores e prefeitos querem ser incluídos porque se deparam com uma situação “insustentável”.

“Para nós seria mais fácil...fazer só o governo federal”, disse, em audiência na comissão especial que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma.

“Achamos uma irresponsabilidade, mesmo que queiram a reforma mas de público não queira assumir, deixar governadores e prefeitos na chuva.”

A retirada de Estados e municípios tem sido aventada nas negociações da reforma como uma forma de pressionar que governadores e prefeitos se posicionem enfática e publicamente a favor da reforma, uma maneira de ajudar no convencimento da população e de parlamentares, na opinião dos que defendem esse posicionamento.

Mais cedo, na audiência, Guedes disse confiar que os parlamentares terão bom senso para discutir as mudanças em benefícios assistenciais propostas pelo governo na reforma.

Também afirmou que compreende a preocupação de parlamentares, principalmente da Região Nordeste, com as alterações nas regras da aposentadoria rural. Segundo ele, a “sorte está com os deputados” para discutir o tema.

Visivelmente irritado com a menção da deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) sobre suposta fraude contra fundos de pensão, o ministro quase levou a uma repetição da última audiência pública que participou na Câmara sobre a reforma da Previdência, encerrada após uma troca de farpas com deputados.

“Eu já estou compreendendo um pouco mais como funciona a Casa, não vou reagir nem a ameaça, nem a ofensa”, disse Guedes.

“Eu não posso ser acusado do que vários companheiros da deputada podem estar sendo acusados neste momento.”

Em seguida, ao responder uma pergunta do vice-líder da minoria, José Guimarães (PT-CE), afirmou que se ele “'googlar' ‘dinheiro na cueca’ vai aparecer coisa”, provocando forte reação de deputados da oposição.

Passado o tumulto, Guedes pediu publicamente desculpas ao deputado, que não o havia provocado, e depois, em um intervalo, conversou pessoalmente com Guimarães.

Guedes defende reforma da Previdência contra privilégios, não fala em meta de economia

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer que a reforma da Previdência ataca privilégios e uma dinâmica de transferência perversa de renda em contraposição ao modelo atual, que disse estar condenado à explosão, mas não mencionou, num primeiro momento, a economia que o governo almeja com a investida.

Em sua participação inicial em audiência pública na comissão especial que analisa a proposta na Câmara dos Deputados, Guedes não falou sobre a necessidade de o texto assegurar um ganho fiscal de pelo menos 1 trilhão de reais em uma década --cifra que vinha reiterando publicamente.

Quando foi à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, no início de abril, o ministro afirmou que não teria coragem de lançar o sistema de capitalização se a economia chancelada pelo Congresso com a reforma ficasse abaixo desse patamar. De lá para cá, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que a "previsão mínima" de economia era de 800 bilhões de reais em 10 anos.

Após acompanhar o início da audiência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou a jornalistas que a expectativa é de aprovação da reforma na Casa num "prazo razoável", com economia que "garanta a possibilidade de equilíbrio do sistema previdenciário brasileiro".

"Um trilhão (de reais) como referência é uma boa referência, pode ser um pouco mais ou pouco menos", disse.

COMBATE A PRIVILÉGIOS

Nesta quarta-feira, Guedes ressaltou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que muda as regras para a aposentadoria fará com que os mais favorecidos fiquem mais tempo no mercado de trabalho e contribuam com alíquotas mais altas.

"Justamente os mais favorecidos se escondem atrás da assistência social e dizem que essa reforma é para prejudicar os desassistidos, quando é exatamente o contrário", afirmou ele.

"Justamente os mais beneficiados, que pagam propaganda em televisão, que gastam mais em recursos. A notícia que nós tivemos é que gastaram aí 100 milhões (de reais) em propaganda contra, quando o governo está gastando muito menos que 30 por cento disso. E a propaganda contra é exatamente dos mais favorecidos usando os menos favorecidos como um escudo para a transferência perversa de renda", acrescentou.

Em apresentação, o governo afirmou que hoje os 15 por cento mais ricos acumulam 47 por cento da renda previdenciária. No Regime Geral de Previdência Social (RGPS), dos trabalhadores da iniciativa privada, 62,5 por cento dos benefícios são de até 1 salário mínimo.

De acordo com os dados expostos aos parlamentares, a economia por indivíduo com a reforma da Previdência será de 11,3 mil reais em 10 anos no RGPS, pulando para 157 mil reais per capita no Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), dos servidores públicos.

Ao contrário da audiência de Guedes na CCJ, que terminou com confusão e foi marcada por longas falas da oposição e atuação incipiente de parlamentares do PSL, partido de Bolsonaro, desta vez os deputados contrários e favoráveis à reforma falavam de maneira intercalada, seguindo acordo prévio.

Mesmo assim, houve uma escalada nas tensões após a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), ter perguntado ao ministro o que o governo estava fazendo para melhorar o atual quadro do país, marcado por alto desemprego e recuperação econômica sem tração.

"Quem fica 16 anos no poder não tem o direito de virar agora com 5 meses ou 4 meses e dizer 'olha tem um desemprego enorme, tem 50 milhões de pessoas desempregadas, de onde virá o crescimento?'. Virá assim que nós repararmos os rombos causados, os rombos foram amplos gerais e irrestritos", disse ele.

Guedes avaliou que há hoje "buraco fiscal que ameaça engolir o Brasil". Também argumentou que o fôlego da atividade mudou há tempos ao dizer que o avanço do PIB foi, na média, de 0,5 por cento ao ano de 2010 a 2018.

"Está crescendo 1 (por cento). Eu até podia dizer está crescendo o dobro do que vocês cresceram. Mas nós não vamos dizer isso porque o crescimento é medíocre, é absolutamente medíocre", prosseguiu o ministro, completando que o governo está tentando ir para o caminho da prosperidade e não "para o caminho da Venezuela".

Em meio a aplausos e protestos, o presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PR-AM), chegou a pedir que Guedes se ativesse a assuntos previdenciários.

Guedes defende capitalização ao encerrar audiência pública (Ag Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, encerrou a audiência pública da comissão especial que discute a reforma da Previdência realizada nesta terça-feira (8) com uma defesa enfática do sistema de capitalização (poupança individual para cada trabalhador). Na conclusão de mais de oito horas de reunião, ele declarou que a capitalização para benefícios maiores que um salário mínimo amplia a inclusão financeira das camadas mais pobres.

“Queremos garantir que os pobres tenham sua poupança também e apliquem nos juros de mercado. Estamos fazendo isso com esse espírito”, disse o ministro ao fim de mais de oito horas de audiência.

A primeira audiência pública da comissão especial que discute o mérito da reforma da Previdência durou pouco mais de oito horas e ouviu, além do ministro Paulo Guedes, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Ao todo, a comissão terá 11 sessões para promover audiências públicas com cerca de 60 convidados.

Guedes rebateu o argumento de que a capitalização fará os empresários substituir os trabalhadores atuais por empregados mais jovens, que entrarão no mercado de trabalho com a opção de escolherem entre o sistema atual de repartição – em que os trabalhadores da ativa financiam os benefícios de quem se aposentou – e o regime de poupanças individuais. Isso porque, segundo o ministro, a opção só entrará em vigor para os futuros trabalhadores.

“Nenhum empresário vai trocar um empregado experiente por um jovem sem experiência nenhuma. O que estou fazendo é dar a oportunidade a esse jovem que hoje deixa de ter um emprego formal [com carteira assinada] por causa dos encargos trabalhistas”, disse Guedes. O ministro lembrou que, em nenhum momento, pretende extinguir o regime de repartição. “Não cometeria esse crime com a geração futura, de desativar a Previdência que existe.”

Responsabilidade do Congresso

O ministro reiterou que caberá ao Congresso decidir se adota o sistema de capitalização. Segundo ele, caso a proposta atual seja desidratada, e a economia com a reforma da Previdência fique inferior a R$ 1 trilhão, o governo abre mão de lançar o sistema de capitalização, que seria definido por lei complementar.

De acordo com Guedes, a resistência em conter os gastos públicos têm sido a principal causa da queda da taxa de crescimento nas últimas décadas. “Vi a taxa de crescimento cair de 7,5% ao ano há 40 anos para 5% durante o período militar, 2% depois, até chegar a 0,5% ao ano hoje. A expansão descontrolada de gastos corrompeu a política e estagnou a economia”, disse.

Sem citar fontes, o ministro criticou comerciais de entidades de servidores públicos com críticas à reforma. Segundo ele, os opositores gastaram cerca de R$ 100 milhões com publicidade contrária à reforma. “Os corporativistas estão gastando três vezes mais do que o governo com publicidade”.

Confusões

Nas duas horas finais de audiência, o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), deixou que todos os parlamentares inscritos fizessem as perguntas com o ministro apenas respondendo ao final da sessão. Em três momentos, houve princípio de confusão, mas os ânimos foram contidos após a atuação de Ramos.

O primeiro foi quando Guedes relembrou a prisão do deputado José Guimarães (PT-CE) com dólares na cueca em um aeroporto em São Paulo em 2005. Ao retornar à comissão, o deputado, que tinha ido ao Plenário da Câmara, tomou a palavra e lembrou que foi inocentado pela Justiça. Guedes pediu desculpas por tê-lo citado.

O segundo momento de tumulto ocorreu quando Guedes se irritou com o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA), que chamou o ministro de representante dos banqueiros. O presidente da comissão pediu calma às duas partes, e a sessão foi retomada. No terceiro momento de bate-boca, o deputado Carlos Veras (PT-PE) disse que o governo estaria liberando R$ 40 milhões em emendas parlamentares para os deputados que votassem a favor da reforma. Marcelo Ramos disse que o parlamentar estava ofendendo o Congresso e deu cinco minutos de intervalo, após o qual a audiência foi retomada e seguiu sem incidentes até o fim.

Fonte: R7/Reuters/Agencia Brasil

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