Manifestações de domingo demonstram anseio por mudanças concretas

Publicado em 26/05/2019 15:12 e atualizado em 27/05/2019 11:53
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Movimentos nas ruas representam a esperança e a confiança do povo com o futuro, diz Bolsonaro

Em entrevista à Record TV, Jair Bolsonaro afirmou que irá conversar com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, para propor um pacto com os poderes Legislativo e Judiciário por reformas. 

Apoiadores do governo foram às ruas de várias cidades do país defender a reforma da Previdência, o pacote anticrime, o porte e posse de armas, além de ministros do governo como o da Justiça, Sergio Moro, e o da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro destacou o caráter pacífico das manifestações deste domingo em apoio ao governo. "O caráter pacífico dos atos de hoje traduz a esperança e a confiança do povo no compromisso que nós políticos temos com o futuro do país", disse o presidente em publicação na rede social Twitter.

Acredito que o Brasil caminha cada vez mais para o amadurecimento de sua democracia, com representantes sensíveis aos anseios da sociedade. O caráter pacífico dos atos de hoje traduz a esperança e a confiança do povo no compromisso que nós políticos temos com o futuro do país.

Em outro post, Bolsonaro disse que os atos em várias cidades são uma forma de cobrança da população. "Sinal que a sociedade não perdeu as esperanças de que nós políticos escutemos sua voz. Não podemos ignorar isso. É hora de retribuirmos esse sentimento", escreveu.

-- "Os brasileiros foram pacificamente às ruas para nos cobrar. Sinal que a sociedade não perdeu as esperanças de que nós políticos escutemos sua voz. Não podemos ignorar isso. É hora de retribuirmos esse sentimento. Estamos todos no mesmo barco e juntos podemos mudar o Brasil! "

Mais cedo, ainda no Twitter, o presidente destacou que a maior parte dos manifestantes "foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos", referindo-se a pessoas que pediram o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

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Folha diz que manifestações superaram expectativas (FSP)

Ao levar milhares de pessoas às ruas em ao menos 140 cidades, as manifestações superaram a expectativa de aliados do governo em meio ao racha de grupos de direita e ao temor de fracasso devido ao desgaste popular de Bolsonaro nos primeiros meses de mandato.

De modo geral, porém, o alcance dos atos não foi muito diferente dos protestos do último dia 15 contra bloqueios de recursos da educação pelo governo Bolsonaro, quando houve mobilizações em ao menos 170 cidades. 

Em Brasília, congressistas destacaram que Bolsonaro deu demonstração de força em algumas cidades de Sudeste e Sul, mas que, em uma análise mais ampla, as mobilizações foram aquém dos protestos anti-governo.

As aglomerações deste domingo também não chegaram perto dos principais atos políticos dos últimos anos, como os que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Principalmente em São Paulo, a mobilização pró-reformas teve mais destaque do que a defesa do presidente Bolsonaro. (Folha de S. Paulo) 

O significado das manifestações de hoje (O Antagonista)

As manifestações de hoje, apesar de uma minoria que vociferava contra as instituições democráticas, mostraram que o governo conta do seu lado — apesar da queda de popularidade do presidente, a crer nas pesquisas — com um grande número de cidadãos que anseiam por mudanças concretas.

As ruas relembraram não apenas ao Centrão, mas ao próprio Jair Bolsonaro, o que a maioria dos brasileiros espera da política: iniciativas fortes que tirem o país da estagnação econômica e do pesadelo da criminalidade sem freios, principalmente. O presidente da República sai, assim, também pressionado para cumprir, sem ambiguidades, o projeto para o qual foi eleito. Nada de “reforminhas”, portanto. Para isso, terá de encontrar uma forma eficaz de atuar dentro dos marcos da democracia.

Que se comece a fazer política, sem toma lá dá cá, a quem foi eleito para isso. (O Antagonista)

O assunto mais comentado

“Brasil nas ruas” foi o assunto mais comentado no Twitter neste domingo.

A mesma hashtag chegou a aparecer em segundo lugar no ranking mundial.

Segundo levantamento do G1, pelo menos 156 cidades tiveram manifestações em defesa do governo Jair Bolsonaro neste domingo.

Um boneco inflável de 20 metros, mistura a imagem do ministro Sergio Moro, com o personagem de quadrinhos e cinema, o Super-Homem.Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Manifestações pró-governo defendem reformas, ministros e criticam Congresso e STF (Reuters)

Manifestações pró-governo em todo o país defenderam a gestão de Jair Bolsonaro, as reformas propostas — principalmente a da Previdência — e dois de seus ministros, mas também centraram fogo no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Belo Horizonte e São Luís, milhares foram às ruas neste domingo para apoiar o governo de Bolsonaro, vestidos com a camisa da seleção brasileira de futebol ou nas cores verde e amarelo, munidos de bandeiras do Brasil e faixas, além da presença de bonecos infláveis, em algumas cidades.

O presidente não participou das manifestações, mas seu perfil do Twitter divulgou imagens de pessoas se dirigindo à concentração no metrô do Rio de Janeiro, e dos protestos em São Luís, e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Com expressiva atuação nas redes sociais, o governo pode ver sua força política aumentar ou diminuir, a depender do alcance das manifestações nas ruas deste domingo, justamente em um momento em que enfrenta dificuldades na sua relação com o Congresso Nacional.

Bolsonaro afirmou, em cerimônia religiosa no Rio de Janeiro, que os atos representam uma defesa do futuro do Brasil e um “recado àqueles que teimam, com velhas práticas, em não deixar que esse povo se liberte”.

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No Rio de Janeiro, por exemplo, manifestantes traziam faixas críticas a ministros do STF e a integrantes do chamado centrão, mas o principal alvo do ato de apoio ao governo foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Um boneco inflável do deputado federal, batizado de “Nhonhozeco”, segurava um símbolo de cifrão e vestia camiseta com logomarcas de empresas relacionadas a denúncias contra o presidente da Câmara, como a Gol e a Odebrecht, além de uma inscrição de Judas, traidor de Cristo, ao lado do já tradicional “Pixuleco”, em alusão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vestido de presidiário.

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Em Brasília, no entanto, o personagem a ser inflado foi o ministro da Justiça, Sergio Moro, que emprestou o rosto a um grande boneco que trazia o corpo do Super-Homem.

O ministro foi alvo mais recente, junto com o governo em geral, de movimentação do chamado centrão, que retirou Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das atribuições de sua pasta em votação na Câmara da medida provisória 870, que modifica a estrutura do governo, reduz o número de ministérios e precisa ser votada até o dia 3 de junho pelo Senado ou perde a validade.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que recentemente ameaçou deixar o cargo caso o Congresso aprove uma reforma da Previdência pouco expressiva, também foi defendido nas manifestações deste domingo.

Manifestantes declararam apoio a medidas do governo, como as reformas da Previdência e tributária, além do pacote anticrime editado por Moro e da MP 870.

passeata campinas  Convocadas em várias cidades do país pelas redes sociais, após os grandes protestos realizados em 15 de maio contra o bloqueio de verbas no Ministério da Educação que ganharam ares de atos contrários ao governo Bolsonaro, as manifestações inicialmente tinham como centro as críticas ao STF e ao Congresso, mas incorporaram a defesa da reforma da Previdência, do pacote anticrime, e da MP 870.

Apesar de inicialmente o governo ter dito que Bolsonaro analisava participar dos atos, posteriormente decidiu ficar distante das manifestações e também orientou seus ministros a não participarem. O PSL, partido do presidente, também decidiu não apoiar institucionalmente os atos, liberando seus parlamentares a tomarem parte, se quiserem.

A possibilidade de os manifestantes expressarem críticas ao Judiciário e ao Legislativo — com o possível surgimento de reivindicações como o fechamento do STF e contrárias a parlamentares e ao chamado centrão — explica a cautela do governo em relação aos atos.

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O relacionamento do Executivo com o Legislativo já é desfavorável ao governo e o temor do Planalto era que as manifestações acabassem por tensionar ainda mais a relação, prejudicando a agenda legislativa de Bolsonaro, encabeçada pela reforma da Previdência, apontada como crucial para reequilibrar as contas públicas e para a retomada do crescimento econômico.

O líder do governo na Câmara, deputado major Vitor Hugo (PSL-GO), por exemplo, anunciou na sexta-feira que pretendia participar das manifestações. O deputado também enfrentou uma crise na Câmara nesta semana, que culminou com o anúncio, por parte de Maia, de um rompimento de relações. Na quinta-feira, no entanto, os dois se reuniram.

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Ato em apoio ao governo de Jair Bolsonaro ocorrem neste domingo (26) na orla da praia de Copacabana

Ato em apoio ao governo de Jair Bolsonaro na orla de Copacabana - Fernando Frazão/Agência Brasil

 

 

Fonte: Reuters/Agencia Brasil/R7

3 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Coisa linda nosso povo pacifico, ordeiro e honesto.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Guilherme Fiuza está magistral, descrevendo a realidade com precisão incrível.

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  • Tiago Gomes Goiânia - GO

    Manifestações legítimas, mas não há necessidade de dizer que são espontâneas, são sim organizadas e sabemos muito bem por quem e que o propósito, em resumo, é defender o presidente que se encontra com uma certa dificuldade para governar e com popularidade caindo.
    Manifestação espontânea são aquelas em que o ônibus atrasa no terminal e os passageiros se revoltam quase que espontaneamente e botam para quebrar.
    O que veremos hoje é apenas uma continuidade, a batalha do terceiro turno...

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    • MARCIANO BERNARDICANARANA - MT

      As dificuldades estão sendo criadas por STF , deputados e senadores do centrão. Todos corrompidos .

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