Petrobras vende fatia de 30% na BR Distribuidora; privatização pode chegar a R$ 9,6 bi

Publicado em 24/07/2019 13:29 e atualizado em 24/07/2019 19:14
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Por Carolina Mandl e Tatiana Bautzer e Rodrigo Campos

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras aprovou a venda de uma fatia de 30% na empresa de combustíveis BR Distribuidora por 8,56 bilhões de reais, mas o negócio poderá envolver até 9,6 bilhões de reais se também for negociado um lote adicional de ações.

A operação, em uma oferta de ações precificada na noite de terça-feira, fixou os papéis da BR em 24,50 reais e reduziu a participação da Petrobras na companhia para 41,25%, de 71,25% anteriormente, o que na prática privatiza a antiga subsidiária da estatal.

O lote suplementar da oferta deve ser negociado ao longo das próximas semanas. Se houver sucesso, a fatia da Petrobras na BR seria reduzida para 37,5%.

Três fontes com conhecimento do assunto disseram que há demanda suficiente para a venda de todo o lote suplementar.

"Demonstra confiança no Brasil, na BR e na Petrobras... A BR terá capacidade de tomar decisões rápidas e ser mais eficiente, sem as amarras de uma estatal", disse uma fonte da Petrobras, que pediu para não ser identificada.

As ações da BR operavam em alta de cerca de 4,3%, a 27,13 reais, por volta das 13h16, após subirem mais de 6% na máxima do dia, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras operavam perto da estabilidade.

A BR é líder em um setor dominado por poucas empresas, que incluem a Raízen, joint venture da Cosan e Shell, além da Ipiranga, do Grupo Ultrapar.

A citada agilidade a ser obtida com a privatização deve ser importante para enfrentar a concorrência, ainda mais após a entrada recente no setor no Brasil de multinacionais como Glencore, com aquisição de uma fatia majoritária na Ale, e da Vitol.

"Esperamos que o novo controle acionário desencadeie uma série de mudanças na estrutura da BR Distribuidora, visando um ganho em eficiência/produtividade e mais 'comparável' às concorrentes Ipiranga e Raízen", declarou em nota a consultoria Raion, que não vislumbra no curto prazo uma redução de preços para clientes da BR, visto que sua fornecedora principal continuará sendo a Petrobras, que detém cerca de 98% do refino nacional.

A demanda na operação da BR foi 4,5 vezes superior ao tamanho da oferta, acrescentou uma das fontes, que falou sob a condição de anonimato porque a informação não é pública.

A Petrobras já havia reduzido sua participação na BR Distribuidora no final de 2017, com uma oferta inicial de ações (IPO) que levantou aproximadamente 5 bilhões de reais e levou a petroleira a ficar com 71,25% da empresa, antes uma subsidiária integral.

Tanto o IPO quanto a oferta de ações concluída na terça-feira acontecem em meio a um amplo plano de desinvestimentos da Petrobras, que tem vendido ativos em diversas áreas de negócio para reduzir dívidas e focar seus investimentos na exploração do pré-sal.

"Embora fortemente antecipado pelo mercado, esse é outro movimento positivo no plano da companhia de vender ativos não essenciais, visando reduzir a alavancagem e para obter dinheiro para investimentos na produção de petróleo, especialmente no pré-sal", destacou o Goldman Sachs em nota.

A Petrobras ainda quer vender oito refinarias, com metade da capacidade de refino do país, além de unidades de gás, em meio a um plano do governo de quebrar monopólios.

Petrobras levanta US$1,5 bi com venda de ativos em águas rasas

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras <PETR4.SA> assinou nesta quarta-feira dois contratos para a venda de ativos de exploração e produção em águas rasas nas Bacias de Campos e Santos, no valor total de 1,5 bilhão de dólares, informou a companhia em um fato relevante ao mercado.

A negociação de ativos ocorre em um momento em que a Petrobras busca focar na exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas, no pré-sal, ao mesmo tempo em que visa reduzir seu endividamento.

Um dos contratos foi o fechamento da venda dos polos de Enchova e Pampo, que contém 10 campos na Bacia de Campos, por 851 milhões de dólares, para a Trident Energy.

Na semana passada, a Reuters informou, com base em fontes com conhecimento do assunto, que a Trident sairia vencedora no processo.

A produção total atual de óleo e gás desses campos é de cerca de 25,5 mil barris por dia. Com a transação, a Trident passará a ser a operadora dessas concessões com 100% de participação nas mesmas.

A segunda operação foi a venda do campo de Baúna, na Bacia de Santos, por 665 milhões de dólares, para a australiana Karoon <KAR.AX>.

O campo de Baúna iniciou suas operações em fevereiro de 2013 e produz atualmente cerca de 20 mil barris de óleo por dia através do FPSO Cidade de Itajaí.

Fonte: Reuters

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