Caixa lança crédito imobiliário atrelado ao IPCA com taxa a partir de 2,95% ao ano

Publicado em 20/08/2019 20:58
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BRASÍLIA (Reuters) - A Caixa Econômica Federal lançou nesta terça-feira uma nova linha de financiamento imobiliário vinculada ao IPCA, no momento em que o setor dá sinais de recuperação no país.

Segundo o presidente-executivo da Caixa, Pedro Guimarães, a nova linha terá taxa de juros anual a partir de 2,95%, para imóveis residenciais enquadrados no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A taxa máxima será de IPCA mais 4,95% ao ano.

O SFH é para imóveis com valor de até 1,5 milhão de reais em que se pode usar recursos do FGTS. O SFI, para valores acima desse valor e o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) não usa recursos do fundo de garantia.

As taxas estarão vigentes a partir da próxima segunda-feira.

Pedro Guimarães explicou que a nova linha, baseada no IPCA, trará taxas reduzidas e utilizará o IPCA no lugar da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central e considerada por Guimarães de baixa previsibilidade.

A nova linha traz uma taxa de 4,95% do valor financiado mais correção do IPCA. A porcentagem pode chegar a 2,95% do valor financiado para quem tem as melhores relações com o banco (ter conta no banco e apresentar baixo risco de inadimplência, por exemplo). Os valores serão corrigidos mensalmente, prestação a prestação, conforme o IPCA mais recente.

Já a linha de financiamento praticada atualmente traz uma correção de TR mais 9,75% do valor financiado. Essa porcentagem pode cair até 8,5%, sendo 8,5% para clientes com boas relações com o banco.

Prestações menores

Guimarães disse que o valor da prestação do financiamento imobiliário poderá ser reduzido até pela metade. “O que representa isso? Um imóvel de R$ 300 mil, que hoje você começa pagando R$ 3 mil, você baixará, com 4,95% de taxa, de R$ 3.168 para R$ 2 mil. Se você chegar a uma taxa de 2,95%, você chega a uma redução de 51% na prestação”.

Caso o cliente não queira financiar com base no IPCA, temendo um aumento muito grande na inflação no futuro, ele poderá optar pela linha já usada. “Se o cliente tiver esse receio, ele pode continuar com TR. Exatamente por causa disso, um componente do IPCA mais volátil, que a gente reduziu tanto, para 4,95%”, disse o presidente da Caixa.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, a medida deverá favorecer o mercado. “A transferência do indexador da prestação do crédito imobiliário – da TR [Taxa Referencial], que não tem a confiança dos investidores, para o Índice de Preços [IPCA]– deve favorecer o mercado. [...] A atualização por Índice de Preços estimula o apetite para esses agentes [financeiros] comprarem os papéis”, disse Martins, em nota.

Para Martins, a medida estimulará a concorrência, trará dinheiro novo e abrirá caminho para que os custos para o crédito imobiliário diminuam. “O consumidor final vai poder pagar menos em prestações, pois a economia brasileira vai ter um mercado real em vez de um ‘mercado de apostas'”, disse.

Também nesta terça-feira, o Banco do Brasil começou a operar empréstimo imobiliários oferecendo taxas mais reduzidas de acordo com a duração do financiamento, na primeira iniciativa do tipo no país.

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Bradesco está preparado para oferecer aos clientes crédito imobiliário vinculado ao IPCA, caso haja demanda, disse nessa terça-feira o diretor de relações com investidores do banco, Leandro Miranda.

Segundo o executivo é preciso saber se o tomador do crédito estaria disposto a ter esse tipo de crédito em função do histórico de alta inflação no Brasil.

"Não sei se o cliente gostaria de ter um risco de inflação de 30 anos em virtude do histórico que temos no Brasil", disse Miranda a jornalistas. "De 12 anos eu acho viável porque há proteções de inflação através de derivativos, se quiser transformar em taxa fixa", acrescentou ele após de participar de reunião Apimec.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que a Caixa Econômica Federal anunciou uma nova linha de crédito imobiliário com taxa de juros atrelada ao IPCA.

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SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil iniciou nesta terça-feira a usar um novo procedimento para concessão de empréstimos imobiliários, oferecendo taxas mais reduzidas de acordo com a duração do financiamento.

Em material enviado a agentes imobiliários, ao qual a Reuters teve acesso, o BB apresentou uma tabela válida para as linhas de carteira hipotecária e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Para contratos com prazo de até 60 meses, a taxa anual será a partir de 7,99%. No caso de financiamentos de 61 a 118 meses, a taxa sobe a 8,05%, chegando a 8,10% quando o período for de 119 a 178 meses. Se o financiamento for pago entre 179 e 238 meses, a taxa será de 8,15%. Para o intervalo de 239 a 298 meses, o juro sobe a 8,24%, avançando para 8,29% nos casos de 299 a 359 prestações. Por fim, financiamentos com prazos de 359 a 418 meses pagarão 8,45% ao ano.

O material explica ainda que o banco também leva em conta o perfil de relacionamento do cliente com o banco para definir a taxa final cobrada.

O movimento acontece no mesmo dia em que a Caixa Econômica Federal anunciou a criação de uma linha de crédito imobiliário atrelado ao IPCA.

Fonte: Reuters

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