Bolsonaro diz que focos de queimadas na Amazônia não justificam ameaças de sanções no G7

Publicado em 23/08/2019 18:46 e atualizado em 24/08/2019 03:58
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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que autorizou o emprego de militares na região amazônica para aumentar a fiscalização e atuar no combate às queimadas na floresta, e defendeu que os incêndios não justificam possíveis sanções internacionais.

"Incêndios florestais existem em todo o mundo, e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais", disse Bolsonaro em curto pronunciamento em rede de rádio e TV.

Mais cedo, Bolsonaro assinou uma autorização preventiva de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permite o emprego dos militares para o combate aos incêndios florestais nos Estados da Amazônia legal. Para entrar em vigor, ela depende que cada governador envolvido apresente um pedido de adesão.

"O emprego extensivo de pessoal e equipamentos das Forças Armadas, auxiliares e outras agências permitirão não apenas combater as atividades ilegais, como também conter o avanço de queimadas na região", disse o presidente.

Diante da forte reação internacional aos incêndios, Bolsonaro ressaltou que "a proteção da floresta é nosso dever".

"Estamos cientes disso e atuando para combater o desmatamento ilegal e quaisquer outras atividades criminosas que coloquem a nossa Amazônia em risco", afirmou ele no pronunciamento.

Bolsonaro ainda repetiu seu argumento de que para evitar atividade ilegais na região é preciso dar condições para que a população local possa se desenvolver.

"Para proteger a Amazônia, não bastam operações de fiscalização, comando e controle. É preciso dar oportunidade a toda essa população para que se desenvolva junto com o restante do país", defendeu.

Na quarta-feira, Bolsonaro disse que ONGs poderiam estar por trás dos incêndios, após a perda de recursos da Alemanha e da Noruega, que cancelaram o repasse de verbas para proteção na região devido à política ambiental do governo. No dia seguinte, ele insistiu em relação às ONGs, dizendo que poderiam estar tentando derrubá-lo.[nE6N22E04X] [nL2N25I0LY]

Após reação das ONGs envolvidas e de líderes de governos estrangeiros, como o presidente francês, Emmanuel Macron, Bolsonaro admitiu que poderia haver envolvimento de fazendeiros nas queimadas e reconheceu que elas eram prejudiciais ao país.

No pronunciamento, Bolsonaro reafirmou estar aberto ao diálogo, mas destacou que isso precisa se dar com respeito à soberania do país.

Em diversas cidades no Brasil e no mundo houve manifestações nesta sexta-feira contra os incêndios na Amazônia. Durante o pronunciamento, houve panelaço em algumas cidades do país.

Bolsonaro autoriza emprego das Forças Armadas na Amazônia com decreto de Garantia da Lei e da Ordem

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta sexta um decreto de Garantia da Lei e da Ordem autorizando o emprego das Forças Armadas na Amazônia, que enfrenta uma série de queimadas.

O decreto, a ser publicado em edição extra do Diário Oficial, militares poderão atuar em “áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal”.

A validade será de um mês, de amanhã (24 de agosto) até 24 de setembro.

De acordo com informações do Palácio do Planalto, os nove Estados da Amazônia Legal já concordaram com a GLO. No entanto, apenas Roraima já assinou o pedido.

Ao sair de uma reunião com Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o governador do Estado, Antonio Denarium confirmou que apresentou o pedido.

"Os Estados da região amazônica não têm condições hoje de fazer o combate aos incêndios florestais", disse Denarium. "O governo federal vai colocar as tropas que estão na região e se for necessário levará mais de outras regiões."

Essa é a primeira medida anunciada pelo governo depois das crise causada pelas informações de que os focos de queimada na Amazônia aumentaram mais de 80% em relação ao mesmo período do ano passado.

Bolsonaro irá fazer um pronunciamento em cadeia de rádio e TV na noite desta sexta para anunciar as medidas que serão tomadas pelo governo para tentar combater os incêndios.

Governo do Acre declara situação de emergência no Estado por incêndios florestais

BRASÍLIA (Reuters) - O governo do Acre declarou situação de emergência no Estado por conta dos incêndios florestais que vêm assolando a região e chamaram a atenção do mundo para a Amazônia.

Em decreto publicado no Diário Oficial do Estado do Acre, o governador Gladson Cameli argumenta que “a necessidade de se adotar medidas de resposta, preparação e recuperação dos cenários já acometido dos desastres na modalidade de incêndios florestais e queimadas urbanas”, entre outros motivos, justifica a edição do instrumento.

“Fica declarada Situação de Emergência no Estado do Acre em razão do desastre classificado e codificado como incêndio florestal”, diz o documento.

O ato do governo cria ainda uma "Sala de Situação" para diagnosticar as queimadas e articular rede de gestão de riscos ambientais do Estado, entre outras ações, e determina que o Corpo de Bombeiros do Acre mobilize todo o efetivo para atuar na operação de combate e controle de queimadas.

O decreto cita a escassez de chuvas na região, iniciada ainda no primeiro semestre e com tendência de se manter por mais três meses, além da diminuição do nível dos rios e da umidade relativa do ar, fator que aumenta o risco de incêndios e queimadas com impactos na saúde da população e no meio ambiente.

O fato de agosto e setembro serem historicamente os meses mais críticos para a ocorrência de queimadas e incêndios também é listado como motivo para a decisão.

O decreto relata ainda que a redução das chuvas acarretam “considerável redução” de rios utilizados para o abastecimento de água em municípios e alerta para o risco de colapso no sistema de abastecimento.

Fonte: Reuters/

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