China e EUA chegam a consenso para fase um do acordo, diz agência internacional Bloomberg

Publicado em 12/12/2019 16:46 e atualizado em 12/12/2019 21:06
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira um acordo comercial com a China, informou a Bloomberg News. O anúncio é esperado ainda para esta quinta-feira.

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WASHINGTON (Reuters) - A Casa Branca chegou a um "acordo em princípio" com Pequim sobre comércio, disseram fontes informadas sobre as negociações nesta quinta-feira. No acerto atual, os Estados Unidos suspenderiam as tarifas que entrarão em vigor sobre 160 bilhões de dólares em produtos chineses, e Pequim prometeu comprar mais produtos agrícolas dos EUA, informou a Bloomberg.

Os negociadores dos EUA se ofereceram para reduzir em até 50% tarifas sobre cerca de 375 bilhões de dólares em mercadorias chinesas, disseram duas pessoas familiarizadas com as negociações, além de suspender as tarifas sobre 160 bilhões de dólares em bens programadas para entrar em vigor no domingo.

Os Estados Unidos concordaram em reduzir algumas tarifas sobre produtos chineses e adiar uma tranche das tarifas que entrariam em vigor em 15 de dezembro, como parte de um acordo comercial entre os dois gigantes econômicos, disse nesta quinta-feira uma fonte dos EUA familiarizada com a situação.

A China também concordou em fazer 50 bilhões de dólares em compras agrícolas em 2020 como parte do acordo, disseram essa pessoa e outra fonte dos EUA familiarizada com as negociações.

Um ex-negociador comercial sênior disse que o diabo estava nos detalhes do acordo escrito, que ainda está sendo elaborado. "Nas negociações comerciais, o texto escrito é importante, pois é aí que muitas das divergências remanescentes tendem a ressurgir".

Trump assinou o acordo, e um anúncio pela Casa Branca pode acontecer em breve, disse uma fonte.

Em uma tentativa de garantir a "Fase Um" de um acordo comercial, os negociadores norte-americanos anteriormente se ofereceram para reduzir as tarifas existentes em mercadorias chinesas em até 50%, bem como suspender novas tarifas que estavam programadas para entrar em vigor no domingo, duas pessoas familiarizadas com as negociações disseram nesta quinta-feira.

A guerra comercial EUA-China tem desacelerado o crescimento global e diminuído os lucros e investimentos para empresas em todo o mundo. Os Estados Unidos anunciaram 28 bilhões de dólares em subsídios para agricultores afetados pelo embate tarifário.

A China comprou 24 bilhões de dólares em produtos agrícolas dos EUA em 2017, antes do início da guerra comercial, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

FASE 1 ILUSÓRIA

Trump disse em entrevista coletiva na Casa Branca em 11 de outubro com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, que os dois países haviam concordado com a "Fase 1" de um acordo comercial sobre "propriedade intelectual, serviços financeiros" e uma "compra de 40 (bilhões de dólares) a 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas".

Um acordo por escrito estará disponível em semanas, disse Trump na ocasião, acrescentando que "concordamos em princípio com quase tudo o que mencionei, com todos os diferentes pontos".

No entanto, Pequim tem se recusado a se comprometer a comprar uma quantidade específica de produtos agrícolas durante um determinado período de tempo. As autoridades chinesas disseram que gostariam de poder comprar com base nas condições do mercado.

Autoridades da China têm exigido que os Estados Unidos revertam tarifas estabelecidas por Trump como condição para qualquer "Fase 1" de acordo comercial. O governo Trump impôs tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em importações chinesas a partir de julho de 2018.

PRAZO FINAL

Se Trump não suspender as tarifas programadas para entrar em vigor em 15 de dezembro, as autoridades de Pequim aplicarão mais tarifas sobre produtos dos EUA e poderão suspender as negociações até depois da eleição presidencial dos EUA em novembro de 2020, acreditam especialistas em comércio.

As tarifas de 15 de dezembro seriam aplicadas a quase 160 bilhões de dólares em importações chinesas, como consoles de videogame e monitores de computador.

Em agosto, a China disse que aplicaria 5% e 10% em tarifas adicionais sobre 75 bilhões de dólares em mercadorias dos EUA em dois lotes. As tarifas do primeiro lote entraram em vigor em 1º de setembro, atingindo mercadorias dos EUA, incluindo soja, carne de porco, carne bovina, produtos químicos e petróleo bruto.

As tarifas do segundo lote de produtos deverão passar a valer em 15 de dezembro, afetando mercadorias que variam de milho e trigo a pequenas aeronaves e ímãs de terras raras.

A China também disse que vai reintroduzir em 15 de dezembro uma tarifa adicional de 25% sobre veículos fabricados nos EUA e taxação de 5% em autopeças, suspensas no início de 2019.

Ainda segundo fontes internacionais, os negociadores da delegação americana teriam oferecido uma redução de 50% nas tarifas sobre US$ 375 bilhões em produtos e bens chineses. Mais do que isso, os EUA poderiam ainda suspender as taxações sobre outros US$ 160 bilhões. 

E as fontes ouvidas pela Bloomberg explicam ainda que os termos entre os dois países já alcançaram um meio termo, porém, que o texto legal do acordo ainda não está pronto. Assim, os próximos passos deverão ser finalizar o texto, alinhar os fatos para que o anúncio oficial seja feito. 

"É muito provável que haja discurso sobre o assunto ainda hoje. O porta-voz da Casa Branca recusou em comentar o assunto", disseram os analistas da consultoria INTL FCStone. Os executivos alertaram ainda para alguns possíveis impactos desse acordo no mercado, entre eles uma baixa do dólar, alta do preços da soja na Bolsa de Chicago e do recuo dos prêmios nos portos do Brasil. 

Nesta quinta, os futuros da oleaginosa encerraram o dia com pequenas altas de pouco mais de 4 pontos entre seus principais vencimentos, uma vez que a notícia da 'fase um' chegou logo na sequência do fechamento da bolsa. 

Wall Street alcança recordes com relatos de acordo comercial entre EUA e China

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NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices de Wall Street atingiram novos recordes nesta quinta-feira, após a notícia de que os Estados Unidos chegaram a um "acordo de princípio" com a China para resolver uma guerra comercial que abalou os mercados por quase dois anos.

O índice industrial Dow Jones subiu 220,62 pontos, ou 0,79%, para 28.131,92, o S&P 500 ganhou 26,93 pontos, ou 0,86%, para 3.168,56 e o Nasdaq Composite acrescentou 63,27 pontos, ou 0,73%, para 8.717,32.

As ações valorizaram-se pela manhã quando o presidente dos EUA, Donald Trump, tuitou que os Estados Unidos estavam perto de um acordo antes do domingo, quando uma nova rodada de tarifas sobre produtos chineses estava programada para entrar em vigor. Mais tarde, surgiram relatos de que os dois países haviam alcançado um acordo inicial.

Wall Street esteve focada na nova rodada de tarifas, esperando que elas fossem ao menos adiadas à medida que as duas maiores economias do mundo avançam em um acordo comercial inicial.

"Tem sido um processo longo e doloroso chegar a um acordo, se for esse o caso", disse Rick Meckler, sócio da Cherry Lane Investments em New Vernon, Nova Jersey.

Todos os três índices atingiram recordes intradiários, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram fechamentos recordes.

Os investidores expressaram certa cautela em confiar demais nas negociações comerciais, dada a contínua volatilidade durante a prolongada saga comercial EUA-China.

Até o momento, o índice S&P de referência subiu 26% em 2019, alimentado pelos cortes nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), os lucros corporativos acima do esperado, além de otimismo com as relações comerciais EUA-China.

Na quarta-feira, o Fed manteve as taxas de juros estáveis ​​em sua última reunião de política do ano e sinalizou que os custos dos empréstimos não sofrerão alterações tão cedo. Na quinta-feira, o banco central da Europa manteve suas taxas estáveis ​​e seu novo chefe deu um tom mais otimista à economia.

No noticiário empresarial, as ações do Facebook recuaram 2,7% depois que o Wall Street Journal informou que a Comissão Federal de Comércio dos EUA está considerando uma liminar contra a empresa de mídia social.

As ações da Delta Air Lines valorizaram em 2,9%, já que a empresa projetava outro aumento anual do lucro e da receita em 2020.

Fonte: Reuters

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