China já tem 2.051 casos de coronavírus; cepa do vírus sofre mutação e se fortalece

Publicado em 26/01/2020 15:04 e atualizado em 27/01/2020 06:13
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XANGAI (Reuters) - O número de casos de coronavírus na China atingiu 2.051, de acordo com informações até 19h (horário local, ou 8h no horário de Brasília) deste domingo, reportou a televisão estatal chinesa, citando que o número de mortos permanece em 56.

PEQUIM/XANGAI (Reuters) - A capacidade de se espalhar do novo coronavírus está se fortalecendo, e as infecções podem continuar a crescer, afirmou a Comissão Nacional de Saúde da China neste domingo, com mais de 2.000 pessoas no país infectadas e 56 mortas pela doença. 

Autoridades de saúde ao redor do mundo correm para evitar uma pandemia, depois que alguns casos de infecções foram relatados fora da China, como Tailândia, Austrália, Estados Unidos e França. 

O prefeito de Wuhan, epicentro do surto, disse que esperava mais 1.000 novos pacientes na cidade, que está acelerando a construção de hospitais especiais. 

O novo coronavírus gerou alarme porque ainda não se sabe muito sobre ele, como o quão perigoso é ou quão fácil se espalha entre as pessoas. Pode causar pneumonia, o que foi fatal em alguns casos. 

O ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, afirmou que o período de incubação do vírus pode variar de um a 14 dias, período em que a infecção pode acontecer, o que não era o caso com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

A SARS foi um coronavírus originado na China e que matou quase 800 pessoas ao redor do mundo em 2002 e 2003. 

"Segundo informações clínicas recentes, a habilidade de se espalhar do vírus parece estar ficando mais forte", afirmou Ma a repórteres.

A Organização Mundial de Saúde não caracterizou o surto como uma emergência de saúde global, mas alguns especialistas questionam se a China pode conter a epidemia. 

Oficiais de saúde em Orange County, na Califórnia, relataram um terceiro caso registrado nos Estados Unidos, em um viajante de Wuhan, que estava isolado e em boa condição. 

No sábado, o Canadá declarou seu primeiro caso “presumível” em um residente que havia retornado de Wuhan. A Austrália confirmou seus quatro primeiros casos.

Não houve mortes relatadas fora da China. 

No domingo, a China proibiu temporariamente em todo o país a venda de animais silvestres em mercados, restaurantes e plataformas de comércio eletrônico. Animais selvagens e caçados, muitas vezes empacotados juntos em mercados chineses, têm sido considerados incubadoras que permitem ao vírus evoluir e pular a barreira das espécies para os seres humanos. 

O Departamento de Estado norte-americano afirmou que irá realocar os funcionários de seu consulado em Wuhan para os Estados Unidos, e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disse que seu governo estava trabalhando com a China para organizar um voo que levasse cidadãos japonesas de Wuhan de volta ao país.

CANCELAMENTOS, FALTA DE SEGURANÇA

Autoridades de saúde em Pequim pediram que as pessoas não apertassem as mãos das outras, mas que se cumprimentassem com o tradicional gesto da mão em concha. O conselho foi enviado em uma mensagem de texto para usuários de celulares na cidade na manhã de domingo. 

Pequim também adiou a reabertura das escolas e universidade da cidade, depois do feriado do Ano Novo Lunar, afirmou a rádio estatal. Hong Kong já havia adiado a reabertura de suas escolas para 17 de fevereiro. 

A China tem exigido transparência na administração da crise, depois que uma tentativa de acobertá-la destruiu a confiança do público, mas oficiais em Wuhan têm sido criticados pela maneira como estão lidando com o surto. 

Ilustrando a extensão da perturbação à vida na China, o total de passageiros em viagens caiu quase 29% no sábado, o primeiro dia do Ano Novo Lunar, em relação a um ano antes, com passageiros aéreos em queda de 42%, afirmou um oficial do Ministério do Transporte.

China estuda estender feriado do Ano Novo para controlar surto de coronavírus

Pequim - Por Niviane Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo

As autoridades chinesas anunciaram neste domingo planos para estender o feriado do Ano Novo Lunar originalmente previsto para terminar no dia 30 de janeiro, como medida-chave para controlar o surto de coronavírus. O feriado começou em 24 de janeiro.

A decisão foi divulgada pela agência de notícias oficial da China Xinhua em comunicado depois que o grupo líder do Comitê Central do Partido Comunista da China (CPC), sobre prevenção e controle do novo surto de coronavírus, realizou uma reunião para fazer planos de trabalho.

A reunião foi presidida pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, membro do Comitê Central do Partido Comunista da China e chefe do grupo.

A reunião enfatizou que o país está em um momento crucial na prevenção e controle do novo surto de coronavírus, pedindo aos comitês e governos do Partido em todos os níveis a adotarem medidas mais "decisivas, poderosas e ordenadas, científicas e bem planejadas" para conter a eficácia a propagação.

Entre as medidas enfatizadas pelo grupo estão: necessidade de concentrar e fortalecer o trabalho de prevenção na província de Hubei e na cidade de Wuhan; enviar grupos para Hubei para direcionar o trabalho na região; coordenar recursos em todo o país para priorizar o fornecimento de pessoal médico e de produtos médicos, como roupas de proteção e máscaras faciais; abrir "passagens verdes" para garantir o transporte dos suprimentos; acelerar a construção de hospitais designados para tratar pacientes infectados e transformar alguns hotéis em áreas de quarentena, entre outras.

Prefeito de Wuhan espera mais 1.000 novos casos de vírus na cidade

XANGAI (Reuters) - O prefeito de Wuhan, na China, epicentro do surto de coronavírus que matou 56 pessoas e infectou mais de 2.000 no país, afirmou, neste domingo, que espera mais 1.000 novos pacientes na cidade, sublinhando a imensa pressão na infraestrutura de Wuhan.

O governo da cidade de Wuhan acelerará a construção de hospitais especializados em lidar com pacientes infectados, afirmou Zhou Xianwang a repórteres. 

A pressão sobre o fornecimento de produtos médicos, como roupas e óculos de proteção foi amenizada, ele disse, graças em parte ao aumento de doações privadas. 

Wuhan, cidade com cerca de 11 milhões de pessoas e capital da província de Hubei, está virtualmente sitiada entre as tentativas de conter o surto. 

Imagens de corredores de hospitais lotados de pessoas buscando tratamento circularam nas redes sociais chinesas, e moradores têm reclamado do aumento de preços de produtos essenciais, como vegetais. 

Zhou insistiu, neste domingo, que o preço dos alimentos na cidade está estável e que o fornecimento de comida é amplo.

O governador da província de Hubei, Wang Xiaodong também disse a repórteres que ele se sente “agoniado” e responsável pelo surto. 

Hong Kong proíbe entrada de moradores de Hubei

HONG KONG (Reuters) - Autoridades de Hong Kong proibiram neste domingo que moradores da província chinesa de Hubei, o centro do surto de coronavírus, entrem na cidade, em resposta à crescente pressão para aprovar medidas preventivas para conter a epidemia.

A proibição inclui aqueles que estiveram na província nos últimos 14 dias, mas excluem os cidadãos de Hong Kong.

Mais cedo um grupo de manifestantes incendiou o saguão de um prédio residencial recém-construído em Hong Kong que as autoridades planejavam usar como quarentena para o surto de coronavírus.

Uma testemunha da Reuters viu vários manifestantes mascarados, vestidos de preto, entrando no quarteirão público no distrito de Fanling, perto da fronteira com a China, e acendendo um coquetel molotov. Podia-se ver fumaça negra saindo do prédio ao som de alarmes de incêndio. Janelas foram quebradas.

Os bombeiros conseguiram apagar o fogo e os danos pareciam estar confinados à área do lobby. Centenas de policiais também agiram, prendendo pelo menos uma pessoa.

À medida que os temores sobre o surto de vírus se intensificam, aumentam os pedidos para o governo de Hong Kong fechar a fronteira do centro financeiro com a China continental para minimizar o risco de infecção.

Antes, centenas de cidadãos de Hong Kong haviam bloqueado as estradas que levavam ao prédio com tijolos e outros detritos, para protestar contra os planos de converter o prédio em uma zona de quarentena, quando o número de casos confirmados na cidade subiu para seis.

"Estamos insatisfeitos com o governo que selecionou esse conjunto habitacional como uma vila de separação (quarentena), pois fica muito perto de uma área residencial e de uma escola primária", disse um morador de 28 anos de sobrenome Tsang.

As autoridades de Hong Kong disseram que converteriam "Fai Ming Estate, uma propriedade pública desocupada em Fanling, em apartamentos temporários para quarentena e observação de pessoas próximas sem sintomas, se necessário".

Após o protesto, o governo disse que "cessaria os trabalhos de preparação relacionados no Estado de Fai Ming".

Até agora, as autoridades de Hong Kong se recusaram a bloquear categoricamente o fluxo de visitantes da China continental através de várias passagens de fronteira terrestre. As conexões diretas de trem e voo de e para Wuhan foram suspensas.

As autoridades de saúde disseram que 107 pessoas estavam em quarentena e havia 77 casos suspeitos.

A capacidade do novo coronavírus se espalhar está se fortalecendo e as infecções podem continuar aumentando, disse a Comissão Nacional de Saúde da China neste domingo, com quase 2.000 pessoas na China infectadas e 56 mortas pela doença.

Cidade chinesa de Wuhan requisita 24 hospitais gerais para atender pacientes com febre (agencia Xinhua)

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Profissionais de saúde trabalham na UTI do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan, na Província de Hubei, centro da China, em 4 de janeiro de 2020.(Xinhua/Xiong Qi)

Wuhan, 26 jan (Xinhua) -- Wuhan, a cidade mais afetada pelo surto do novo coronavírus no centro da China, planeja transformar 24 hospitais gerais para enfrentar temporariamente a crescente quantidade de pacientes com febre, assinalou a comissão de saúde da cidade.

Com base nos dois hospitais designados e 61 clínicas de febre, a megalópole decidiu transformar em lotes os 24 hospitais locais para oferecer milhares de leitos aos pacientes.

No primeiro lote, sete hospitais foram transformados conforme os requisitos básicos das instituições de prevenção e controle de doenças contagiosas para atender aos pacientes de febre.

O segundo e terceiro grupos envolverão três e 14 hospitais gerais, respectivamente.

Wuhan, capital da Província de Hubei, tem agora mais de 4.000 leitos para pacientes infectados e sob suspeita e contará com mais 6.000 até o final do mês.

No sábado, Hubei informou 323 novos casos confirmados de pneumonia causada pelo novo coronavírus e 13 novas mortes, segundo as autoridades provinciais de saúde.

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Foto aérea tirada em 24 de janeiro de 2020 mostra equipamentos mecânicos trabalhando no local de construção de um hospital especial no distrito Caidian no subúrbio ocidental de Wuhan, na Província de Hubei, centro da China. (Xinhua/Xiao Yijiu)

Fonte: Reuters

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