Presidente do BNDES reitera que auditoria no banco não encontrou irregularidades

Publicado em 29/01/2020 12:22
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, voltou a se explicar sobre as investigações relacionadas às operações entre o banco e a J&F, holding que controla entre outras empresas a JBS, reiterando que não foram encontradas irregularidades.

"É legítimo haver essas dúvidas, preocupação, e estamos aqui para esclarecer. O fato é que não foi encontrada nenhuma irregularidade", disse Montezano a jornalistas nesta quarta-feira, em Brasília.

De acordo com Montezano, no momento presente, o banco "não tem mais mais nada a esclarecer" à população. "Se, no futuro, surgir outra operação ou questionamento como esse, a gente virá a público", disse o presidente do BNDES.

Bolsonaro assumiu o governo afirmando que iria "abrir a caixa-preta" do BNDES, em referência ao que ele via como supostas irregularidades na concessão de empréstimos pela instituição.

Segundo Montezano, os custos da auditoria contratada pelo banco tiveram de ser reajustados com base no crescimento das informações levantadas, e também com dados da Operação Bullish, da Polícia Federal, e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o BNDES, que foi instalada no Congresso Nacional.

No total, a auditoria analisou oito operações entre o banco público e a J&F, com os empréstimos do banco público à holding totalizando, em valores atualizados, 20,1 bilhões de reais, entre os anos de 2005 a 2018, valor próximo do montante total desembolsado pelo BNDES para grandes empresas em 2019, que gira entre 25 e 26 bilhões de reais.

GAROTO

Ao ser questionado sobre o comentário de Bolsonaro, que considerou ontem como "errado" o valor da auditoria contratada pelo BNDES, Montezano disse que há uma diferença de cerca de 5,3 milhões de reais que explica a avaliação do presidente da República.

De acordo com ele, Bolsonaro referiu-se à distinção do valor do custo da auditoria independente, inicialmente apresentado em 48 milhões de reais, corrigido posteriormente para 42,7 milhões de reais, de acordo com os pagamentos realizados em dólar norte-americano, tendo como base a cotação da divisa no momento de cada aprovação.

Montezano também agradeceu ter sido chamado de "garoto" por Bolsonaro. "Acho que é um elogio. Fico feliz com a declaração", afirmou.

META DE DESEMBOLSOS?

Montezano afirmou que, a partir deste ano, o BNDES não trabalhará mais como meta fixa para desembolso, mas sim com o estabelecimento de uma banda. Essa modificação, segundo ele, reforça a intenção do banco público de estruturar projetos de cunho social.

"Entendemos que, neste ano, o banco deve ficar algo próximo em linha com o ano passado, em torno de 60 bilhões de reais", esclareceu. O desembolso de 2019 será apresentado, segundo Monetezano, em abril.

Ele também disse que o BNDES ainda não tem "número fechado" para devolução de recursos ao Tesouro em 2020.

O presidente do BNDES não quis comentar a possibilidade do surto do coronavírus na China, que tem afetado o valor de mercado da Petrobras, prejudicar a oferta de ações da companhia pelo BNDES, prevista para ser precificada em 5 de fevereiro.

Fonte: Reuters

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