Governo pedirá reconhecimento de calamidade pública no país
O governo federal solicitará ao Congresso Nacional que aprove o reconhecimento de estado de calamidade pública no país, com efeito até 31 de dezembro deste ano. A medida, prevista no Artigo 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), dispensa a União do cumprimento da meta de resultado fiscal prevista para este ano, que é de déficit primário de R$ 124,1 bilhões. O estado de calamidade pública também suspende obrigações de redução de despesa com pessoal quando este gasto ultrapassa os limites previstos na própria lei.
A medida foi tomada em virtude da pandemia de Covid-19, aliada a questões econômicas como a perspectiva de queda de arrecadação.
"O governo federal reafirma seu compromisso com as reformas estruturais necessárias para a transformação do Estado brasileiro, para manutenção do teto de gastos como âncora de um regime fiscal que assegure a confiança e os investimentos para recuperação de nossa dinâmica de crescimento sustentável", informou a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República, em nota oficial.
Confira a íntegra da nota oficial da Presidência da República que pede o reconhecimento de estado de calamidade pública
NOTA
Em virtude do monitoramento permanente da pandemia Covid-19, da necessidade de elevação dos gastos públicos para proteger a saúde e os empregos dos brasileiros e da perspectiva de queda de arrecadação, o Governo Federal solicitará ao Congresso Nacional o reconhecimento de Estado de Calamidade Pública. A medida terá efeito até 31 de dezembro de 2020.
O reconhecimento do estado de calamidade pública tem suporte no disposto no Art. 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o qual dispensa a União do atingimento da meta de resultado fiscal prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, em consequência, da limitação de empenho prevista na LRF.
O Governo Federal reafirma seu compromisso com as reformas estruturais necessárias para a transformação do Estado brasileiro, para manutenção do teto de gastos como âncora de um regime fiscal que assegure a confiança e os investimentos para recuperação de nossa dinâmica de crescimento sustentável.
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.
Calamidade pública não dispensa teto de gastos e regra de ouro
O estado de calamidade pública a ser pedido pelo governo ao Congresso não elimina a necessidade do cumprimento do teto de gastos nem da regra de ouro, esclareceu hoje (17) à noite o Ministério da Economia. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o mecanismo previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) flexibiliza apenas a meta fiscal.
Além do déficit primário, o estado de calamidade pública permite o descumprimento do limite de gastos com o funcionalismo e da trajetória da dívida pública. Esses problemas, no entanto, não ameaçam a União, que está distante das travas impostas pela LRF nos dois quesitos.
O déficit primário é o resultado negativo nas contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) originalmente estabelece que o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – poderá ter meta de R$ 124,1 bilhões de déficit.
Ontem (16), o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, e o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, tinham informado que o governo mandaria um projeto de lei para alterar a meta , por causa do agravamento da crise provocada pela pandemia de coronavírus. No entanto, a aprovação pelo Congresso do estado de calamidade pública dispensaria o cumprimento da meta sem a necessidade de alteração da LDO.
Em vigor desde o fim de 2016, o teto federal de gastos limita o crescimento das despesas federais à inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) por 20 anos, com a possibilidade de o indexador ser revisto depois de dez anos. Segundo o governo, não existe necessidade de revogar o teto de gastos porque os gastos extras para combater a Covid-19 podem ser pedidos por meio de crédito extraordinário, que estão excluídos do teto. Esse mecanismo foi pensado para permitir a execução de gastos públicos em situações emergenciais.
Instituída pelo Artigo 167 da Constituição, a regra de ouro estabelece que o governo só pode emitir títulos da dívida pública para financiar investimentos (como compra de equipamentos e obras), amortizações ou para refinanciar a própria dívida. O Orçamento deste ano permite que a União peça ao Congresso um crédito suplementar, estimado em R$ 79,9 bilhões, para que o governo emita títulos públicos para financiar gastos correntes e evitar o descumprimento da regra.
Bolsonaro promete fala conjunta com Maia, Alcolumbre e Toffoli para evitar a histeria
BRASÍLIA (Reuters) - Depois de repetidamente afirmar que a reação à epidemia de coronavírus era uma histeria e que haveria interesses econômicos por trás da atenção que estava sendo dada a isso, o presidente baixou o tom, dizendo que apenas quer evitar o pânico entra a população e prometeu uma entrevista conjunta com os líderes do Legislativo e do Judiciário na quarta-feira.
"A minha mensagem é para que não se apavorem. Nós vamos ter que passar por essa onda. Agora, se o pânico chegar no meio da população tudo fica pior. Eu estou preocupado com a questão humanitária, de vidas, mas também com a questão econômica", disse.
"Não pode ter histeria, se for para a histeria as consequências podem ser as piores possíveis. Tem que ter calma, vai passar."
O presidente informou ainda que convidou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado e Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o Procurador-geral da República, Augusto Aras, do Tribunal de Contas da União, José Mucio Monteiro, para uma entrevista conjunta à imprensa na noite de quarta-feira.
"Para demonstrar a todos vocês que estamos unidos para combater o bom combate em uma causa comum, que é a questão do vírus que chegou, mas não é motivo de pânico. Essa sempre foi minha posição", disse.
O encontro dos líderes dos três Poderes se dá após as manifestações no domingo, que foram estimuladas por Bolsonaro e que tiveram, entre seus pontos centrais, ataques contra justamente Maia, Alcolumbre e Toffoli.
Bolsonaro voltou a dizer que se a economia brasileira parar, o que pode acontecer com a decretação de quarentena, a situação econômica pode matar ainda mais pessoas que o vírus.
O presidente disse ainda que dará uma outra entrevista, no início da tarde de quarta, com seus ministros, depois de mais uma reunião do gabinete de crise sobre o coronavírus.
Brasil estuda alternativas para decretar fechamento de fronteiras
BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro estuda uma alternativa legal para decretar o fechamento das fronteiras terrestres do país, além de um controle mais rigoroso da entrada de aviões, disseram à Reuters três fontes que acompanham o tema.
De acordo com as fontes, o tema foi discutido em uma reunião na Casa Civil na última sexta-feira e há um consenso sobre adotar a medida, especialmente em relação à Venezuela, mas o governo esbarra em questões legais.
Na segunda-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "hoje o Brasil é sem fronteiras".
"Você não encontra espaço na lei para fechar", disse.
A lei de imigração brasileira, aprovada em 2017 e considerada uma das mais amplas e abertas em relação à imigração no mundo, não prevê a possibilidade de fechamento de fronteiras, deportações, expulsões ou repatriações em massa e coloca como um de seus princípios a "acolhida humanitária".
Além disso, em agosto de 2018, um pedido do governo de Roraima para que a fronteira com a Venezuela fosse fechada, a ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber proibiu a ação afirmando que fechar a fronteira contrariava a Constituição e os tratados internacionais que o Brasil ratificou. No entanto, a ministra esclarecia ainda que essa seria uma atribuição do presidente da República.
"Existe um consenso de que a medida poderia ser importante, em especial em relação à Venezuela", disse uma das fontes.
Há um temor que a entrada do vírus no país vizinho, que está em colapso econômico, possa aumentar o fluxo de venezuelanos em busca de atendimento, pressionando ainda mais o serviço de saúde brasileiro e ajudando a espalhar a epidemia.
Os ministros militares de Bolsonaro, no entanto, advertiram sobre a complexidade de se manter o controle de uma fronteira do tamanho da brasileira, segundo uma das fontes, uma visão que foi ecoada pelo próprio presidente.
"Pode até fechar a fronteira com a Venezuela, mas vazaria por outro lugar", avaliou Bolsonaro em entrevista à rádio Bandeirantes.
Na região, a Colômbia decidiu fechar todas as suas fronteiras a partir desta terça-feira até o final de maio para tentar evitar o aumento da contaminação. A fronteira do país com a Venezuela já está fechada desde o último sábado.
Já o Chile pretende proibir a entrada de estrangeiros a partir da quarta-feira, enquanto a Argentina está permitindo a entrada apenas de seus cidadãos e estrangeiros residentes e fechou a passagem nas fronteiras, com exceção apenas para caminhões. A mesma medida foi tomada pelo Paraguai.
O Uruguai proibiu navios de cruzeiro e passou a exigir quarentena de qualquer um vindo dos 10 países com maior nível de contaminação.
Comércio paulistano recua 16,7% no primeiro fim de semana pós-pandemia
De acordo com a associação, o levantamento feito pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, com base em dados nacionais da Boa Vista Serviços, já reflete a realidade pós-pandemia: o consumidor se retrai e muda seus hábitos de consumo.
Maior movimento mesmo foi observado nos supermercados, com a população buscando itens como alimentos e produtos de higiene e limpeza. Para o economista Marcel Solimeo, economista da ACSP, a atitude que deve ser bem avaliada para evitar desabastecimento. "Quando a ambiente é de incerteza, como o de agora, não há como fazer projeções: o ideal é evitar o pânico", diz. "Não há uma receita para enfrentar a situação, pois não sabemos o que vai acontecer. É adaptar o seu negócio à medida que as coisas evoluírem".
0 comentário
Trump adverte Carney em Davos e diz que Canadá deveria ser "grato"
Em almoço, aliado dá pistas sobre futuro ministro da Fazenda de Flávio
STOXX 600 fecha estável conforme Trump atenua retórica sobre Groenlândia
Trump diz que se reunirá com Zelenskiy e que acordo "razoavelmente próximo"
Brasil tem fluxo positivo de US$1,544 bi no ano puxado por entradas financeiras
Suprema Corte dos EUA parece relutante em permitir que Trump demita Lisa Cook do Fed