Nos EUA, Fed promete manter juro perto de zero até que inflação suba

Publicado em 16/09/2020 19:40 79 exibições

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WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros perto de zero nesta quarta-feira e fez uma nova e ousada promessa: mantê-las nesse patamar até que a inflação esteja no caminho para "superar moderadamente" a meta de 2% do banco central norte-americano "por algum tempo".

A mudança na orientação faz parte da alteração de política monetária do Fed anunciada no mês passado e que busca compensar anos de inflação fraca e permitir que a economia continue criando empregos por quanto tempo for possível.

"Efetivamente, o que estamos dizendo é que as taxas permanecerão altamente acomodatícias até que a economia esteja bem adiantada em sua recuperação", afirmou o chair do Fed, Jerome Powell, em coletiva de imprensa após a divulgação do comunicado da última decisão do banco central e das projeções econômicas.

"Essa deve ser uma declaração muito poderosa no apoio à atividade econômica" e no retorno da inflação à meta de 2% do Fed mais rapidamente", disse ele, acrescentando acreditar que o chamado "forward guidance" (orientação futura) será "durável".

A recuperação, observou Powell, está em andamento, mas espera-se que o ritmo diminua, o que exige apoio contínuo do Fed e, segundo ele, de novos gastos do governo.

Ainda assim, a decisão do Fed teve dois votos que divergiram da maioria --um de um formulador de política monetária que achou que o Fed havia ido longe demais e outro de uma autoridade que considerou que as ações não foram suficientes.

O Fed também utilizou seu comunicado para começar a se afastar de um viés que contemplava a estabilização dos mercados financeiros em direção a um em que busca estimular a economia, mencionando que iria manter as compras de títulos do governo no ritmo atual de pelo menos 120 bilhões de dólares por mês, com objetivo de garantir condições financeiras "acomodatícias" no futuro.

"ENORME" DIFICULDADE

A epidemia de coronavírus continuou a pesar sobre a economia, disse o Fed no comunicado divulgado ao final de dois dias de reuniões, em avaliação feita a despeito de as autoridades terem melhorado sua perspectiva imediata para a economia.

O vírus "está provocando tremendo sofrimento humano e econômico", disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), acrescentando que o Fed "está comprometido em usar todo seu conjunto de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador".

Novas estimativas, divulgadas com o comunicado de política monetária, mostraram que a maioria dos membros do Fomc vê juros estáveis pelo menos até 2023, sem que a inflação supere 2% nesse período.

Powell disse que o Fed "está tanto confiante, quanto comprometido e determinado" a ultrapassar, modestamente, a taxa de 2% de inflação, mas ponderou que isso levaria tempo.

Os formuladores de política monetária estimam que a economia encolherá 3,7% neste ano, bem menos que a queda de 6,5% projetada em junho, e que o desemprego --que ficou em 8,4% em agosto-- deve cair a 7,6% ao final deste ano.

Todos os formuladores de política monetária do Fed enxergam os juros no atual nível até 2022, com quatro observando necessidade de um aumento em 2023.

S&P 500 encerra em leva queda apesar de orientação de juros baixos do Fed

(Reuters) - O S&P 500 encerrou uma sessão volátil ligeiramente em queda nesta quarta-feira, com as perdas em papéis tecnológicos pesando sobre o índice, mesmo depois que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) emitiu comunicado que consolidou expectativas de que as taxas de juros ficarão próximas de zero por um período prolongado.

O índice inicialmente ampliou os ganhos e o Dow Jones avançou brevemente mais de 1% no pregão da tarde depois que o Fed, em seu comunicado de política monetária, manteve os juros próximos de zero e prometeu mantê-los próximo desse nível até que a inflação esteja a caminho para "exceder moderadamente" a meta de inflação do banco central, de 2%, "por algum tempo".

Novas projeções econômicas divulgadas com o comunicado da última decisão de política monetária do Fed mostram que a maioria das autoridades enxergam as taxas de juros mantidas inalteradas até pelo menos 2023.

Mas o mercado perdeu terreno antes do fechamento, liderado por perdas nos papéis tecnológicos.

"O Fed apoiará muito a economia, e Powell deseja que o Congresso seja mais estimulativo", disse Tim Ghriskey, estrategista-chefe de investimentos do Conselho de Inverness em Nova York. "É uma preocupação que o Congresso não esteja apoiando."

A reunião de dois dias do banco central é a primeira sob uma estrutura recém-adotada que promete levar a inflação para acima de 2% para compensar os períodos em que a carestia ficar abaixo dessa meta.

O Dow Jones avançou 0,13%, aos 28.032,38 pontos, o S&P 500 perdeu 0,46%, aos 3.385,49 pontos. O Nasdaq registrou queda de 1,25%, aos 11.050,46 pontos.

Fonte:
Reuters

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