Dólar avança contra real após Copom e mensagem decepcionante do Fed

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar era negociado em alta contra o real nesta quinta-feira, devolvendo parte das perdas da véspera à medida que os operadores reagiam à decisão do Copom de manter a taxa Selic na mínima histórica de 2%, enquanto uma mensagem decepcionante do Federal Reserve abalava o apetite por risco no exterior.
Às 10:09, o dólar avançava 0,52%, a 5,2680 reais na venda, e chegou saltar para 5,2930 reais na máxima do dia.
O contrato mais líquido de dólar futuro ganhava 0,53%, a 5,6285 reais.
Esse movimento estava em linha com o comportamento de alta do dólar ante outras moedas arriscadas pares do real, como lira turca, peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano. Outros ativos que são pressionados em momentos de cautela, como os futuros de Wall Street e as bolsas de valores europeias, eram negociados em queda diante do pessimismo internacional.
"Como principal motivo desse mau-humor aparece o Fed nos EUA, que, após decidir ontem pela manutenção de seu juro básico (...), não agradou os investidores ao deixar de dar sinalizações de que possa relaxar ainda mais a sua política monetária", escreveu Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora.
O banco central dos Estados Unidos prometeu na quarta-feira manter os juros perto de zero até que a inflação fique no caminho de ultrapassar a meta de 2%, mas não citou nenhuma medida adicional de afrouxamento. Além disso, o chair do Fed, Jerome Powell, disse que a recuperação econômica deve desacelerar e que o mercado de trabalho norte-americano ainda tem um longo caminho a percorrer até atingir uma meta de emprego máximo.
Nesta quinta-feira, um indicador semanal que acompanha o mercado de trabalho dos EUA mostrou que o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu na semana passada, mas permaneceu em níveis extremamente altos.
Enquanto isso, no Brasil, os investidores reagiam à notícia de que o Banco Central manteve a taxa Selic em sua mínima histórica de 2% ao ano após nove cortes consecutivos, conforme esperado pelo mercado, sem grandes novidades quanto à política monetária.
No comunicado, além de reconhecer que a inflação deve acelerar no curto prazo, o BC repetiu a existência de um pequeno espaço, se algum, para cortar os juros à frente. E reiterou a orientação futura, já divulgada anteriormente, de que não pretende elevar a taxa básica até que o cenário básico esteja próximo da meta da autarquia.
"A inclusão da utilização do forward guidance – que já estava presente na última ata – sustenta a expectativa de juros baixos por algum tempo, ainda que condicionados à evolução da política fiscal e das expectativas de inflação", explicaram em nota analistas do Bradesco.
O patamar extremamente baixo dos juros brasileiros tem sido apontado em 2020 como um dos principais fatores para a disparada do dólar em relação ao real, além de riscos econômicos e incertezas políticas locais. Até agora, no ano, a moeda norte-americana acumula ganho de mais de 31% contra a divisa brasileira.
Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário registrou queda de 0,91%, a 5,2406 reais na venda, menor nível desde 31 de julho.
0 comentário
Wall Street tomba em meio a temores de problemas relacionados a IA e preocupações com tarifas
Ibovespa fecha em queda com bancos e perdas em NY após testar 191 mil pontos
Dólar fecha perto da estabilidade no Brasil, mas na menor cotação em quase 21 meses
Fluxo de dólares abre espaço para BC não rolar de forma integral swaps cambiais e linhas
Índice STOXX cai conforme novas incertezas comerciais dos EUA prejudicam humor do mercado
Rubio viaja para se reunir com líderes caribenhos enquanto EUA pressionam Cuba e Venezuela