Ibovespa esvazia perdas no fim da sessão, mas encerra semana no vermelho

Publicado em 25/09/2020 17:22 e atualizado em 26/09/2020 04:14 83 exibições

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Por Peter Frontini

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa reduziu perdas no final da tarde, fechando a sexta-feira praticamente no zero a zero, mas teve queda na semana, a quarta seguida no vermelho.

O Ibovespa caiu 0,06% na sessão, a 96.957 pontos. Na semana, recuou 1,35%, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro somava 18,31 bilhões de reais, abaixo da média diária do mês de 28 bilhões.

Em seu pior momento, o índice chegou a cair 1,4% a 95.631,74, mas devolveu parte das perdas apoiado pelas altas de Vale e Suzano.

Bolsa fecha estável (-0,01%), a 96.999,38 pontos, com perda de 1,31% na semana

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O Ibovespa emendou nesta sexta-feira, 25, a quarta perda semanal, uma sequência que não se via desde o intervalo entre 17 de fevereiro e 20 de março, no auge da correção pandêmica, quando o índice da B3 encadeou cinco semanas negativas, com perdas que chegaram a 18,88% naquele último intervalo de cinco sessões. Agora, o ajuste é bem mais suave e gradual: nesta semana as perdas foram de 1,31%, após retrações de 0,07%, 2,84% e 0,88% nas anteriores. Assim, o Ibovespa combina perda de fôlego e pouco gosto por realização acentuada, em cenário de juros muito reduzidos por tempo prolongado - reiterado nesta semana pelo BC, na ata do Copom e no relatório trimestral de inflação.

Nesta sexta-feira, com poucos catalisadores disponíveis para orientar os negócios, os investidores pareciam, mais cedo, que colocariam no bolso parte da recuperação de ontem, quando o Ibovespa havia avançado mais do que Nova York. Hoje, contribuindo para neutralizar as perdas do dia na B3, os índices americanos mantiveram sinal positivo, acentuado à tarde, com destaque para o Nasdaq (+2,26%), que conseguiu encerrar a semana acumulando ganho de 1,11% - o dia também foi bom para o Dow Jones (+1,34%) e para o S&P 500 (+1,60%), ainda assim acumulando respectivamente perdas de 1,75% e de 0,63% na semana.

Hoje, o Ibovespa fechou praticamente estável, em levíssima baixa de 0,01%, aos 96.999,38 pontos, tendo chegado a 95.631,74 na mínima, saindo de 97.011,80 na máxima, equiparada à abertura (97 011,44). Fraco, o giro financeiro totalizou R$ 18,9 bilhões - no mês, o Ibovespa cede agora 2,38%, elevando as perdas no ano a 16,12%. Desde o último dia 18, o índice permanece abaixo dos 100 mil pontos, nos menores níveis de fechamento desde o início de julho. No pior momento desta semana, anteontem, as perdas acumuladas em setembro chegaram a superar as de agosto (-3,44%), quando a recuperação iniciada em abril foi interrompida.

"No intradia, o Ibovespa foi hoje ao menor nível da semana (95 631,74), que passa a ser observado como referência de suporte para a próxima. A semana começou com a perda da linha de 97,5 mil, levando o índice à região dos 96 mil. Se perder os 95,6 mil, os suportes seguintes estão aos 95,0 e 93,8 mil. No lado oposto, há resistência importante aos 98,3 mil que, rompida, pode levar o índice de volta aos 100,5 mil pontos", observa Rodrigo Barreto, analista gráfico na Necton. "Há muita fraqueza ainda (para uma reação sustentada), especialmente nas ações de bancos."

No exterior, "apesar da melhora americana, conforme citado por (Jerome) Powell (presidente do Fed) em seus depoimentos (desta semana), há sensibilidade na economia do país, como pode ser evidenciado pelos dados do mercado de trabalho e pela necessidade de estímulos", observa em nota a Nova Futura Investimentos. Ontem, declarações da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, proporcionaram algum ânimo sobre a eventualidade de superação do impasse entre democratas e republicanos quanto a uma nova rodada de estímulos fiscais - mas permanece a dúvida sobre o horizonte viável, se antes ou depois da eleição de novembro.

"O otimismo que resultou do reinício das negociações entre democratas e republicanos está desaparecendo rapidamente. Os democratas reiniciaram as negociações com proposta de US$ 2,4 trilhões em estímulos, quase US$ 1 trilhão a mais do que o presidente Trump estaria disposto a apoiar", observa em nota Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York.

Neste contexto mais avesso ao risco, as bolsas da Europa fecharam hoje mais uma vez em terreno negativo - à exceção de Londres, em leve alta de 0,34%, após ter liderado perdas no dia anterior -, refletindo a cautela em torno da segunda onda de Covid-19 no velho continente. Tal preocupação começa a chegar aos preços dos ativos listados na B3, visível nesta sexta-feira nas ações de administradoras de shoppings, como Multiplan (-2,99%), maior perda do Ibovespa na sessão, e Iguatemi (-2,28%), terceira maior queda do índice nesta sexta-feira.

O dia também foi majoritariamente negativo para segmentos de maior peso, como os de commodities (Petrobras PN -1,32% e ON -1,05%), bancos (Santander -0,87%), siderurgia (Usiminas -1,25%) e utilities (Cemig -2,23%, quarta maior perda do Ibovespa na sessão). No lado oposto, destaque para Suzano (+4,65%) e Via Varejo (+3,99%) na liderança do índice nesta sexta-feira. Vale ON subiu 1,01%.

Juros zeram queda e fecham estáveis, com mercado ensaiando realização de lucros

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Os juros futuros não sustentaram o ritmo de queda e na reta final da sessão regular passaram a oscilar perto dos ajustes anteriores, num movimento classificado pelos agentes como realização parcial de lucros. Ao longo do dia, a curva deu sequência à trajetória de ontem, com recuo nas taxas, ainda amparado na leitura positiva da avaliação do Banco Central sobre a inflação, atividade e riscos fiscais, e na postura do Tesouro de reduzir a oferta de papéis prefixados de longo prazo no leilão desta quinta. No entanto, a curva fecha a semana com algum ganho de inclinação.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 4,23%, de 4,254% ontem, e a do DI para janeiro de 2022, passou de 2,833% para 2,85%. A taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 7,193% para 7,21% e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,22%, de 6,214% ontem.

Durante toda a sexta-feira, o mercado de juros andou na contramão dos demais ativos domésticos, com as taxas em baixa enquanto o dólar subia e a Bolsa recuava, numa dinâmica própria baseada na leitura de fatores internos. "O mercado vai assimilando aos poucos, principalmente no trecho intermediário da curva, a mensagem do Banco Central e, com isso, reduzindo um pouco a preocupação com a inflação. E tivemos também algum alívio com a questão do Tesouro", afirmou o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi.

Ontem, tanto o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) quanto as entrevistas do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e do diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, deixaram claro para os agentes que o BC considera as recentes pressões de preços de alimentos como algo temporário, sem potencial de desancoragem das expectativas.

Na avaliação de Caramaschi, parte do nervosismo visto nas últimas semanas era exagerado e a curva tende a se estabilizar na medida em que o mercado for percebendo que a rolagem da dívida de curto prazo não é um problema, ainda que o Tesouro tenha de encurtar a duration dos papéis para evitar custos mais elevados.

Nesse sentido, é grande a expectativa para saber qual será a estratégia da instituição na próxima semana, que terá, além de leilões de prefixados e de LFT, oferta também de NTN-B.

 

Fonte:
Reuters/Estadão conteúdo

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