Bolsonaro passeia de moto pelo litoral de SP e, sem máscara, abraça simpatizantes, diz a Reuters

Publicado em 10/10/2020 19:02 e atualizado em 11/10/2020 11:03 92 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro passeou de motocicleta pela orla do Guarujá, no litoral sul de São Paulo, neste sábado, onde conversou com simpatizantes e, sem máscara, tirou fotos com apoiadores, provocando aglomeração apesar da pandemia de coronavírus.

Bolsonaro parou para visitar um quiosque, onde comeu uma banana e passou a ser abordado por pessoas, algumas com crianças, com e sem máscaras, de acordo com vídeo publicado no canal online Foco do Brasil, que acompanha a rotina do presidente.

"Eu não mandei ninguém ficar em casa", disse o presidente em um dos momentos da gravação, vestido com camisa branca da seleção brasileira de futebol. A praia visitada por Bolsonaro estava repleta de banhistas.

Em outro momento da gravação, Bolsonaro aparece montado em uma moto, também sem máscara, diante de pequeno grupo de simpatizantes, onde pega celulares do público para fazer selfies.

Neste sábado, o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, testou positivo para Covid-19. Ramos foi o décimo ministro do governo Bolsonaro a ser diagnosticado com o vírus. Além dos 10 ministros, o próprio presidente já teve Covid-19.

Bolsonaro diz que 30% das mortes por covid poderiam ser evitadas com cloroquina

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No dia em que o Brasil chegou à marca de 150.023 mortes por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que 30% dos óbitos poderiam ser evitados com o uso da cloroquina, um medicamento sem comprovação científica contra a doença e rejeitado pela comunidade científica mundial.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o chefe do Planalto não comentou o número de mortos pelo vírus que o País atinge neste sábado, 10. Disse lamentar as vítimas e voltou a criticar medidas de isolamento social tomadas durante a pandemia.

Mesmo sem eficácia comprovada, as drogas viraram aposta do presidente Jair Bolsonaro na estratégia de resposta à pandemia no Brasil. Na gestão do general Eduardo Pazuello, que começou em maio, o Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de remédios desde os primeiros sintomas da covid-19, contrariando orientações de entidades médicas e científicas, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em transmissão pelas redes sociais ao lado de uma apoiadora em Guarujá (SP), Bolsonaro citou um suposto estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia afirmando que a hidroxicloroquina não causa arritmia cardíaca. "Eu sei que eu não sou médico. Mas conversei com muitos médicos ou você acha que eu inventei a cloroquina?", questionou Bolsonaro, dirigindo-se à câmera no vídeo ao vivo.

De acordo com Bolsonaro, o estudo de que a cloroquina evita mortes pela covid-19 vai chegar um dia. "Vou chutar aqui, vou chutar. Por volta de 30% das mortes poderiam ser evitadas com hidroxicloroquina usando na fase inicial", declarou o presidente Outra solução, nas palavras de Bolsonaro, é a vitamina D. "Uma maneira de você conseguir vitamina D é pelo sol e a vitamina D ajuda aí a combater o vírus", declarou, ao falar das praias fechadas na crise.

Mais cedo, em passeio pelo Guarujá, Bolsonaro posou para fotos, abraçou e conversou com apoiadores sem usar máscara de proteção. Na transmissão, ele pediu à apoiadora que tirasse a máscara que usava no início do vídeo ao vivo.

Mortes

Na mesma transmissão, Bolsonaro "chutou" outro número. De acordo com ele, o número total de mortes no Brasil neste ano é "parecido" com a quantidade de óbitos do mesmo período em 2019, antes da pandemia. "Se você for analisar, eu não fiz as contas ainda, nós estamos agora, faz de conta que acabou setembro, se pegar o número de mortes de janeiro a setembro do ano passado e janeiro a setembro deste ano... fez as contas aí, Cid. (chefe da Ajudância de Ordens que acompanha o presidente". Se bobear, está parecido", afirmou o mandatário.

Dados oficiais, porém, contrapõem o presidente. De acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil, mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN Brasil), o País teve 1.069.456 mortes de janeiro a setembro de 2020. A quantidade é maior do que o mesmo período de 2019, quando 949.699 óbitos foram registrados - quase 120 mil mortes a mais. Além disso, todos os meses, individualmente, registraram mais mortes neste ano do que em 2019.

Bolsonaro defende Tereza Cristina e reafirma tese do 'boi bombeiro'

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O presidente Jair Bolsonaro defendeu a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, das críticas que ela vem recebendo por ter dito nesta sexta-feira, 9, em audiência pública da comissão temporária do Senado que acompanha as ações de enfrentamento aos incêndios no Pantanal, que se houvesse mais bois soltos na região, o número de queimadas por lá teria sido menor. Segundo disse Tereza Cristina aos senadores, o gado pantaneiro é o "boi bombeiro" já que ele pasta o capim que se transforma em massa combustível para os grandes incêndios no bioma.

"Sempre se criou boi na invernada no Pantanal. E o boi come capim, que uma vez seco pega fogo. Então boi comia o capim e ai não ia pegar fogo. Aí os ambientalistas xiitas proibiram. Ai fica um a dois anos sem pegar fogo em nada, acumula uma massa de um combustível enorme. E quando pega fogo na frente é uma desgraça", disse o presidente.

De acordo com Bolsonaro, o Pantanal é maior que os Estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe e Alagoas juntos. "Estes quatro Estados são menores que o Pantanal. Como você vai combater fogo num lugar desse? E outra, não tem vias de acesso. O próprio nome diz: Pantanal", disse o presidente.

De acordo com o mandatário, parte dos incêndios é causada propositalmente, mas a maior parte é provocada pelo caboclo, pelo nativo. "E tem também o fogo que pega espontâneo", afirmou o presidente. "Na Amazônia em si não pega fogo porque é úmida. Agora, quanto mais gente reverbera isso como se eu fosse o responsável, o pessoal de fora se amarra para gente comprar os produtos deles", disse Bolsonaro.

Fonte:
Reuters/Estadão Conteúdo

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