Vacina chinesa não transmite segurança "pela sua origem", diz Bolsonaro

Publicado em 22/10/2020 09:47 e atualizado em 22/10/2020 10:48 312 exibições

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o Brasil não comprará a vacina CoronaVac, da empresa chinesa Sinovac e que está sendo testada no Brasil pelo Instituto Butantan, porque o medicamento não transmite segurança "pela sua origem" e não tem credibilidade.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, na noite de quarta-feira, Bolsonaro foi questionado se autorizaria a compra da CoronaVac se houvesse registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e respondeu que não.

"Da China não compraremos. Não acredito que ela transmita segurança para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso", garantiu.

Bolsonaro foi questionado ainda sobre quais as razões o levaram a vetar, na véspera, a compra pelo governo federal da vacina chinesa.

"Credibilidade", respondeu. "A ideia é dar espaço a outras vacinas mais confiáveis. Confiança também."

"A da China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população. Até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá", afirmou.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil e apenas em 2020 já importou 53,4 bilhões de dólares de produtos brasileiros, de acordo com dados do Ministério da Economia.

Na entrevista, o presidente lembrou a intensa relação comercial do Brasil com o país asiático, mas disse que, em alguns pontos é possível não estar "totalmente alinhado".

Procurada, a embaixada da China no Brasil não respondeu de imediato a um pedido de comentário feito pela Reuters.

A CoronaVac está em teste no Brasil dentro de um acordo de produção e transferência de tecnologia entre a Sinovac e o Instituto Butantan, que pertence ao governo de São Paulo e é um dos principais produtores das vacinas usadas no Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

O acordo prevê a compra inicial de princípio ativo da vacina, uma vez que ela seja aprovada pela Anvisa, para produção das doses no Brasil e, assim que o Butantan absorver a transferência de tecnologia, a produção integral no país.

Bolsonaro afirmou ainda que é possível ter uma vacina de outro país ou até uma brasileira, que transmitiria confiança para a população.

O governo do Estado de São Paulo é comandado por João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro e amplamente visto como provável candidato à Presidência em 2022, quando Bolsonaro disputará a reeleição, conforme já afirmou diversas vezes.

PAZUELLO FICA

O presidente revogou na quarta-feira a decisão tomada pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que assinou um protocolo com o Butantan para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac para ser incluída no Programa Nacional de Imunizações. O acordo foi anunciado na terça, em reunião de Pazuello com governadores, Doria entre eles.

Bolsonaro afirmou que houve "precipitação" do ministro em assinar o protocolo e que ele deveria ter sido informado por ser uma decisão importante.

"Parece que ele tomou a decisão no dia de ontem por uma ocasião de videoconferência. Conversei agora há pouco por zap (WhatsApp) com Pazuello, sem problema nenhum, meu amigo de muito tempo, ele continuará ministro. Ouso dizer que é um dos melhores ministros da Saúde que o Brasil já teve nos últimos anos", afirmou Bolsonaro.

Na verdade o protocolo foi apenas informado aos governadores durante a reunião por videoconferência, mas havia sido assinado no dia anterior.

Brasil registra 566 novos óbitos por Covid-19 e total atinge 155.403

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SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil registrou nesta quarta-feira 566 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de mortes pela doença no país a 155.403, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Também foram notificados 24.818 novos casos da doença provocada pelo coronavírus, com o total de infecções confirmadas no país atingindo 5.298.772.

O Brasil é o segundo país com maior número de mortes por coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e o terceiro em casos, abaixo dos EUA e da Índia.

Apesar disso, nas últimas semanas a pandemia tem desacelerado no Brasil em relação ao pico atingido no final de julho, quando eram registrados por dia, em média, mais de 50 mil casos novos e mais de 1 mil óbitos.

Estado brasileiro mais afetado pela Covid-19, São Paulo chegou nesta quarta às marcas de 1.073.261 casos e 38.371 mortes.

O segundo Estado com maior número de óbitos causados pela Covid-19, de acordo com os dados do ministério, é o Rio de Janeiro, que registrou até este momento 19.945 mortes, com 293.940 casos.

Na contagem de infecções confirmadas, porém, o Rio fica abaixo de Minas Gerais e da Bahia -- Minas soma 340.502 casos e 8.554 mortes, enquanto o Estado nordestino registrou 339.215 infecções e 7.384 óbitos.

Além desses, Ceará, Pará, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Paraná já notificaram mais de 200 mil casos de Covid-19.

O Brasil possui 4.756.489 pessoas recuperadas da doença e 386.880 pacientes em acompanhamento, segundo o ministério.

Leia Mais:

+ Bolsonaro diz que não tomará vacina chinesa e que a cancelou pelo 'descrédito'

Fonte:
Reuters

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