Trump parece reconhecer pela primeira vez que Biden pode sucedê-lo, diz a Reuters

Publicado em 14/11/2020 06:00 e atualizado em 15/11/2020 08:49 620 exibições

LOGO REUTERS

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que nunca decretará um lockdown nacional para conter o coronavírus, mas disse que "o tempo dirá" se outro governo tomará posse em janeiro e o fará, no mais próximo que chegou até o momento de reconhecer que o presidente eleito Joe Biden pode sucedê-lo.

Em seu primeiro discurso público desde que Biden foi declarado vencedor no sábado, Trump disse que espera que uma vacina contra o coronavírus esteja disponível para toda população do país em abril, em meio a uma nova onda de infecções pela doença letal que tem levado as contagens diárias a números recordes.

Em declarações no jardim da Casa Branca, Trump também pareceu reconhecer pela primeira vez a possibilidade de um futuro governo Biden, embora não tenha admitido até o momento a derrota e de não ter citado o rival democrata pelo nome.

"Idealmente, não iremos para um lockdown. Eu não irei, este governo não irá para um lockdown", disse. "Esperançosamente, o que quer que aconteça no futuro -- quem sabe qual será o governo. Acho que o tempo dirá", acrescentou.

Desde a eleição de 3 de novembro, Trump tem persistido com acusações infundadas de fraude eleitoral generalizada. Mas, embora continue a fazer tais afirmações no Twitter, ele não as repetiu em seus comentários públicos na sexta-feira.

A última vez que Trump havia falado em público --na sala de entrevistas da Casa Branca dois dias após a eleição-- ele disse, sem evidências, que, se fossem contados apenas os "votos legais", ele "ganharia facilmente" a eleição.

Biden solidificou sua vitória sobre Trump nesta sexta-feira, depois de confirmada sua vitória no Estado da Geórgia, deixando Trump com poucas esperanças de reverter o resultado por meio de contestações judiciais e recontagens.

Trump também disse que espera uma autorização de uso de emergência para a vacina da Pfizer "extremamente em breve". A Pfizer espera relatar os dados de segurança exigidos pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos na próxima semana, e pode então solicitar uma autorização de uso de emergência.

Trump fez os comentários depois de receber uma atualização sobre a operação lançada por seu governo para apoiar o desenvolvimento de uma vacina.

As críticas à resposta do governo ao vírus, que matou mais de 235 mil norte-americanos, tornaram-se um grito de guerra para os democratas antes das eleições de 3 de novembro.

Biden solidifica vitória sobre Trump com conquista da Geórgia

LOGO REUTERS

REHOBOTH BEACH, Delaware/WASHINGTON (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, solidificou a vitória sobre o presidente Donald Trump, nesta sexta-feira, depois que o Estado da Geórgia entrou para sua lista de triunfos, deixando Trump com pouca esperança de reverter o resultado por meio de contestações judiciais e recontagens.

A Edison Research, que fez a projeção, também indicou que a Carolina do Norte, o único outro Estado crucial que ainda conta os votos, irá para Trump, finalizando a contagem com 306 votos para Biden e 232 para Trump no Colégio Eleitoral.

Os números deram a Biden, um democrata, uma retumbante vitória sobre o republicano Trump no Colégio Eleitoral, igualando os 306 votos que Trump conquistou para derrotar Hillary Clinton no triunfo de 2016, que o republicano chamou de "avassalador".

Embora Trump ainda não tenha admitido a derrota, representantes de Biden reiteraram que estão avançando com os esforços de transição.

Apesar de o voto popular nacional não determinar o resultado da eleição, Biden estava à frente por mais de 5,3 milhões de votos, ou 3,4 pontos percentuais. A porcentagem que ele tinha no voto popular, de 50,8%, era ligeiramente superior à de Ronald Reagan na eleição de 1980, quando ele derrotou Jimmy Carter.

Trump tem argumentado, sem apresentar provas, que houve uma fraude eleitoral generalizada e se recusa a admitir a derrota.

Autoridades eleitorais estaduais não relataram nenhuma irregularidade grave e várias das contestações jurídicas do presidente fracassaram nos tribunais.

Para ganhar um segundo mandato, Trump precisaria reverter a liderança de Biden em pelo menos três Estados, mas até agora não conseguiu apresentar evidências de que poderia fazê-lo em qualquer um deles.

Os Estados têm um prazo até 8 de dezembro para certificar suas eleições e escolher eleitores para o Colégio Eleitoral, que oficialmente selecionarão o novo presidente em 14 de dezembro.

Uma corte estadual de Michigan rejeitou na sexta-feira um pedido de Trump para impedir a certificação de votos em Detroit, que votou fortemente a favor de Biden, e os advogados da campanha de Trump retiraram um processo no Arizona depois que a contagem final dos votos o tornou discutível.

Autoridades de segurança eleitoral federal não encontraram evidências de que qualquer sistema de votação excluiu ou perdeu votos, mudou votos, "ou de alguma forma comprometeu" a eleição, disseram dois grupos de segurança em um comunicado divulgado na quinta-feira pela principal agência de segurança cibernética dos EUA.

TRANSIÇÃO

Representantes de Biden disseram que avançariam com a transição, identificando as prioridades legislativas, revisando as políticas das agências federais e se preparando para preencher milhares de cargos no novo governo.

"Estamos avançando com a transição", afirmou Jen Psaki, consultora sênior da equipe de transição de Biden, em uma teleconferência na sexta-feira, enfatizando que Biden ainda precisa de "informações em tempo real" da administração Trump para lidar com a pandemia e ameaças à segurança nacional.

Psaki fez um apelo à Casa Branca para permitir que Biden e a vice-presidente eleita, Kamala Harris, recebam briefings diários de inteligência sobre potenciais ameaças em todo o mundo.

“A cada dia que passa, torna-se mais preocupante que nossa equipe de segurança nacional e o presidente eleito e a vice-presidente eleita não tenham acesso a essas análises de ameaças, briefings de inteligência, informações em tempo real sobre nossos compromissos pelo mundo", disse Psaki.

Trump prevê que vacina contra coronavírus estará disponível em larga escala em abril

LOGO REUTERS

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que espera que uma vacina contra o coronavírus esteja disponível para toda população do país em abril, em meio a uma nova onda de infecções pela doença letal que tem levado as contagens diárias a números recordes.

Em seus primeiros comentários públicos em mais de uma semana, após sua derrota nas eleições para o democrata Joe Biden, Trump também disse que espera uma autorização de uso de emergência para a vacina da Pfizer "extremamente em breve".

A Pfizer espera relatar os dados de segurança exigidos pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos na próxima semana, e pode então solicitar uma autorização de uso de emergência.

Trump fez os comentários depois de receber uma atualização sobre a operação lançada por seu governo para apoiar o desenvolvimento de uma vacina.

As críticas à resposta do governo ao vírus, que matou mais de 235 mil norte-americanos, tornaram-se um grito de guerra para os democratas antes das eleições de 3 de novembro, que foi vencida por Biden.

Trump, que se recusa a reconhecer a derrota, lançou uma série de contestações judiciais com base em alegações infundadas de fraude. Nesta sexta-feira, o presidente pareceu reconhecer a possibilidade de um futuro governo Biden.

"Idealmente, não iremos para um lockdown. Eu não irei, este governo não irá para um lockdown", disse ele em um discurso no Rose Garden da Casa Branca. "Esperançosamente, o que quer que aconteça no futuro -- quem sabe qual será o governo. Acho que o tempo dirá", acrescentou.

SAIBA MAIS -

Veja dados e prazos de certificação de resultados dos Estados em eleição dos EUA

LOGO REUTERS

(Reuters) - O democrata Joe Biden venceu as eleições presidenciais de 3 de novembro nos Estados Unidos, derrotando o presidente republicano Donald Trump, após um processo mais longo do que o normal de contagem de votos pelo correio, uma vez que um número recorde de norte-americanos votou por correspondência devido à pandemia do coronavírus.

Biden, que ultrapassou os 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para conquistar a Presidência no sábado, terminou com 306 votos, segundo projeção da Edison Research nesta sexta-feira. Trump encerrou a disputa com 232 votos do Colégio Eleitoral.

Os votos, no entanto, ainda precisam ser certificados na maioria dos Estados e as contagens estão sendo contestadas em vários deles, incluindo Michigan e Pensilvânia. Ao mesmo tempo, a campanha de Trump sinalizou que pode buscar uma recontagem em Wisconsin.

Veja abaixo dados da disputa pela Casa Branca, até as 17h25 (horário de Brasília), e prazos de certificação de votos pelos Estados.

Colégio Eleitoral

- Biden obteve 306 votos contra 232 de Trump

Voto popular

- Biden soma até agora 77.973.369 contra 72.654.368 de Trump; Biden tem uma vantagem de 5,3 milhões de votos.

- Biden tem 50,8% contra 47,4% de Trump

Prazos de certificação de votos

- Arizona: 30 de novembro

- Geórgia: 20 de novembro

- Michigan: 23 de novembro

- Carolina do Norte: 24 de novembro

- Pensilvânia: 23 de novembro

- Wisconsin: 1º de dezembro.

Trump pondera futuro fora da Casa Branca conforme opções para 2020 diminuem

LOGO REUTERS

WASHINGTON (Reuters) - Com seus esforços para conseguir um segundo mandato perdendo força, o presidente dos EUA, Donald Trump, está discutindo com assessores várias iniciativas de mídia e aparições que o manteriam no centro das atenções antes de uma potencial candidatura à Casa Branca em 2024.

No curto prazo, Trump deve fazer campanha para candidatos republicanos ao Senado dos EUA na Geórgia antes do segundo turno das eleições de 5 de janeiro que determinarão se os republicanos manterão o controle da Casa, disseram assessores do presidente.

Ele também está considerando abrir um novo canal de televisão ou empresa de mídia social para competir com aqueles que ele considerou que o traíram e sufocaram sua capacidade de se comunicar diretamente com os norte-americanos, de acordo com vários assessores.

"Acredito que todas as opções estão sobre a mesa, de uma mídia social a uma empresa de mídia, anunciando que ele vai concorrer à Presidência no dia em que sair", disse uma autoridade republicana que participou de reuniões com assessores de campanha de Trump.

Trump tem se recusado a admitir a derrota para o rival democrata Joe Biden, que em 7 de novembro superou o limite de 270 votos no Colégio Eleitoral para ganhar a Presidência e tomar posse em 20 de janeiro. Trump alega, sem mostrar evidências, que a votação foi cercada por fraude, mas autoridades eleitorais não relatam irregularidades graves ou problemas de segurança.

Assessores de Trump disseram que, quando ficar claro que suas contestações jurídicas contra os resultados de 2020 estiverem concluídas, Trump avalia o anúncio de planos, possivelmente até o final do ano, de concorrer à Presidência novamente em quatro anos.

"Ele se sente enganado e quer concorrer", disse um assessor familiarizado com o pensamento do presidente.

Fonte:
Reuters

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • carlo meloni sao paulo - SP

    Esse e' o mestre fala uma coisa hoje e outra amanha---

    17