Dólar recupera algum terreno após perdas da véspera com foco em exterior e fiscal

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar apresentava alta contra o real nesta sexta-feira, apesar de caminhar para perda semanal, recuperando algum terreno depois de ter despencado a uma mínima em quase seis meses na sessão anterior, com os investidores passando a avaliar com cautela os riscos no cenário internacional e a saúde fiscal do Brasil.
Às 10:39, o dólar avançava 0,60%, a 5,0719 reais na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro tinha alta de 0,94%, a 5,0745 reais.
Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas, disse que o comportamento do mercado de câmbio nesta sexta-feira era "mais um ajuste em relação a ontem", depois que o dólar negociado no mercado interbancário despencou 2,55%, a 5,0417 reais na venda, menor nível desde 16 de junho (4,9398 reais) e maior queda percentual diária desde 6 de novembro (-2,80%). Na semana, a moeda caminha para registrar perda de 0,94%.
A sinalização do Banco Central de que o ciclo de cortes da Selic caminha para um fim e o anúncio de leilões de swap novos pela autarquia foram fatores que ajudaram a pressionar a moeda norte-americana na véspera, assim como uma fraqueza generalizada do dólar nos mercados internacionais, disse Cavalcante.
Nesta sexta-feira, o índice da moeda norte-americana contra uma cesta de pares fortes operava em alta, o que, além de um ajuste diante de perdas recentes, também refletia cautela dos investidores diante do avanço da Covid-19 e suas consequências econômicas, com várias das principais potências mundiais adotando medidas de lockdown, completou o especialista.
Outros analistas também citaram o impasse nas negociações comerciais do Brexit como um ponto de atenção nos mercados internacionais nesta sexta-feira, uma vez que um cenário de divórcio caótico, sem acordo, pode prejudicar as cadeias comerciais globais. Os negociadores do Reino Unido e da UE têm até o final do domingo para tentar resolver suas diferenças.
No Brasil, continuava no radar dos investidores a questão fiscal, que há meses têm sido apontada como um fator decisivo na disparada do dólar frente ao real no ano de 2020.
Em meio um Orçamento apertado para 2021 e uma agenda de reformas estruturais atrasada, os mercados temem que o governo adote medidas para flexibilizar ou furar seu teto de gastos, e seguem no aguardo de anúncios concretos a favor da responsabilidade fiscal.
A agência de classificação de risco Standard and Poor´s reafirmou o rating de longo prazo em moeda estrangeira "BB-" do Brasil, mas apontou que a agenda de reformas fiscais no país tem evoluído de maneira lenta e que os próximos dois anos ainda deverão ser de déficits significativos nas contas públicas.
O senador Marcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC Emergencial -- que tem o objetivo de regulamentar o teto de gastos com gatilhos e tratar de temas do pacto federativo--, anunciou em nota nesta sexta-feira o adiamento da apresentação do relatório sobre a medida para o ano que vem, alegando a complexidade do tema e a atual conjuntura do país, sem entrar em detalhes.
"A delicada situação fiscal continua como um forte ponto de contenção da depreciação maior do dólar, afora a assimetria do juro", opinou em nota Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.
O Banco Central anunciou para esta sexta-feira leilão de swap tradicional de até 16 mil contratos com vencimento em abril e setembro de 2021.
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