Bolsonaro recebe Lira e diz não haver problemas após discurso duro do presidente da Câmara

Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que não tem qualquer problema com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), após recebê-lo para um encontro fora da agenda, depois do duro discurso do deputado na véspera.
O encontro, do qual também participou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi rápido, mas ficou marcado pela iniciativa do presidente de levar Lira até o carro, passando pelo térreo do Palácio do Planalto e pela frente do comitê de imprensa.
"Eu conversei hoje com o Lira, não tem problema entre nós. Zero problemas", disse Bolsonaro. "Conversamos sobre muitas coisas, tá? E o que nós queremos, juntos, é buscar uma maneira de contratarmos mais vacinas."
Na quartas-feira, mesmo depois da reunião entre os chefes de Poderes para tentar acertar uma nova direção para o combate à Covid-19, Lira mostrou insatisfação com o governo ao discursar no final da sessão na Câmara.
Em sua fala, criticou a condução da resposta à pandemia e afirmou que erros "primários" não podem continuar. Apesar de dizer que não estava "fulanizando", toda sua fala foi vista como um recado ao Planalto.
"Os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável", disse Lira, acrescentando que não é sua intenção aplicar esses "remédios", mas que espera que as "atuais anomalias" se curem por autocrítica, instinto de sobrevivência, sabedoria, inteligência emocional e capacidade política.
O gesto incomum de Bolsonaro, de levar Lira até o carro, foi visto como uma tentativa de mostrar que o bom relacionamento continua. Além do próprio presidente, estavam ainda os ministros das Comunicações, Fábio Faria, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.
Ao ser perguntado mais uma vez sobre a relação com o presidente da Câmara, Bolsonaro respondeu:
"Nunca teve nada errado. Meu velho amigo de Parlamento, torci por ele. E no governo continua tudo normal."
O presidente ainda foi insistentemente questionado sobre a situação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - que foi extremamente criticado pelo próprio Lira - mas se recusou a responder.
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