Dólar se aproxima de R$5,23 após relatório de emprego dos EUA; moeda caminha para 6ª perda semanal consecutiva

Publicado em 07/05/2021 10:49 897 exibições

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a cair contra o real nesta sexta-feira, alcançando uma mínima em mais de três meses próxima dos 5,23 reais depois que um importante relatório de empregos dos Estados Unidos decepcionou fortemente as expectativas dos mercados.

A economia norte-americana criou apenas 266 mil vagas de trabalho no mês passado, disse o Departamento de Trabalho dos EUA, nesta sexta-feira, uma leitura bem mais fraca do que a expectativa em pesquisa da Reuters, que projetava a abertura de 978 mil postos de trabalho no período.

Às 10:39, o dólar recuava 0,55%, a 5,2495 reais na venda, deixando para trás os leves ganhos apresentados nos primeiros minutos de negociação. Na mínima do pregão, alcançada logo após a divulgação dos dados norte-americanos, o dólar caiu para 5,2338 reais, seu menor patamar intradiário desde 21 de janeiro deste ano.

O principal contrato de dólar futuro perdia 0,78%, a 5,2525 reais.

"Quase todas as principais moedas viraram para alta contra o dólar após a divulgação dos dados, e as que já estavam subindo acentuaram muito o movimento", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Ele explicou que o sinal passado pelo relatório de emprego é de que a recuperação do mercado de trabalho dos Estados Unidos está longe de completa, o que abafa os ruídos em torno de um possível aperto monetário pelo Federal Reserve.

"Se o mercado de trabalho já estivesse superaquecendo, a perspectiva de elevação de juros seria mais alta e isso pressionaria uma saída de recursos de países emergentes para os Estados Unidos", comentou. "Com o payroll bem abaixo do esperado, isso dá conforto para outras moedas ao redor do mundo."

O índice do dólar contra uma cesta de rivais fortes caía quase 0,25% no dia. Lira turca, rand sul-africano e peso mexicano, três dos principais pares do real, registravam ganhos contra a divisa dos Estados Unidos na esteira do relatório de emprego.

Se mantiver o ritmo de perdas desta manhã, o dólar deve registrar queda de mais de 3,5% contra o real em relação ao fechamento da última sexta-feira, marcando sua sexta perda semanal consecutiva.

Entre os destaques da semana ficou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 3,50% ao ano, indicando também intenção de fazer novo aperto da mesma magnitude em sua próxima reunião, em junho.

Um cenário de juros mais altos no Brasil tende a apoiar o real, segundo especialistas, uma vez que torna rendimentos locais mais atraentes, podendo elevar a entrada de fluxos estrangeiros no país.

Enquanto isso, os investidores ficavam atentos à agenda de privatizações doméstica, pauta que é considerada pelos mercados como de extrema relevância para a credibilidade do país diante do investidor estrangeiro.

O governo brasileiro espera concluir o processo de privatização da Eletrobras até janeiro de 2022, em meio à expectativa de que a medida provisória que abre espaço para a operação possa ser votada na Câmara dos Deputados na semana do dia 17 deste mês, disse o secretário da Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, na quinta-feira.

"Entramos na reta final da tramitação da MP e as duas Casas Legislativas parecem estar alinhadas quanto a prazos e o próprio projeto", disseram analistas da Levante Investimentos em nota, embora tenham ressaltado que "um impeditivo importante pode ser a CPI da Covid, que tem sido o tema central na Casa e atrapalha os planos do governo."

A investigação da abordagem adotada pelo governo de Jair Bolsonaro diante da pandemia tem sido apontada repetidamente pelos investidores como um dos principais pontos de incerteza política nos últimos dias. Em meio ao clima tenso em Brasília, o presidente chamou de "canalhas" parlamentares da CPI da Covid do Senado que o criticam pela defesa do uso da cloroquina e da ivermectina --drogas sem eficácia comprovada contra a Covid-19-- no tratamento da doença provocada pelo novo coronavírus.

O dólar negociado no mercado interbancário fechou o último pregão em queda de 1,61%, a 5,2787 reais na venda.

Nesta sessão, o Banco Central fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 15 mil contratos com vencimento em novembro de 2021 e março de 2022.

Fonte:
Reuters

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