Economia dos EUA pode resistir a aperto monetário do Fed e Ômicron, diz Powell

Publicado em 11/01/2022 16:56 19 exibições

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Por Howard Schneider e Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - O chair do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Jerome Powell, disse, em uma audiência no Congresso dos EUA, que a economia norte-americana deve resistir ao atual aumento de casos de coronavírus com impactos apenas "de curta duração" e que está pronta para o início do aperto da política monetária por parte do banco central.

Powell foi abertamente apoiado por membros de ambos os partidos na sessão do Comitê Bancário do Senado, em sessão que se concentrou principalmente em como o Fed planeja lidar com a inflação em máxima ante várias décadas, por que o banco central diagnosticou equivocadamente o surto de aumentos de preços e em o significariam medidas monetárias mais rigorosas para o crescimento do emprego.

Powell afirmou que o Fed está determinado a garantir que a inflação alta não fique "arraigada" e que, longe de diminuir o crescimento do emprego, uma virada do banco central para taxas de juros mais altas e um escoamento de seus ativos são necessários para manter a atual expansão econômica em andamento.

Se os preços continuarem em alta, o Fed poderá ser forçado a subir os juros ainda mais rápido do que os três aumentos de 0,25 ponto atualmente previstos, o que arrisca um retorno à recessão.

"A inflação está muito acima da meta. A economia não precisa ou quer mais a política monetária muito acomodatícia que adotamos", disse Powell.

No entanto, com taxas de juros próximas de zero e quase 9 trilhões de dólares em ativos na carteira do banco central, "é um longo caminho" para algo próximo a uma política restritiva, afirmou Powell. Enquanto isso, as ações do Fed "não devem ter efeitos negativos no mercado de trabalho", disse.

"Você precisa se concentrar em manter a inflação sob controle, porque não terá pleno emprego sem estabilidade de preços."

A audiência tinha potencial para disputas. Alguns democratas anunciaram sua oposição a Powell, nomeado a chefe do banco central pelo então presidente republicano, Donald Trump, e criticaram sua supervisão de Wall Street. Um escândalo de negociação de ações e a renúncia de várias autoridades do alto escalão mancharam a imagem do Fed. Alguns republicanos argumentam que ele tem deixado o banco central se tornar partidário em questões como mudança climática e desigualdade econômica.

Mas a audiência foi, em grande parte, séria e focada em questões econômicas centrais. Powell fez seus comentários mais completos até agora sobre como a disparada sem precedentes nos casos de coronavírus afetou sua perspectiva.

Apesar das interrupções na escolaridade, viagens e até mesmo alguns serviços essenciais, “o que estamos vendo é uma economia que funciona durante essas ondas de Covid”, afirmou Powell.

O tema dominante, se houve, foi a inflação, o diagnóstico equivocado de "transitória" por parte do Fed no ano passado e os planos para chegar à frente dela agora.

Powell disse sentir ainda que, embora o nível de aumentos de preços exija ações do banco central, algum alívio virá além da política monetária, conforme as cadeias de suprimentos globais começarem a acompanhar a demanda. Esperar, de forma errada, que esse ajuste aconteça rápido, afirmou Powell, é o motivo pelo qual o Fed, inicialmente, considerou a alta da inflação no ano passado como provável de desaparecer sem uma resposta do banco central, apenas para ver os preços continuarem a subir para níveis não vistos desde a inflação galopante das décadas de 1970 e 1980.

Ele disse achar agora que a inflação diminuirá em meados deste ano, mas que o Fed está pronto para apertar os custos dos empréstimos conforme necessário para garantir que isso aconteça.

"Teremos que ser humildes, mas um pouco ágeis", afirmou Powell, ao decidir quando e com que rapidez aumentar as taxas de juros e alterar os ativos do banco central, que subiram para mais de 8 trilhões de dólares como resultado do apoio econômico relacionado à pandemia.

Powell não deu nenhuma pista sobre o momento do início das altas dos juros do Fed, que muitos analistas esperam começar em março. Ele também disse que nenhuma decisão foi tomada sobre quando diminuir o tamanho dos ativos do banco central, mas que é provável de acontecer "mais cedo e mais rápido" de como ocorreu após a recessão de 2007-2009, quando o Fed esperou cerca de dois anos após um aumento inicial da taxa de juros para encolher seu balanço.

As ações dos EUA, que começaram o ano em um cenário fraco, depois que a Ômicron causou um crescimento nos casos de Covid-19 e investidores se reposicionaram em relação a um Fed mais preocupado em conter a inflação, avançavam durante o depoimento de Powell. Os rendimentos dos títulos do governo norte-americano de curto prazo recuavam em relação às máximas do período da pandemia obtidas no início da sessão.

TAXA DE JUROS

A audiência é um primeiro passo na esperada confirmação de Powell para um novo mandato de quatro anos. Lael Brainard, atualmente diretora do banco central, será questionada pelo mesmo comitê na quinta-feira para ser promovida a um mandato de quatro anos como vice-chair do Fed.

No início da sessão desta terça-feira, o senador democrata Sherrod Brown, presidente do comitê, e o senador Pat Toomey, o republicano sênior do comitê, apoiaram a gestão de Powell sobre a resposta do Fed à pandemia, mesmo depois de levantar questões sobre seus próximos passos.

"Acredito que você mostrou a liderança" para comandar o banco central em debates sobre inflação, regulamentação e um escândalo de ética sobre negociação de ações por autoridades do alto escalão, disse Brown.

Toomey afirmou estar preocupado que a resposta robusta do Fed à pandemia possa agora estar alimentando a inflação e "poderia se tornar o novo normal". Ele também repetiu suas críticas ao envolvimento do banco central com o que considera como questões políticas, como mudanças climáticas e desigualdade.

Em dezembro, o Fed decidiu encerrar suas compras de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas - um legado de sua batalha de quase dois anos contra as consequências econômicas da pandemia - até março e sinalizou que poderia aumentar as taxas de juros três vezes este ano.

Os mercados financeiros estão precificando um ritmo um pouco mais agressivo de quatro altas de juros este ano.

Fonte:
Reuters

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