Inflação em 2021 foi pressionada por energia, bens e gargalos no mercado, diz presidente do BC
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - Em carta aberta enviada nesta terça-feira ao ministro da Economia para justificar o descumprimento da meta de inflação em 2021, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o resultado foi motivado por forte elevação nos preços de bens, tarifa adicional de energia elétrica e desequilíbrios entre oferta e demanda com gargalos nas cadeias produtivas.
No documento, Campos Neto ressltou que o movimento de alta nos preços foi um fenômeno global que atingiu a maioria dos países avançados e emergentes.
Esta é a sexta vez que um presidente do Banco Central brasileiro apresenta carta aberta ao ministro da Economia (ou da Fazenda), que preside o Conselho Monetário Nacional, para justificar o descumprimento da meta de inflação do ano anterior.
As explicações já foram dadas nas aberturas de 2002, 2003, 2004, 2016 e 2018. Na mais recente, o então presidente do BC, Ilan Goldfajn, apresentou justificativas ao fato de a inflação ter ficado ligeiramente abaixo do piso da margem de tolerância para a meta.
A regra determina que o presidente do BC divulgue a carta sempre que a inflação encerrar o ano fora dos intervalos de tolerância para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
No regime de metas para a inflação, em vigor desde 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define um alvo para o IPCA de cada ano, além de um intervalo de tolerância. Em 2021, a meta foi de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Segundo dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, o IPCA encerrou 2021 com alta de 10,06%, muito acima do limite máximo de 5,25%.
O ano foi marcado por alta nos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica. Contribuíram negativamente para esse processo a elevação nos preços internacionais de commodities, a aceleração da inflação mundial e a desvalorização do real frente ao dólar.
Para 2022, a meta de inflação é de 3,50%, com tolerância máxima de 5,00%. De acordo com o boletim Focus divulgado pelo BC, o mercado espera um resultado do IPCA ligeiramente acima do teto da meta neste ano. A previsão mais recente coloca o índice de 2022 em 5,03%.
Na tentativa de debelar a inflação e ancorar as expectativas futuras, o BC vem promovendo um agressivo ciclo de aperto monetário. A taxa Selic, que começou 2021 na mínima histórica de 2,00% ao ano, sofreu elevações ao longo do ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) até atingir 9,25% em dezembro. O colegiado já sinalizou que manterá o ritmo de aperto, com mais uma alta de 1,50 ponto percentual na reunião de fevereiro.
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