Dólar faz pausa após perdas recentes; exterior benigno divide atenção com receios fiscais

Publicado em 13/01/2022 10:05 22 exibições

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em leve alta ante o real na manhã desta quinta-feira, com os compradores entrando em cena após dois dias seguidos de perdas acentuadas na divisa norte-americana, embora a valorização fosse limitada pelo clima benigno no exterior.

Enquanto isso, no Brasil, investidores seguem monitorando as mobilizações de servidores públicos brasileiros que reivindicam aumentos salariais.

Às 9:58 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,11%, a 5,5420 reais na venda.

Na B3, às 9:58 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,15%, a 5,5650 reais.

A leve valorização vem depois de a moeda norte-americana acumular queda de 2,4% apenas nas últimas duas sessões, fechando a quarta-feira em 5,5358 reais na venda, menor nível desde 17 de novembro passado (5,5264 reais).

Mas a queda do dólar no exterior --com seu índice frente a uma cesta de pares fortes cedendo 0,2%-- limitava ajustes mais intensos para cima no preço da moeda frente ao real.

Os mercados ao redor do globo mostravam sinais de estabilização nesta quinta-feira, depois que dados de inflação norte-americanos em linha com as expectativas, divulgados na véspera, reduziram apostas de que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, precisará aumentar os juros mais vezes do que o esperado neste ano.

A visão predominante, no momento, é de que o Fed promoverá três aumentos de juros de 0,25 ponto percentual cada neste ano.

Apesar de melhora no desempenho de ativos de risco nos últimos dias, "acredito que ainda seja cedo para 'cantar vitória'", escreveu Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.

"Espero que o ano seja permeado de períodos de pressão negativa e receio com a retirada de liquidez por parte do Fed, que serão intercalados por momentos de recuperação e descompressão."

Juros mais altos nos Estados Unidos elevam a rentabilidade dos títulos soberanos do país, tendendo a deixar ativos de mercados emergentes, de maior risco, menos atraentes.

Na cena local, em meio à pressão de funcionários públicos de várias categorias por reajustes salariais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem no fim do dia reunião com o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

Investidores temem que a mobilização dos servidores culmine em mais custos para o governo neste ano, depois de a credibilidade fiscal do país já ter sido abalada no final de 2021 com a promulgação da PEC dos Precatórios, que alterou a regra do teto de gastos para comportar mais despesas com benefícios sociais.

O Banco Central fará neste pregão leilão de até 17 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de março de 2022.

Fonte:
Reuters

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