Dólar estende perdas com manutenção de fluxo para Brasil; tensão geopolítica fica no radar
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O dólar caía pela terceira sessão consecutiva contra o real nesta terça-feira, com a moeda brasileira continuando a aproveitar fluxo de recursos estrangeiros atraído pelo juro alto no mercado local, enquanto investidores continuavam monitorando o noticiário em torno das tensões na Ucrânia.
Às 10:08 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,34%, a 5,0883 reais na venda, depois de cair 0,64% na mínima do dia, a 5,0733 reais. Caso mantivesse esse patamar até o fim dos negócios, a moeda norte-americana registraria uma mínima para encerramento desde 2 de julho de 2021 (5,0523).
Na B3, às 10:08 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,37%, a 5,0935 reais.
O dólar à vista já vem de uma sequência de dois pregões consecutivos de baixa, depois de fechar a última sessão em queda de 0,70%, a 5,1059 reais, mínima desde 29 de julho do ano passado (5,0795 reais).
A moeda caiu nas últimas seis das sete semanas de negociação completas do ano, e acumula queda de 8,7% em 2022, deixando o real com o melhor desempenho global até agora no período.
Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, disse à Reuters que esse bom desempenho está sendo visto porque "a gente continua com muita atração de moeda estrangeira para o mercado doméstico", citando interesse de investidores internacionais pelo alto patamar dos juros locais e também percepção de algumas oportunidades nas ações brasileiras.
Quanto maior o diferencial de custos de empréstimo entre Brasil e economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, maior tende a ser a atratividade do real para estratégias de "carry trade", que tentam lucrar com a compra de divisas que oferecem retornos elevados. A taxa Selic está atualmente em 10,75%, enquanto os juros da maior economia do mundo seguem perto de zero.
Estrategistas do Citi também apontaram o preço elevado das commodities e a redução dos ruídos políticos locais neste início de ano --em parte devido ao recesso legislativo de janeiro-- como fatores que explicam a desvalorização recente do dólar frente ao real.
No entanto, "riscos associados a condições monetárias mais apertadas globalmente e riscos domésticos fiscais/eleitorais permanecem no radar, o que pode levar a moeda brasileira a níveis mais fracos, apoiando nossa perspectiva de dólar a 5,54 reais até o fim de 2022", afirmou o banco norte-americano em relatório desta terça-feira.
No exterior, os mercados apresentavam volatilidade neste pregão à medida que acompanhavam os mais recentes desdobramentos no leste europeu. Na segunda-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu duas regiões separatistas na Ucrânia como independentes e enviou tropas para lá no que chamou de operação de manutenção da paz.
Depois dessa notícia, os mercados amanheceram bastante avessos ao risco, mas garantias de Putin de que a Rússia continuará a fornecer gás natural ininterruptamente aos mercados mundiais e a abertura do Kremlin à diplomacia com os Estados Unidos e outros países parecia acalmar momentaneamente os nervos dos investidores.
O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes caía 0,2% nesta manhã, enquanto a moeda australiana, muitas vezes considerada "proxy" para o apetite dos mercados por risco, subia 0,3%.
O Banco Central fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 2 de maio de 2022.
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