Alemanha bloqueia projeto de gasoduto Nord Stream 2 em meio a crise na Ucrânia
![]()
Por Sarah Marsh e Madeline Chambers
BERLIM (Reuters) - A Alemanha interrompeu nesta terça-feira o projeto do gasoduto Nord Stream 2 no Mar Báltico, planejado para dobrar o fluxo de gás russo direto para a Alemanha, depois que a Rússia reconheceu formalmente duas regiões separatistas no leste da Ucrânia.
O projeto de energia mais polêmico da Europa, no valor de 11 bilhões de dólares, foi concluído em setembro, mas ficou ocioso aguardando a certificação da Alemanha e da União Europeia.
O gasoduto foi arquitetado para aliviar a pressão sobre os consumidores europeus que enfrentam preços recordes de energia em meio a uma crise mais ampla de custo de vida pós-pandemia e sobre governos que já desembolsaram bilhões para tentar amortecer o impacto sobre os consumidores.
Mas nesta terça-feira o preço de referência europeu do gás, atualmente o contrato holandês de março, subia 9,2% para 78,50 euros por megawatt-hora (MWh) pela manhã, no horário de Brasília.
Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia e agora vice-presidente do Conselho de Segurança do país, buscou jogar sal nessa ferida.
"Bem-vindo ao novo mundo onde os europeus vão pagar 2.000 euros pelo gás!" disse ele, de acordo com a agência de notícias RIA.
A Alemanha obtém metade de seu gás da Rússia e argumentou que o Nord Stream 2 era principalmente um projeto comercial para diversificar o fornecimento de energia para a Europa.
Mas, apesar dos potenciais benefícios, enfrentou oposição dentro da União Europeia e dos Estados Unidos sob a alegação de que aumentaria a dependência energética da Europa em relação à Rússia, além de negar taxas de trânsito à Ucrânia, sede de outro gasoduto russo, e torná-la mais vulnerável à invasão russa.
"Esta é uma grande mudança para a política externa alemã com enormes implicações para a segurança energética e a posição mais ampla de Berlim em relação a Moscou", disse Marcel Dirsus, integrante não-residente do Instituto de Políticas de Segurança da Universidade de Kiel.
"Isso sugere que a Alemanha realmente leva a sério a imposição de custos duros à Rússia."
0 comentário
Ações de Hong Kong se recuperam após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas
Brasil e Coreia do Sul concordam em ampliar cooperação em minerais e comércio
UE diz que não aceitará nenhum aumento nas tarifas dos EUA após decisão da Suprema Corte: “acordo é acordo”
Índia adia negociações comerciais com os EUA após Suprema Corte rejeitar tarifas de Trump, diz fonte
Chefe do comércio dos EUA afirma que nenhum país disse que irá se retirar dos acordos tarifários
Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil