Mundo terá menos crescimento e mais inflação, mas há oportunidade para o Brasil, diz Campos Neto
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - O mundo após a guerra na Ucrânia terá um período relativamente longo de menos crescimento e mais inflação, disse nesta quarta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ressaltando que a polarização pós-conflito redesenha as cadeias globais e pode criar oportunidades para o Brasil.
“O movimento de cadeias globais de valor significa para o mundo um período relativamente longo de menos crescimento e mais inflação”, disse, após afirmar que o conflito na Ucrânia se mostrou mais intenso do que se imaginava.
Em seminário do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre regras fiscais, Campos Neto disse que o mundo gastou 9 trilhões de dólares em 14 meses para enfrentamento à pandemia, associado a políticas monetárias agressivas, o que gerou uma pressão por bens e elevou preços.
Esse movimento, segundo o chefe da autoridade monetária, aumentou também o custo da energia e não foi acompanhado de aumento de investimentos nesse setor. Para ele, o problema de elevação de preços de gás natural, por exemplo, já havia começado durante a pandemia e se exacerbou após o conflito na Ucrânia.
Campos Neto avaliou que há um problema de inflação mais grave no mundo, algo que alguns países começaram a reconhecer, ressaltando que o Brasil saiu na frente nesse movimento.
"Países ainda vão precisar subir bastante os juros para atingir juros neutros", afirmou.
Para ele, mais importante que a questão de elevação dos custos de energia é o redesenho das cadeias globais de valor após o conflito.
Com a polarização mundial, Campos Neto disse que há uma tendência de que nações ocidentais foquem no comércio entre si e que empresas reavaliem contratos com países como Rússia e China e criem redundâncias em suas linhas de produção, aumentando custos. Ressaltou ainda que essa é a primeira guerra de dimensão mundial com papel importante de empresas, que fecharam seus negócios na Rússia.
O presidente do BC disse que essa mudança de panorama pode gerar choques positivos para o Brasil, como no mercado de minerais, no qual o Brasil é exportador, e na comercialização de alimentos, se houver disponibilidade de fertilizantes.
"Temos uma oportunidade de estar muito mais presentes com essa redivisão das cadeias globais, tem uma oportunidade secular para o Brasil, se tiver no lugar certo e com as políticas certas, de entrar nas cadeias globais de valor", disse.
Campos Neto afirmou ainda que observa uma grande melhora fiscal no Brasil no curto prazo, citando que o aumento nos preços de commodities melhora as contas do governo.
O presidente do BC ponderou que o mundo está vivendo em um ambiente de incerteza por tempo prolongado e que deveria existir grande preocupação sobre como fazer políticas fiscais em ambientes desse tipo, mas não detalhou esse tópico.
Na apresentação, ele ressaltou que o pico da inflação acumulada em 12 meses no Brasil deve ocorrer em abril, mantendo previsão próxima à apresentada em fevereiro, quando disse que o pico ocorreria entre abril e maio.
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