Ibovespa fecha com queda de 3% com aversão generalizada a risco global
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte baixa nesta segunda-feira, tocando mínimas desde o começo do ano, em meio a uma forte aversão a risco global em razão de preocupações sobre os movimentos de bancos centrais, principalmente do Federal Reserve, para conter a inflação e seus efeitos na atividade econômica.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,73%, a 102.598,18 pontos, menor patamar desde 10 de janeiro e com quase todas as ações da carteira no vermelho. No pior momento, chegou a 101.699,55 pontos (-3,59%). O volume financeiro no pregão somou 30,1 bilhões de reais.
De acordo com a economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha, a dinâmica dos mercados nesta segunda-feira continuou a ser influenciada pelos fatores que levaram os mercados a terem uma forte realização na última sexta-feira, quando saíram dados de inflação e de confiança do consumidor nos EUA.
"Esses dados serviram de alerta a respeito de uma trajetória de inflação pior que a esperada e de um ambiente de arrefecimento do crescimento", afirmou, destacando que estes vetores fazem o mercado questionar qual será a reação do Fed, o BC norte-americano.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anuncia na quarta-feira decisão sobre os juros com o mercado esperando nova alta de 0,5 ponto percentual. Investidores buscarão sinais sobre os passos seguintes do Fed, em especial após setembro, e se ele precisará ser mais enérgico para controlar a inflação.
"É um dia de estresse geral", afirmou o gestor da Vitreo Rodrigo Knudsen, acrescentando que não é possível explicar o comportamento de determinado papel a partir de fundamentos próprios. "Ninguém quer posição de risco, todo mundo está vendendo qualquer coisa de risco."
Em Wall St, o S&P 500 fechou em baixa de quase 4% e uma parte importante da curva de juros norte-americana se inverteu pela primeira vez desde abril, com investidores se preparando para a perspectiva de os esforços do Fed para conter a inflação prejudicarem a economia.
"O mercado vai continuar muito ruim enquanto os investidores externos não acharem o ritmo de elevação de juros e o final dessa longa estrada", avaliou o sócio e estrategista da Meta Asset Management, Alexandre Póvoa.
DESTAQUES
- GOL PN desabou 14,46%, para uma mínima de fechamento desde abril de 2020, a 9,94 reais, e AZUL PN recuou 10,92% para 13,70 reais, menor fechamento desde maio de 2020, sofrendo com a alta do dólar ante o real, além da aversão a risco generalizada. No setor de viagens, CVC BRASIL ON despencou 11,72%.
- MAGAZINE LUIZA ON caiu 7,93%, renovando mínimas em mais de 4 anos, com o aumento da inclinação da curva de futura de juros também pressionando as ações de varejo. AMERICANAS ON encerrou com queda de 8,74% e VIA ON tombou 9,89%.
- VALE ON fechou com declínio de 3,17%, na esteira do recuo dos preços do minério de ferro na Ásia, com novos surtos de Covid-19 na China revivendo os temores de que os lockdowns reduzam a demanda no maior produtor de aço do mundo. CSN MINERAÇÃO ON <CMIN3.SA> caiu 2,87%.
- PETROBRAS PN cedeu 1,28%, contaminada pela aversão a risco generalizada, embora os preços do petróleo tenham mostrado melhora durante a sessão, fechando com sinal positivo.
- BRADESCO PN registrou queda de 1,47% e ITAÚ UNIBANCO PN apurou declínio de 1,2%, sofrendo com o movimento vendedor na bolsa como um todo, com BANCO INTER UNIT capitaneando as perdas de bancos do Ibovespa com perda de 4,17%.
- CIELO ON subiu 1,32%, entre as poucas altas da sessão. O BTG Pactual ajustou estimativas e elevou o preço-alvo das ações da empresa de meios de pagamento de 4 para 5 reais, avaliando que ainda há um "upside".
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