Dólar estende disparada e vai a pico em 2 meses com solavanco global
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar deu sequência a seu rali nesta segunda-feira, quando chegou a disparar para quase 5,42 reais, com investidores do mundo inteiro correndo para a segurança da divisa norte-americana em meio a temores crescentes de que juros mais altos nas principais economias levem a uma recessão global.
A moeda norte-americana fechou em alta de 2,50%, a 5,3793 reais, maior patamar para encerramento desde 22 de julho (5,4976 reais), depois de no pico da sessão disparar 3,23%, a 5,4180 reais, nível intradiário não visto desde 25 de julho.
Este pregão foi o segundo consecutivo de disparada do dólar, período em que acumulou alta de 5,15%, maior salto em duas sessões desde o ganho de 5,59% somado entre 22 e 25 de abril.
Na B3, às 17:14 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,38%, a 5,3940 reais.
A alta da divisa dos Estados Unidos foi generalizada, e seu índice contra uma cesta de seis pares fortes saltava 0,8% nesta tarde, renovando seus maiores patamares em duas décadas e mostrando alta contra todas moedas relevantes do mundo.
"O principal fator que vem fazendo o dólar se apreciar frente às demais moedas é o cenário global bem turbulento, essa corrida de aperto monetário (dos bancos centrais) para conseguir segurar a inflação", disse Renan Mazzo, chefe de câmbio da SVN Investimentos.
Na semana passada, o Federal Reserve, banco central dos EUA, subiu sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez seguida e projetou uma trajetória de aperto monetário mais agressiva do que o inicialmente esperado pelos mercados.
Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra também têm se mostrado determinados a elevar os custos dos empréstimos de forma a conter a alta dos preços, mesmo que isso ameace levar suas respectivas economias à recessão.
"Esse é um cenário de aversão a risco, cenário em que os investidores tendem a recorrer a moedas mais fortes, e a moeda mais forte do mundo é o dólar", afirmou Mazzo.
No âmbito doméstico, colaborou para o nervosismo de investidores a aproximação da eleição presidencial de domingo, disse o especialista, o que explica o fato de o real ter sido a moeda de pior desempenho no mundo nesta sessão. "É uma eleição muito conturbada, com muita incerteza sobre o que vai vir pela frente."
Apesar do rali recente da moeda norte-americana, "(divisas de) mercados emergentes como Brasil e México estão superando as moedas do G10 no acumulado do ano em relação ao dólar", ponderou em publicação no Twitter Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).
"Este é um grande pivô nos mercados globais, que é sem precedentes. A política monetária dos mercados emergentes é hoje mais ortodoxa do que nas economias avançadas."
A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano, nível elevado que torna os retornos do real atraentes para investidores estrangeiros que buscam lucrar com diferenciais de juros entre economias.
O dólar acumula baixa de 3,48% contra o real até agora em 2022, embora esteja 16,75% acima da mínima de fechamento do ano, de 4,6075 reais, atingida no início de abril.
Contra o peso mexicano, moeda citada por Brooks, o dólar tem baixa marginal de cerca de 0,5% no ano. A taxa básica de juros do México está em 8,5%. Os BCs tanto do Brasil quanto do México começaram a subir os custos dos empréstimos antes das principais economias desenvolvidas.
O índice do dólar contra pares fortes, por sua vez, salta mais de 19% até agora no ano.
(Edição de José de Castro)
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