Taxas dos contratos futuros de juros fecham em alta após ata reforçar percepção de Selic elevada
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SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam em alta nesta terça-feira, em especial na ponta curta, com a ata do mais recente encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçando a percepção de que, no curto prazo, a Selic tende a seguir em níveis elevados.
O documento, divulgado pela manhã, repetiu o tom duro --ou "hawkish", no jargão do mercado-- do comunicado da semana passada, com indicações de que o BC segue preocupado com as expectativas de inflação.
Na ata, a instituição afirmou que a relação entre a apresentação do novo arcabouço fiscal, prevista para os próximos dias, e a convergência dos preços para as metas não é direta, enfatizando o foco em melhorar as expectativas para a inflação, que seguem desancoradas. O BC também pregou paciência na condução da política monetária.
“O BC está vendo uma atividade que está se desacelerando e uma inflação que, apesar de ter cedido dos níveis mais altos do ano passado, ainda está rodando em patamares elevados”, avaliou Mauricio Ferraz, CFA e Product Manager de renda fixa da Kínitro Capital. “A instituição cita a questão de perseverar no aperto monetário. Na prática, o BC não vê corte de juros no futuro próximo”, acrescentou.
Com a perspectiva de que a Selic se mantenha em patamares mais elevados por mais tempo, houve certa correção nas taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em especial em contratos de prazos mais curtos, como janeiro de 2024 e janeiro de 2025. Na ponta longa, as taxas ficaram muito próximas da estabilidade.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para outubro de 2023 estava em 13,44%, ante 13,375% do ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2024 estava em 13,16%, ante 13,057% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 12,005%, ante 11,884%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 12,17%, ante 12,142% do ajuste anterior.
Divulgada a ata, as atenções se voltarão agora ao Relatório de Inflação e à coletiva do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na quinta-feira. Um dos focos de atenção será o discurso de Campos Neto em relação às críticas que vem recebendo do governo.
Nesta terça-feira, já após a ata, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), usou as redes sociais para criticar o BC e Campos Neto, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.
“Arrogância do BC de Guedes e Bolsonaro não tem limites: querem desacelerar ainda mais a economia e manter juros na estratosfera. O Brasil que se dane, segundo o Copom. E ainda fazem chantagem sobre regra fiscal. O Brasil não merece isso", escreveu em sua conta no Twitter.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o BC precisa “ajudar”. “"O Banco Central também tem que nos ajudar. É um organismo que tem dois braços, um ajudando ao outro. Eu sempre insisto nessa tese, porque dá a impressão de que um é espectador do outro e não é assim que a política econômica tem que funcionar", defendeu Haddad, se referindo às políticas fiscal e monetária.
No exterior, a terça-feira foi um novo dia de alta para os rendimentos dos Treasuries, com investidores reduzindo posições nos títulos norte-americanos diante da percepção de que a crise bancária que atingiu EUA e Europa foi amenizada.
Às 16:52 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1,90 ponto-base, a 3,5469%.
(Por Fabrício de Castro)
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