Dólar mostra instabilidade com temores sobre China e EUA no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar alternava estabilidade e leves ganhos frente ao real em meio a negociações voláteis nesta terça-feira, de olho na alta da divisa norte-americana no exterior após dados decepcionantes da China, enquanto investidores aguardavam uma leitura de inflação dos Estados Unidos e digeriam a ata da última reunião de política monetária do Banco Central do Brasil.
Às 9:50 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,20%, a 5,0252 reais na venda. Mais cedo, a moeda chegou a cair 0,35%, a 4,9974 reais na venda, no que operadores atribuíram a movimento pontual de ajuste após salto de 1,44% na segunda-feira, a 5,015 reais.
Na B3, às 9:50 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,24%, a 5,0475 reais.
"Ontem (o dólar) estressou em função da indicação (de Gabriel Galípolo à diretoria de política monetária do Banco Central) e nesta manhã deu uma correçãozinha, mas não é o correto", disse à Reuters Hideaki Iha, operador de câmbio da Fair Corretora, citando um ambiente externo amplamente favorável à divisa norte-americana.
As importações da China, por exemplo contraíram com força em abril enquanto as exportações aumentaram a um ritmo mais lento, reforçando os sinais de demanda doméstica fraca apesar do fim das restrições contra a Covid e ampliando a pressão sobre uma economia que já enfrenta dificuldades diante do arrefecimento do crescimento global.
Na esteira dos dados, o índice do dólar contra uma cesta de rivais fortes subia 0,25%, enquanto divisas arriscadas pares do real registravam perdas.
Iha citou ainda amplos temores sobre o impasse em torno do teto da dívida dos Estados Unidos, bem como problemas inflacionários globais e risco crescente de recessão, como fatores que devem sustentar o dólar acima de 5 reais.
Nesse contexto, "com uma agenda econômica relativamente calma hoje, os mercados aguardam os números do CPI (dados de inflação) referentes a abril a serem publicados amanhã nos Estados Unidos", disse a XP em nota. "Após o (provável) fim do ciclo de aperto monetário, os próximos dados de preços podem ser relevantes para quando o Fed eventualmente encontrará espaço para começar a cortar as taxas."
Os dados devem mostrar que o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA subiu 0,4% em abril, após ganhar 0,1% em março.
No Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada nesta terça-feira, mostrou que o BC avalia que a apresentação do arcabouço fiscal pelo governo reduziu a incerteza associada a cenários extremos de crescimento da dívida pública.
"Vejo uma ata consistente com uma Selic ficando estável por um bom tempo. Esse parece o plano de voo do BC. Certamente nenhum sinal de corte de juros para a próxima reunião do Copom", disse em nota Caio Megale, economista-chefe da XP.
A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano, nível alto que tem sustentado o real ao torná-lo atraente para aplicação em estratégias de "carry trade". Estas consistem na tomada de empréstimo em país de juro baixo e investimento desse dinheiro num mercado mais rentável.
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