Ibovespa recua após BC não indicar intenção de cortar juros em agosto
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta quinta-feira, em meio a ajustes de posições de investidores que esperavam uma sinalização mais forte do Banco Central na véspera quanto à possibilidade de um corte da taxa Selic em agosto, o que não aconteceu.
Às 11:02, o Ibovespa caía 1,3 %, a 118.857,68 pontos. O volume financeiro somava 4,6 bilhões de reais.
A queda vem após o Ibovespa fechar a 120.420,75 pontos na véspera, máxima de fechamento desde 4 de abril de 2022, acumulando em junho uma valorização de mais de 11%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, como esperado, e manteve um tom duro ao avaliar o processo de desinflação no Brasil, defendendo que é preciso ter "paciência" no controle dos preços.
"Acreditamos que o comitê não indicou uma saída iminente da estratégia de manter a taxa de juros no patamar atual, ou seja, um corte em agosto", afirmou a equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú Unibanco, chefiada por Mario Mesquita.
Eles afirmaram ainda esperar que o Copom inicie o ciclo de flexibilização em setembro e que os próximos passos dependerão da evolução da dinâmica inflacionária, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.
"Aprenderemos mais sobre a visão das autoridades na próxima semana, com a divulgação da ata da reunião na terça-feira, 27 de junho", acrescentaram em relatório a clientes.
Na bolsa, a perspectiva de queda da Selic no segundo semestre tem apoiado um desempenho mais positivo no pregão, com estrangeiros reforçando tal movimento nas últimas semanas.
DESTAQUES
- VIA ON mostrava queda de 5,75%, a 2,46 reais, tendo ainda no radar anúncio de troca na vice-presidência financeira da varejista, com Orivaldo Padilha sendo substituído por Elcio Mitsuhiro Ito. Padilha permanecerá na companhia para ajudar na transição. A eleição de Ito tem efeito a partir de 10 de julho. No setor, MAGAZINE LUIZA ON perdia -5,85%.
- IRB (RE) ON recuava 6,4%, a 38,01 reais, após reportar lucro líquido de 6,1 milhões de reais em abril, revertendo resultado negativo de 92,7 milhões de reais no mesmo mês de 2022. Na visão de analistas do JPMorgan, o valuation das ações do IRB precifica uma recuperação substancial da lucratividade, que não está refletida nos números de abril.
- CVC BRASIL ON perdia 5,29%, a 3,76 reais, em sessão na qual a operadora de turismo precifica sua oferta primária de ações, que terá os recursos destinados para aquisição de determinadas debêntures, além de reforço do capital de giro e melhoria da estrutura de capital. Considerando preço de fechamento da véspera do anúncio, de 4,10 reais, a oferta total alcança 683,333 milhões de reais.
- ASSAÍ ON caía 2,01%, a 13,13 reais, após a rede francesa Casino anunciar nesta quinta-feira que venderá sua participação restante na rede de atacado de autosserviço brasileira, de 11,7%. De acordo com o Assaí, a operação ocorrerá na B3 na sexta-feira por meio de block trade. Na mínima mais cedo, as ações recuaram 3,7%.
- BB SEGURIDADE ON subia 0,23%, a 30,41 reais, entre as poucas altas do Ibovespa. Analistas do Goldman Sachs saíram de reunião com executivos da companhia, entre eles o CFO, afirmando que a administração permanece construtiva sobre as perspectivas competitivas para seguro rural e previdência, enquanto espera que o crescimento dos prêmios de seguro convirja para a faixa prevista (10-15%).
- VALE ON mostrava acréscimo de 0,1%, a 67 reais, buscando descolar do movimento mais negativo na bolsa, após três quedas seguidas, período em que acumulou queda de quase 4%.
- PETROBRAS PN recuava 1,54%, a 31,36 reais, após renovar máximas históricas na véspera. A correção era endossada pelo declínio dos preços do petróleo no exterior.
- ITAÚ UNIBANCO PN caía 1%, a 28,75 reais, e BRADESCO PN perdia 1,97%, a 16,91 reais, acompanhando os ajustes de baixa na bolsa paulista.
- DIRECIONAL ON, que não está no Ibovespa, caía 4,35%, a 17,58 reais, após anunciar nesta quinta-feira oferta primária de ações, que terá os recursos destinados a apoiar o crescimento da construtora e otimização de sua estrutura de capital. Considerando a cotação de fechamento das ações na véspera, o follow-on alcança 431,93 milhões de reais, considerando a colocação da totalidade das ações adicionais.
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